Anna Liz é de Santa Luzia, Maranhão. Poeta, cronista e professora, mestranda em Língua Portuguesa. Tem participação em quase 100 antologias lançadas no Brasil e em diversos outros países, além de já ter publicado oito livros solo. Organizou duas antologias com obras de 25 escritoras maranhenses. Ao longo de sua trajetória recebeu alguns prêmios de literatura de entidades relevantes no campo literário no Brasil e em outros países. Faz parte de algumas Academias e Núcleos Acadêmicos de Letras e Artes no Brasil, Chile, Argentina e Portugal.
1. PR - Poeta Anna Liz, qual é a sua avaliação sobre a Literatura Contemporânea do Brasil?
AL – A literatura contemporânea brasileira é muito eclética, com muitas rupturas. Acreditamos que vivemos um tempo em que é possível o “subalterno falar”, com a sua própria voz, sem dar coro à literatura hegemônica, mas acontecendo por outros atravessamentos, com uma dicção poética própria – é a voz do negro, é a voz da mulher (negra, branca, lésbica, etc), é a voz do/a poeta que não é dos grandes centros urbanos. Então, a literatura contemporânea é um entrecruzamento de territórios de gêneros, raça, classe, resultando em uma grande articulação de vozes que dá voz a um sem número de pessoas, sistematicamente, minoradas, caladas, estereotipadas.
2. PR – O poeta Manoel de Barros diz em um verso: “tudo que não invento é falso”. A poesia que você produz é uma invenção? Há marcas da vida na sua poética?
AL – Penso que a escrita nasce de uma composição de coisas vividas, mas quando expresso, invento, crio um “modus operandi”, que ultrapassa a ficção, mas não se limita à autobiografia.
3. PR – Você foi premiada pela UBE -RJ. Como você analisa a questão das premiações na literatura contemporânea?
AL – As premiações são importantes, até certo ponto, para referenciar uma obra. Então, para o/a autor/a é importante, porque estabelece um parâmetro e dá para nós (que escrevemos) uma certa confiança que podemos está no caminho certo.
4. PR – Como surgiu a ideia do Coletivo Vozes do Vale? Vocês vão lançar uma antologia. Qual a importância de uma obra coletiva para o Vale do Pindaré?
AL – Uma forma de fortalecimento da literatura é a criação dos coletivos, tanto, no sentido de poder participar de editais culturais, quanto no sentido de dar maior visibilidade ao grupo de poetas (escritores/as). Quando pensamos em criar o coletivo “Vozes do Vale”, pensamos nesse fortalecimento da literatura local. Iniciar uma mobilização que favoreça a divulgação desses poetas, fomentando a literatura no Vale do Pindaré.
5. PR – Como você avalia a participação dos autores do Vale do Pindaré, na literatura contemporânea brasileira?
AL – O que temos presenciado é que os autores e autoras que compõem o Coletivo Vozes do Vale têm se destacado em importantes prêmios estaduais, nacionais e, até internacionais. Sem querer enaltecê-los, podemos dizer que se trata de autores com uma produção literária relevante, marcante, com uma importante dimensão política e coletiva.
6. PR - Deixe uma mensagem de esperança para os leitores
AL – É preciso incidir e rasurar a língua(gem), no sentido de levar na escrita, a esperança, a urgência, a necessidade, a voz dos que precisam. Parafraseando Conceição Evaristo, quem escreve deve comprometer a sua escrita com a vida e vice-versa.
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