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Sempre foi assim: “O Monstro Financeiro querendo engolir a Poesia”

À propósito da matéria sobre “A Morte da Poesia”

22/03/2025 às 08h41 Atualizada em 22/03/2025 às 11h06
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação do Facetubes
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Arte:MHLai
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*Redação do Facetubes

 

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A poesia, enquanto expressão da subjetividade humana, sempre foi uma arte cercada de dificuldades econômico-financeiras. No entanto, a busca pelo sustento de muitos poetas foi marcada por um equilíbrio complexo entre o trabalho e a arte, onde poucas conseguem viver exclusivamente de sua produção poética.

 

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Desde os primórdios, a história mostra que a maior parte dos poetas teve ocupações complementares ou fontes de renda paralelas que lhes permitiram a sobrevivência e, em alguns casos, uma base financeira para se dedicarem à poesia sem limitações.

 

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Na Grécia Antiga, por exemplo, Homero, teve como um dos primeiros e mais importantes poetas ocidentais, viveu em um período em que a poesia oral e a tradição de contar histórias eram sustentadas principalmente pelo apoio de Mecenas e pela participação em festas e conferências populares.

 

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Embora pouco se saiba sobre sua vida concreta, a falta de registros sobre uma profissão fixa indica que ele provavelmente viveu da arte poética sustentada por patronos, uma prática comum no período.

 

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Ao contrário de Horácio que, segundo pesquisas, iniciou uma carreira como soldado e funcionário público antes de receber apoio direto de Mecenas, que foi um dos mais célebres patronos de poetas, permitindo que Horácio dedicasse seus últimos anos exclusivamente à poesia.

 

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Aliás, vale aqui um adendo: confesso que o termo 'mecenas' chegou aos nossos tempos como algo alguém que ajuda, doa algo a alguém de bom grado. Porém, originariamente, o termo "mecenas" se refere a Caio Cílnio Mecenas (68 aC – 8 aC), um rico conselheiro e amigo próximo do imperador romano Augusto. Mecenas tornou-se conhecido na Roma Antiga por seu generoso patrocínio às artes e à literatura. Ele usou sua fortuna e influência para apoiar artistas, poetas e intelectuais, entre os quais se destacaram poetas como Virgílio e Horácio. Sua ação permitiu que esses escritores se dedicassem à sua arte, ajudando a consolidar um período de grande efervescência cultural na história romana.

 

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Com o advento do Renascimento, muitos poetas precisaram conciliar suas vocações literárias com ofícios que garantissem estabilidade financeira. Na Inglaterra, William Shakespeare, que embora mais conhecido por seu trabalho como dramaturgo, também foi um poeta, precisou atuar como ator e empreendedor teatral, além de ter uma participação significativa no teatro como proprietário, uma fonte de renda estável que financiava seus escritos.

 

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Já no Brasil colonial, Gregório de Matos, um dos principais poetas barrocos, se formou em Direito, exercendo a profissão de advogado e vivendo durante parte de sua vida com uma pensão real, enquanto sua poesia satírica e religiosa ocorreu, por vezes, em segundo plano.

 

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O Romantismo trouxe uma geração de poetas que continua a enfrentar dilemas entre arte e trabalho. O francês Charles Baudelaire, autor de "As Flores do Mal", encontrou uma vida cheia de dificuldades financeiras e sobreviveu principalmente da ajuda de familiares e amigos, sem nunca conseguir viver plenamente da poesia.

 

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No Brasil, Castro Alves, um dos poetas mais representativos do movimento romântico e autor de poesias abolicionistas, era estudante de Direito, mas se dedicava intensamente à poesia e à atuação social, sendo sustentado pela família e, em parte, por amigos e admiradores. Contudo, sua curta vida não lhe permitiu estabelecer financeiramente.

 

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Com o avanço para o modernismo e o século XX, uma dualidade se tornou ainda mais evidente entre poetas que viveram do trabalho paralelo e aqueles poucos que lograram viver exclusivamente da poesia.

 

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O poeta norte-americano TS Eliot, embora famoso, trabalhou grande parte de sua vida como editor e bancário em Londres, usando seu tempo livre para desenvolver sua obra, enquanto o chileno Pablo Neruda conseguiu, através de cargas diplomáticas e políticas, manter uma carreira literária ativa, contando também com o respaldo econômico que essas posições lhe forneceram.

