Eu sou o horror dos tempos
"Escrevo, pois a solidão me é repleta de gente".
Letícia Mariana
(Autora envia seus trabalhos de forma espontânea para a publicação neste plataforma sem nenhum fim lucrativo).
Eu sou o horror dos tempos! Preciso da morte cotidiana que me conforta, pois só existo morta. Sinto que alguns seres me amam, mas a maioria me odeia num nível mórbido de vingança.
Eu sou um anjo caído, incompreendido, triste e solitário num universo de lobos famintos! Talvez, nesta madrugada repleta de outros anjos como eu, será possível encontrar alguma paz de espírito.
Sou Letícia Mariana, mas poderia me chamar Lucas. Sou Letícia Mariana, mas todos me consideram judas! Creio que Jesus me perdoa, mas eu não sou capaz de me perdoar por existir. Oras, Mariana, parte de minh’alma, o que resta para você me ajudar? Preciso me matar, literalmente ou poeticamente, para ter o prazer da vida?
Escrevo, pois a solidão me é repleta de gente. Gente chata, sem sentido, alegre, tóxica, tudo menos gente como eu, estranha e honesta. Afinal, sou sombra ou luz? Há quem diga que sou treva, mas muitos me enxergam como esmeralda. A verdade é: sou melancolia. Pelo menos hoje, meu caro leitor, sou melancolia.
A ansiedade me traz loucura, a depressão me traz cansaço, e o conforto final é o meu laço. Será possível lidar com meu ego? Será necessário gritar? Ou apenas sentir? Duvidar é o caminho, o destino, o abrigo ou tudo que digo? Não sei ao certo.
Quando escrevi Entre Barbantes, lembrei da minha infância. Há uma história inspirada na ficção, mas prefiro escondê-la por um tempo. Só preciso, leitora, da paz que a moça me proporciona! Moço leitor, por gentileza, esqueça minha falsa nobreza, me abrace neste instante! Alguém existe atrás do escritor?
Eu sou o horror dos tempos. Sou Letícia Mariana, poetisa dos mortos e do enclausurar, como digo no poema ‘Eterno Penar’. Gritei, sim. Nesta noite, chorei e gritei como nunca, mas também orei como jamais imaginava. Espero ser amada, espero. Por alguém? Não. Espero ser amada por mim. Espero me enfrentar, enfrentar os meus piores medos, minha essência escura. Preciso deixar a minha luz entrar em mim, e peço sim, humildemente, ajuda. Este texto é um pedido de socorro, mas peço que não se assustem. Ele é verdadeiro, assim como minha escrita e assim como a minha pessoa.
Eu me chamo Letícia Mariana, e sou viva, mas também sou morta. Letícia Mariana, normal e insana, paradoxo de Letras, livro aberto e fechado. Uma esperança, um caminho, um sentido. Letícia Mariana, me diga: você me ama?

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