Segunda, 20 de Julho de 2026 12:42
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Brasil POESIA

Até que ponto o produto “poesia” é respeitado no Brasil contemporâneo?

Texto produzido pela Equipe de Pesquisa e Biblioteconomia do Facetubes.

27/03/2025 11h36 Atualizada há 1 ano atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Equipe de Pesquisa e Biblioteconomia do Facetubes
A necessidade de vender poesia traz atropelos.
A necessidade de vender poesia traz atropelos.

Equipe de Pesquisa e Biblioteconomia do Facetubes

Ilustração: departamente de Arte (mhlai). 

 

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"(...) publicar poesia é um ato de resistência cultural", Luiz Schwarcz, fundador da Companhia das Letras.

 

A crônica recente de Ana Elisa Ribeiro, intitulada “Poesia, romance e diversidade editorial”, traz à tona os desafios enfrentados pelos poetas no Brasil atual. A autora celebra o fato de cinco mulheres aparecerem como finalistas do Prêmio Jabuti 2021, na categoria poesia, todas editadas por casas independentes.

 

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Tal fato, por outro lado, não aponta algo escondido nos bastidores do comercio poético. Há, ainda, muitos impasses relacionados a um gênero literário frequentemente marcado pelo desdém e pela marginalização comercial. Conforme Ribeiro observa, “quem publica poesia tem muitas experiências com o não”.

 

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E por que isso? A redação do FACETUBES (www.facetubes.com.br) requisitou o Departamento de Pesquisas para estudar esse dilema, a partir do texto de Ana Elisa Ribeiro e chegou a algumas conclusões que devem ser lidas pelos nossos poetas e comentadas. Por exemplo: historicamente a poesia, apesar de ocupar um espaço singular no contexto contemporâneo, não consegue espaço singular nas prateleiras comerciais das grandes editoras. Pouco reagem às normas do mercado editorial.

 

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No nível de Brasil, essa realidade se agrava devido a fatores como a baixa tiragem de livros, a concentração de mercado e a falta de políticas públicas de incentivo à leitura. Conforme aponta o poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna, "a poesia nunca foi um gênero de massa, mas atualmente vive um momento de invisibilidade preocupante".

 

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Luiz Schwarcz, fundador da Companhia das Letras, corrobora essa visão ao afirmar que "publicar poesia é um ato de resistência cultural". Segundo ele, as editoras enfrentam dificuldades em investir no gênero devido à baixa demanda e ao retorno financeiro limitado, o que leva muitos poetas a buscarem alternativas independentes para divulgar suas obras.

 

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Então, cabe a todo mundo questionar: qual o verdadeiro papel das editoras independentes nesse caso? A presença de cinco mulheres poetas, todas publicadas por editoras independentes, entre as finalistas do Prêmio Jabuti 2021, evidencia a importância dessas casas editoriais na promoção da diversidade e na revelação de novas vozes. As editoras independentes desempenham um papel crucial ao abrirem espaço para obras que, de outra forma, poderiam permanecer à margem do circuito literário tradicional.

 

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Vender poesia é difícil?

A escritora e editora Heloísa Buarque de Hollanda destaca que "as editoras independentes são fundamentais para a renovação da literatura brasileira, especialmente na poesia, onde a inovação e a experimentação são mais presentes". Esse reconhecimento em uma premiação de prestígio como o Jabuti não apenas legitima o trabalho dessas poetas, mas também sinaliza uma abertura do campo literário para formas mais diversas e inclusivas de produção.

 

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Na verdade, a afirmação de Ana Elisa Ribeiro de que “quem publica poesia tem muitas experiências com o ‘não’”, reflete a resistência enfrentada por poetas ao tentarem inserir suas obras no mercado. Essa negação se manifesta em diversas situações: desde a dificuldade em encontrar editores dispostos a publicar poesia até a limitada distribuição e visibilidade nas livrarias.

 

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O poeta e ensaísta Ferreira Gullar já havia observado que "a poesia é uma arte que exige do leitor um esforço maior, um envolvimento mais profundo, o que pode afastar o público em geral". Essa percepção contribui para a compreensão dos desafios comerciais da poesia, que, por sua natureza introspectiva e experimental, muitas vezes contraria as expectativas do mercado.

 

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Desta forma, é fundamental que leitores, editores e instituições culturais reconheçam o valor da poesia como expressão artística e como veículo de reflexão sobre a condição humana. Como afirma Antonio Candido, "a literatura, e em especial a poesia, é uma necessidade universal que atende a uma função humanizadora". Nesse sentido, promover a poesia é também promover a riqueza cultural e a sensibilidade crítica da sociedade.

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Notas de rodapé

Ribeiro, AE (2021). Poesia, romance e diversidade editorial . Disponível em: [link do artigo].

Sant'Anna, AR (2018). A poesia e o desafio da contemporaneidade . Revista Brasileira de Literatura, 45(2), 123-130.

Schwarcz, L. (2019). Entrevista sobre o mercado editorial brasileiro. Jornal Literário , 12(4), 22-25.

Hollanda, HB de. (2020). A importância das editoras independentes na literatura brasileira . Palestra apresentada no Congresso Nacional de Literatura.

Gullar, F. (2014). Poesia sempre: reflexões sobre a arte poética . Rio de Janeiro: Editora José Olympio.

Cândido, A. (1995). O direito à literatura . In: Vários escritos (pp. 237-250). São Paulo: Duas Cidades.

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Jaime Há 2 anos atrásBSB/DFUm artigo, que nos leva, a uma reflexão profunda.
alcina maria silva azevedoHá 2 anos atrásCampinas -SPPoesia é para quem tem os sentidos apurados e, aprecia o que tange o coração em seu ruído lindo das palavras.
Esmeralda CostaHá 2 anos atrásCampos Sales-CE Realmente é um grande desafio publicar nossa arte poética, principalmente quando se trata de terra natal. O poeta inicialmente, não é bem visto em seu lugar de origem e somente depois que ele faz sucesso mundo a fora é que recebe também reconhecimento em seu torrão natal.
Socorro Guterres Há 2 anos atrásNatal/ RNÓtimo artigo: relevante e original. Parabéns!
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