Indicação: poeta Biláh Bernardes, Belo Horizonte-MG
"A grande originalidade da poética de Rodrigo Starling está na amálgama alquimica de opostos, de passado e presente, de crença e descrença, de ceticismo e esperança. O poeta sabe que é inútil culpar a vida, que o necessário é assumir a existência, sem dogmas, sem desespero, sem suicídio, para dar um fim a ansiedade e alcançar a esperança." LdeM
No dia 04 de junho passado aconteceu pré-lançamento do livro “O cético selo”, de Rodrigo Starling, evento online com leituras e performances de diversos poetas sobre esta magnífica obra literária.
Hoje, continuamos as homenagens, com a publicação de alguns vídeos e dois poemas de Starling.
QUEM É?
(Minibiografia by LdeM)
Rodrigo Marinho Starling, nascido em 1981, em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, é poeta, filósofo, agitador cultural, participa como voluntário transformador, na Minas VOLUNTÁRIOS, que preside, é fundador do Selo Starling, em 2011, que publica obras e antologias de poetas e contistas. Estudou filosofia política na PUC Minas e fundou a ONG cultural Ópio/ Opa, que atuou em BH e região entre 2003 e 2010.
Lançou os livros Confessorio Ardente, 2006; Nós e outros poemas, 2010; Ad Infinitum, com Clevane Pessoa, 2014; Dupla fenda, com Elisa de Jesus, 2016; e O Cético Selo, 2021.
Rodrigo Starling atua na Minas VOLUNTÁRIOS para voluntariado transformador, é casado, e tem dois filhos.
POEMAS:
O CÉTICO SELO
Rodrigo starling
Filho incestuoso da fé e da descrença
Duas faces da mesma moeda
O ceticismo não é ateísmo!
“Viver e valer, eis aí minha ciência”
Valha meu cavalo branco, que eu lhe valerei!
Cavalo é força. Branco é síntese
Disco de Newton, girando em cada existência
Quem se torna sábio torna à natureza de D’eus
Passagem pelo espectro de cores, matizes
Fé cega e ateísmo, siameses opostos
Oh! Cético Selo! Trombeta do questionador
Epoché, Ataraxia, quaresmeira em flor
Venha cavalo de fogo, que eu lhe evitarei!
Sangue, circo, orgias e matanças
Vermelho de lascívia. Fogo da luxúria
Ferem e são feridos pela mesma espada
Ensanguentados, são aqueles que buscam a paz
Sensualizando... Orando em línguas...
Desconhecem a linguagem dos simples, do amor
Só gera a guerra o que é secundário, sem valor
Venha cavalo preto, que eu lhe denunciarei!
Aferição humana da justiça divina
Assim, inquisições julgaram e queimaram
Oficiais ou veladas, remotas ou atuais...
Galopa a meritocracia “divina”: individual e coletiva
Hipócritas juízes! Eis o sentido dos falsos profetas
Grassando Leis, comércio, in(justiças) econômicas
Contaminaram até religião e política, anjos em raiz
Venha cavalo bílis, que eu lhe domarei!
Amarelo-esverdeado ou vermelho, a morte não porta-bandeira
Decadência moral dos extremos... Imortal maniqueísmo...
Unificação dos contrários! Alavanca da evolução
Trevas e luz, Yin e Yang. A verdade é um contraste
Água e vinho, na companhia de Pirro e Sexto Empírico
Um cético banquete, sem glutonaria de certezas
Sobre almas, terremotos, silêncios... Ou a hora de partir
EU VOS DEDICO
Rodrigo starling
Eu vos dedico este poema
Filósofos do presente, visionários, artistas
Freiras, cortesãs (dos conventos ou bordéis)
Acadêmicos, letrados, bolsistas
Dedico aos crentes de amor e morte
Àqueles que nosso jugo condena
Aos sacros ou profanos discípulos
De Apolo, Dionísio ou Atena
Dedico aos leitores...
De Shakespeare a autoajuda
Da Bíblia ou de Aleister Crowley
De Dante, Goethe, Neruda
Dedico também a vós, glutões
De fast foods e reality shows
Que consomem vorazmente, sem filtro
De qualidade, consistência ou odor
Aos verdadeiros (ou falsos) profetas
Padres, pastores, coaches e gurus
Partidários ou fiéis, in(cultos) universais
Aos Prem Babas... Vestidos ou nus
Alquimistas, a vós este poema bruto
Pedra, imploro a transmutação...
Viciado nas janelas da miopia
Cobiço ouro, às portas da percepção
VÍDEO DE HOMENAGEM

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