No Brasil contemporâneo, a dependência de outras atividades contínuas. Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas da língua portuguesa, teve uma longa carreira no funcionalismo público, trabalhando no Ministério da Educação e Cultura, o que lhe garantiu estabilidade para escrever seus poemas, embora nunca tenha vivido exclusivamente da literatura.

 

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Editor MHL lê Rupi Kaur.

Já Manuel Bandeira, também um ícone modernista, foi professor e tradutor, além de exercer o jornalismo, o que lhe conferia a sustentação necessária para sua produção poética. Mais recentemente, com a popularização da poesia nas redes sociais, alguns poetas obtiveram uma visibilidade que lhes foi concedida para viver exclusivamente de suas obras e direitos autorais.

 

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"A poeta canadense Rupi Kaur, (feminista contemporânea, escritora e artista da palavra falada indiano-canadense, popularmente conhecida como "Instapoet" pela atenção que ela ganha online com seus poemas no Instagram), talvez tenha sido a primeira a 'inaugurar' um outro tipo de 'fazer poesia' e se autossustentar, usando a modernidade das redes sociais, devido ao alcance de suas publicações digitais e à venda de livros em larga escala. Contudo, esse caso permanece uma exceção num cenário onde a maioria dos poetas modernos, mesmo com reconhecimento, precisa de fontes paralelas de renda", escreveu o jornalista Mhario Lincoln, editor desta Plataforma, em recente crônica.

 

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Portanto, viver exclusivamente da poesia é, historicamente, um feito raro e excepcional. A literatura poética, por não se enquadrar nas demandas do mercado e nas urgências do capital, tornou-se uma vocação a que poucos puderam se dedicar integralmente.

 

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Por isso, a prática de trabalhos paralelos ou o apoio de 'mecenas' (como o próprio trabalho incessante de divulgação que pratica a plataforma do Facetubes - www.facetubes.com.br de forma gratuita), se torna essencial para que a poesia floresça e sobreviva nestes tempos, marcando uma trajetória de luta e renúncia.

 

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Bom frisar que é, sim, notável que, mesmo diante de tão grandes desafios, a poesia continue a prosperar como uma das artes mais profundos da expressão humana.

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*Equipe de pesquisa do Departamento de Biblioteconomia do Facetubes

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Cel. Carlos FurtadoHá 1 ano São Luísplataformas e meios digitais atuais sugere que o futuro pode trazer novas possibilidades, mas o desafio essencial permanece. Para poetas e apreciadores, a luta por reconhecimento e sustento reflete a importância dessa forma de expressão — envolvida na literatura como uma das sete artes clássicas — que sobrevive e se torna mais pujante mesmo diante das adversidades." Parabéns dileto amigo pela constante lucidez e riqueza de informações.
Cel. Carlos FurtadoHá 1 ano São Luís...para os poetas. No entanto, a autossuficiência financeira continua sendo rara e desafiadora. Por isso, a prática da arte poética ainda depende de múltiplas formas de suporte, e é perceptível observar as agruras enfrentadas por milhões de poetas em todo o mundo, que buscam estratégias para desenvolver e divulgar suas obras. Seu texto demonstra eficazmente a resiliência da poesia e dos poetas ao longo dos tempos, ilustrando como a arte sobrevive às adversidades econômicas. A inclusão de (cont
Cel. Carlos FurtadoHá 1 ano São LuísDileto e querido amigo Mhário Lincoln. "Você nos presenteia com um passeio cristalino e informativo, demonstrando que a dificuldade de viver exclusivamente da poesia não é apenas um problema moderno, mas uma constante histórica. Desde os tempos antigos até os momentos atuais, as dificuldades persistiram, mesmo com mudanças significativas nos contextos culturais. A análise contemporânea revela que os tempos modernos, com o surgimento das redes sociais, trouxeram oportunidades inéditas...(cont.)
alcina maria silva azevedoHá 1 ano Campinas -SPMhario Lincoln,como sempre vc ďireciona os temas, de forma diferenciada e dentro da realidade.
Marcílio DiasHá 1 ano Blumenau SCNão há como não reconhecer tais alegações.
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