
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁICO DO MARANHÃO – IHGM
CASA DE ANTÔNIO LOPES
100 ANOS DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE MARANHENSE*
“Fruto de nossos labores, o atestado da nossa tenaz perseverança”.
Tavares de Lyra
No dia 20 de novembro de 1925, em São Luís, na Livraria de Wilson Soares, era criado, por um grupo de intelectuais, sob a liderança de Antônio Lopes da Cunha, o Instituto de História e Geografia, o atual Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM, constando de apresentação do Regimento e da escolha da primeira Diretoria, para a instalação comemorativa no dia 2 de dezembro.
O IHGM começou sua atuação com chave de ouro, ministrando um Curso de Estudos Maranhenses, iniciado no primeiro ano de vigência da Instituição (1926). Relata o primeiro número da Revista do IHGM que o curso foi ministrado por pessoas de alto conhecimento. A programação evidenciava um elevado grau de relevância dos assuntos, de certa maneira, ainda pertinentes nos dias atuais.
Ainda segundo o relato na Revista do IHGM de Nº 1, referido curso traçava uma radiografia perfeita do Maranhão:
(...) A geologia; a cartografia; a flora; a fauna; o clima; as regiões; a população; o saneamento; as comunicações terrestres; a navegação; os portos; os produtos naturais exploráveis; a lavora; a propriedade territorial; a pecuária; a emigração e a colonização; a indústria; o comércio interno e externo; o capital, o crédito e os bancos; o trabalho, o operário e o salário; os impostos; o pauperismo, a assistência e a caridade; a cooperação, as caixas econômicas e os seguros; a criminalidade e a justiça; as finanças; a organização e a administração municipal; os limites intermunicipais; a cooperação entre os municípios; problema do sertão; a arqueologia e a história; o folclore; a linguagem; a educação; a literatura e a bibliografia.
As palestras contavam com grande audiência e, por certo, devem ter sido marcos importantes na vida da cidade, até considerando que poucos cursos superiores se realizavam à época (segunda metade da década de 20 do século passado). Salvo engano, apenas o Curso de Direito e cursos do que, hoje, chama-se Educação Básica, com poucos estabelecimentos.
A história do Instituto é, portanto, parte da história do Maranhão.
Em texto recém-escrito, Dilercy Aragão Adler lembra que, no Maranhão, o Curso de História foi criado no final de 1952, com as atividades acadêmicas iniciadas no primeiro semestre letivo de 1953. Já o Curso de Geografia foi fundado na Universidade Federal do Maranhão – UFMA em 1953, marcando um passo fundamental na formação de geógrafos no Estado. Importante lembrar que o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão já existia desde 1925, antecipando, com sua atuação, a estruturação acadêmica formal dessas áreas.
O primeiro Curso Superior de História, no Brasil, foi criado em 1934, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo – USP, juntamente com o Curso de Geografia — os mais antigos do país.
É essencial situar o marco da fundação do IHGM dentro de uma longa e significativa tradição cultural e intelectual brasileira, iniciada com a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB. Durante décadas, os Institutos Históricos e Geográficos desempenharam, com pioneirismo, funções que, hoje, também cabem às universidades, arquivos públicos, institutos de pesquisa e periódicos científicos consolidados. Em tempos passados, estes papéis eram exercidos com exclusividade pelos Institutos Históricos e Geográficos espalhados por todo o país.
No dizer do Prof. Antônio Lopes, fundador, patrono e eterno secretário, “O IGHM foi criado para cultuar a tradição, venerar o passado, estudar o Maranhão [...]”. “[...] evoca o passado para o brilho do presente e torna cada vez mais entranhado o amor à terra maranhense e suas glórias”.
A Ilustre e saudosa confreira Dra. Ilzé Vieira de Melo Cordeiro, 2ª ocupante da Cadeira de nº 30, patroneada pelo primeiro presidente do IHGM, referindo-se ao Instituto, diz: “Ali se guarda um tesouro precioso, constituído pela história, pela geografia e pela Literatura Maranhense graças aos antepassados, a nós e aos outros brilhantes membros que hão de vir! Por isso, a nossa terra jamais será um Estado sem marca de uma trajetória, sem registros e sem memória!”.
A validade dessa coerência ganha realce na observação da confreira Elimar Figueiredo de Almeida Silva, atual ocupante da Cadeira de nº 20, patroneada por Antônio Gonçalves Dias: Ela diz: “Nós que pertencemos a uma Instituição voltada para o culto de nossas tradições, venerando o passado, temos que estudar o Maranhão do presente, buscando preservá-lo para o futuro. [...]”.
