Segunda, 12 de Outubro de 2026 17:22
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil COLUNISTAS FT

ATÉ ONDE CHEGA A DESTRUIÇÃO DAS GUERRAS

Desembargador Serejo é convidado da Plataforma Nacional do Facetubes.

12/10/2026 15h07
Por: Mhario Lincoln Fonte: Lourival serejo (autor)
Arte: mhl/GinaiFT
Arte: mhl/GinaiFT

  Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1980 e, posteriormente, em Direito Processual Civil, pela Universidade Federal de Pernambuco. É desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.

 

 

Continua após a publicidade

Lourival Serejo, convidado da Plataforma Nacional do Facetubes e da Academia Poética Brasileira.

Sarebbe una festa per tutta la terra
fare la pace prima della guerra.

                               Gianni Rodari

           As guerras não atingem só as pessoas, só as fábricas, os edifícios, as pontes,  as usinas e diversos outros complexos industriais que viabilizam a vida nas cidades, estas também vítimas dos ataques inimigos.

As guerras atingem também os livros, destruindo-os, queimando-os, como fez Hitler com inúmeras bibliotecas de judeus. É impressionante como a força dos livros incomoda as ditaduras. Será porque eles formam consciências que não se submetem à servidão?

Agora, neste ano de 2026, o Instituto Ucraniano dos Livros denunciou a destruição de mais de dez milhões de livros, de quase 300 bibliotecas e a danificação de depósitos de livros, reduzindo tudo a cinzas.

Continua após a publicidade

As editoras atingidas estão pedindo socorro internacional para reporem  seus estoques. Até julho passado, 906 bibliotecas foram afetadas pelos bombardeios soviéticos.

Há algum tempo, fiz referência numa crônica, sobre a destruição de bibliotecas e museus de Bagdá, feita pelos bombardeios americanos, na ocasião da invasão do Iraque. Foram crimes praticados, não só contra os iranianos, mas também contra toda a humanidade.

A bibliografia sobre esse tema, em geral, está repleta de obras que relatam atos de vandalismo contra os livros. Lembro-me, no momento, de três: Livros em chamas: a história da destruição sem fim das bibliotecas, de Lucien X. e Polastron; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; e O infinito em um junco, de Irene Vallejo.

Nessas obras há relatos terríveis de destruição de livros ao longo da história da humanidade. Parece que essa maldição começou em Alexandria, quando a maior biblioteca do mundo, naquela época, ardeu em chamas.

O curioso é que nos iludimos pensando que esses abomináveis relatos do passado não se repetiriam nos dias de hoje. E vem uma guerra, lá da Ucrânia, para demonstrar que a insanidade continua presente entre nós. A sociedade evolui, mas os homens continuam os mesmos.

Alguns anos atrás, a biblioteca da Sarajevo foi também incendiada. Perderam-se dezesseis mil incunábulos e manuscritos que jamais foram reproduzidos. Mais uma vez, a perda não é só daquele país, mas de toda a civilização universal.

Continua após a publicidade

Com muita antecedência, Heine, na Alemanha, profetizou os crematórios de Hitler, quando disse: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando as pessoas”.

No momento, ao povo da Ucrânia só podemos oferecer nossa solidariedade e inconformação pelo atentado à memória daquele país e pelo livrocídio de que estão sendo vítimas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Desembargador Lourival Serejo
Sobre Desembargador Lourival Serejo
Crônicas, ensaios e textos do Desembargador Lourival Serejo, convidado da Plataforma Nacional do Facetubes e da Academia Poética Brasileira. Com vários livros publicados e membro da academia Maranhense de Letras, o professor Serejo é um dos nomes aplaudidos da Literatura Maranhense. Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1980 e, posteriormente, em Direito Processual Civil, pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, fazendo parte do Órgão Especial e membro da 3ª Câmara Cível. É, também, professor da Escola Superior da Magistratura do Estado do Maranhão. Lourival Serejo é o atual presidente da Academia Maranhense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 35. É membro fundador das seguintes academias: Academia Imperatrizense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 4; da Academia Vianense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 10; e da Academia Maranhense de Letras Jurídicas, onde ocupa a Cadeira nº 10. É autor de vários livros, entre jurídicos e literários, assim distribuídos: a) jurídicos: Contribuições ao estudo do Direito; Direito Constitucional da família, em três edições; Provas ilícitas no Direito de Família; Programa de Direito Eleitoral; Direito Eleitoral; Magistratura e ética: comentários ao Código de Ética da Magistratura Nacional; e Formação do juiz: anotações de uma experiência. É co-autor de cinco obras coletivas sobre Direito de Família, Direito Eleitoral, Vitimologia e a História da cidade de Imperatriz (MA); b) literários: O presépio queimado; Rua do Porto; Do alto da Matriz; O baile de São Gonçalo; Da aldeia de Maracu à Vila de Viana; A família partida ao meio; Entre Viana e Viena; Aluísio Azevedo sempre; Casablanca; O tormento de Santiago; Mistérios de uma cidade invisível; e Literatura no Espelho. Lourival Serejo tem vários artigos publicados em revistas especializadas, nas áreas de Processo Civil, Direito de Família e Direito Eleitoral. Pertence a várias instituições jurídicas e literárias, a saber: Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM; Instituto dos Magistrados do Brasil; Associação dos Magistrados Brasileiros; e União Brasileira de Escritores – UBE. Ao longo de sua carreira na magistratura, foi Auditor da Justiça Militar; Diretor da Escola Superior da Magistratura do Maranhão; Ouvidor do Tribunal de Justiça; Juiz Auxiliar da Corregedoria; Presidente do Tribunal Regional Eleitoral e Presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão. É casado com Ana Maria Gomes Serejo Sousa e pai de Ferdinando Marco Gomes Serejo Sousa e Jacqueline Gomes Serejo Sousa.
Curitiba, PR
Atualizado às 15h01
20°
Tempo nublado

Mín. 13° Máx. 20°

20° Sensação
14.83 km/h Vento
81% Umidade do ar
100% (10.56mm) Chance de chuva
Amanhã (13/10)

Mín. 16° Máx. 23°

Chuva
Quarta (14/10)

Mín. 14° Máx. 20°

Chuva
Ele1 - Criar site de notícias