Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1980 e, posteriormente, em Direito Processual Civil, pela Universidade Federal de Pernambuco. É desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.
Lourival Serejo, convidado da Plataforma Nacional do Facetubes e da Academia Poética Brasileira.
Sarebbe una festa per tutta la terra
fare la pace prima della guerra.
Gianni Rodari
As guerras não atingem só as pessoas, só as fábricas, os edifícios, as pontes, as usinas e diversos outros complexos industriais que viabilizam a vida nas cidades, estas também vítimas dos ataques inimigos.
As guerras atingem também os livros, destruindo-os, queimando-os, como fez Hitler com inúmeras bibliotecas de judeus. É impressionante como a força dos livros incomoda as ditaduras. Será porque eles formam consciências que não se submetem à servidão?
Agora, neste ano de 2026, o Instituto Ucraniano dos Livros denunciou a destruição de mais de dez milhões de livros, de quase 300 bibliotecas e a danificação de depósitos de livros, reduzindo tudo a cinzas.
As editoras atingidas estão pedindo socorro internacional para reporem seus estoques. Até julho passado, 906 bibliotecas foram afetadas pelos bombardeios soviéticos.
Há algum tempo, fiz referência numa crônica, sobre a destruição de bibliotecas e museus de Bagdá, feita pelos bombardeios americanos, na ocasião da invasão do Iraque. Foram crimes praticados, não só contra os iranianos, mas também contra toda a humanidade.
A bibliografia sobre esse tema, em geral, está repleta de obras que relatam atos de vandalismo contra os livros. Lembro-me, no momento, de três: Livros em chamas: a história da destruição sem fim das bibliotecas, de Lucien X. e Polastron; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; e O infinito em um junco, de Irene Vallejo.
Nessas obras há relatos terríveis de destruição de livros ao longo da história da humanidade. Parece que essa maldição começou em Alexandria, quando a maior biblioteca do mundo, naquela época, ardeu em chamas.
O curioso é que nos iludimos pensando que esses abomináveis relatos do passado não se repetiriam nos dias de hoje. E vem uma guerra, lá da Ucrânia, para demonstrar que a insanidade continua presente entre nós. A sociedade evolui, mas os homens continuam os mesmos.
Alguns anos atrás, a biblioteca da Sarajevo foi também incendiada. Perderam-se dezesseis mil incunábulos e manuscritos que jamais foram reproduzidos. Mais uma vez, a perda não é só daquele país, mas de toda a civilização universal.
Com muita antecedência, Heine, na Alemanha, profetizou os crematórios de Hitler, quando disse: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando as pessoas”.
No momento, ao povo da Ucrânia só podemos oferecer nossa solidariedade e inconformação pelo atentado à memória daquele país e pelo livrocídio de que estão sendo vítimas.
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