Diz-se que a História se escreve não apenas para pôr luz no passado. Lanterna na popa. Mas para que, recuperando o passado, alcemos o futuro.
Pois bem, os Institutos Históricos e Geográficos mantêm-se relevantes e alvissareiros, como espaços plurais de promoção e divulgação de conhecimentos, estudos e pesquisas; registros e memória da História e da Geografia. Espaço de zelo pelas palavras, pela História, pela Geografia, pelo conhecimento humano que perpassa nossa existência e que serve de guia para os que depois de nós virão.
Muitos dos Institutos são mais que centenários e desamparados pelo poder público, que lhes confere, sem bônus, o dever de guardar e preservar a História e a memória de cada um dos Estados Brasileiros; desenvolver atividades culturais de pesquisa, e manter museus, bibliotecas e arquivos.
O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão congrega intelectuais membros; entre eles estão historiadores, geógrafos, cientistas, literatos. Um grupo muito diverso em formação acadêmica, idades e sensibilidades intelectuais. Mas, com uma preocupação central, a de fazer valer as finalidades da Instituição (consoante seu Estatuto recentemente atualizado e aprovado):
I — Organizar, promover, sugerir e apoiar estudos, pesquisas, congressos, conferências, seminários, painéis, fóruns de debates, palestras, cursos de iniciação, atualização e/ou aperfeiçoamento, entre outros eventos e temas, inclusive em parceria com outras entidades e pessoas físicas e jurídicas, públicas e privadas, nacionais e internacionais;
II — Defender e preservar o patrimônio histórico do Maranhão e promover a coleta de documentos relativos a efemérides;
III — Manter e estabelecer correspondência e intercâmbio com instituições congêneres locais, nacionais e internacionais;
IV — Realizar a publicação de revistas periódicas, tanto impressas quanto digitais, do IHGM, além de apoiar a produção, publicação e disseminação de livros, impressos, documentários e suportes digitais, com ênfase na ampliação da bibliografia maranhense, preferencialmente as edições antigas e inéditas;
V — Garantir o pleno funcionamento da biblioteca e do arquivo;
VI — Estabelecer prêmios para monografias e estudos sobre temas previamente escolhidos, a serem apresentados em concursos;
VII — Realizar e apoiar outras ações, conforme definido no Regimento Interno e nas Resoluções da Assembleia Geral e nas Resoluções da Diretoria.
Assim sendo, assim se justifica! Que assim seja!
O futuro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM de nada valerá se o coração da Casa de Antônio Lopes não bater no compasso herdado dos antigos, dos patronos, fundadores e antecessores. É o que o reabastece! É o que o singulariza! É neste ritmo, e neste rito, na sequência dos exemplos que recebemos dos que zelaram pela Casa, que construiremos um futuro do qual as gerações sucessoras poderão se orgulhar do que fizemos da mesma forma que, hoje, no presente, o passado é motivo de orgulho. Assim, continuamos e continuaremos, com o coração forte, para continuar escrevendo as páginas de relevantes serviços à Sociedade Maranhense e Brasileira.
A missão de cada nova Diretoria implica continuidade e acrescentamento. Tem sido assim. Assim seguirá. Sabem todos os que navegam nesses espaços. Sabe-o, o Instituto.
Alivia-nos saber que somos precedidos, nesta Casa, por notáveis presidentes, com menção especial para Justo Jansen Ferreira, o primeiro Presidente (1925-1929), que legou a seus sucessores uma conduta irrepreensível na condução dos destinos desta Instituição. Ressaltamos os nomes daqueles que, defendendo as convicções de seu idealizador e fundador, Antônio Lopes da Cunha, se houveram com desvelo, espírito público, à frente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM: José Domingues, João Braulino de Carvalho, Leopoldino Lisboa, Elisabeto Barbosa de Carvalho, Rubem Almeida, José Ribamar Seguins, Jorge Hédel Ázar, Edomir Oliveira Martins, Nywaldo Macieira, Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, Telma Bonifácio dos Santos Reinaldo, Euges Silva de Lima e Dilercy Aragão Adler. Destes, tornamo-nos herdeiros de precioso legado.
*José Augusto Silva Oliveira, Associado Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM, ocupante da Cadeira de nº 21 patroneada por Antônio Henriques Leal.
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