Augusto Pellegrini: "As Cores do Swing"
Nome completo – Charles Mingus, Jr.
Nascimento – Nogales-Arizona-EUA
Falecimento – Cuernavaca-México
Instrumento – baixo e piano
Comentário – Quer pela força e magnetismo emanados pelo seu contrabaixo acústico, quer pelos intrincados horizontes da sua obra, Charles Mingus é um dos mais comentados e controvertidos músicos da história do jazz. Baixista, pianista e compositor, ele também escreveu o seu nome como condutor de uma orquestra que foi construída para transmitir os seus anseios e frustrações. Quando criança, Charles cresceu dentro de padrões muito rígidos e era basicamente obrigado a ouvir apenas música religiosa. No entanto, ele não se furtava em escutar às escondidas discos de jazz, como os da orquestra de Duke Ellington. Esta duplicidade de gêneros acabou sendo responsável pela consolidação de um estilo emotivo e bluesístico que acompanhou Mingus durante toda a sua vida. Ele começou profissionalmente em 1943 tocando contrabaixo com o grupo de Louis Armstrong, passando em 1947 para Lionel Hampton e mais tarde, em 1950, para a banda de Red Norvo. Em 1955, Mingus criou um grupo que promovia workshops especializados em executar as suas músicas.
Este grupo fazia um trabalho muito bem elaborado no qual misturava blues, rhythm & blues, gospel, música clássica moderna, música latina e bebop, e seria o embrião da sua futura orquestra. Como elemento regulador do seu som híbrido estava a música de Duke Ellington, que Mingus continuava a considerar o “agente motivador” das suas criações. Como contrabaixista Charlie Mingus foi um músico ímpar. Seu ritmo era muito marcante, e sua pulsação tão forte que o som do seu instrumento se sobressaía do restante da orquestra. Como pessoa, ele era imprevisível, alternando instantes de grande lirismo e ternura com momentos de intensa angústia e irritação, e esta alteração de humor acabou fazendo parte da sua música. Até pouco antes de morrer, vítima de uma esclerose paralisante, ele conduziu a sua orquestra elaborando arranjos surpreendentes que fugiam do convencional e extraíam sonoridades diferentes das usuais. Charles Mingus se manteve musicalmente ativo por cerca de quarenta anos.
Algumas gravações
A Colloquial Dream (Scenes In The City) (Charles Mingus)
Cumbia & Jazz Fusion (Charles Mingus)
East Coasting (Charles Mingus)
Fables Of Faubus (Charles Mingus)
Good-Bye, Pork Pie Hat (Charles Mingus)
Meditation On Inner Peace (Charles Mingus)
Mingus Fingers (Charles Mingus)
Moanin’ (Bobby Timmons)
Mood Indigo (Irving Mills-Barney Bigard-Duke Ellington)
My Jelly Roll Soul (Charles Mingus)
Orange Was The Color Of Her Dress, Then Silk Blues (Charles Mingus)
Peggy’s Blue Skylight (Charles Mingus)
Pithecanthropus Erectus (Charles Mingus)
So Long, Eric (Charles Mingus)
Three Or Four Shades Of Blues (Charles Mingus)
Ysabel’s Table Dance (Charles Mingus)
Charlie Barnet (1913-1991)
Nome completo – Charles Daly Barnet
Nascimento – Nova York-New York-EUA
Falecimento – San Diego-California-EUA
Instrumento – sax-tenor, sax-alto e sax-soprano
Comentário – Charlie Barnet foi um caso raro de um músico de jazz que nasceu milionário. Sua família queria que ele fosse advogado, mas ele preferiu alternar as responsabilidades de músico profissional com uma boa vida de play-boy, o que provavelmente tenha contribuído para que ele não tivesse uma cotação mais alta entre os críticos. Charlie começou a tocar ainda adolescente, tendo como referência os saxofonistas Johnny Hodges, Coleman Hawkins e Sidney Bechet, mas não escondia a sua admiração pelas orquestras de Duke Ellington e Count Basie. Como consequencia, ele montou a sua própria orquestra produzindo uma música e uma sonoridade bastante semelhantes às destes maestros que ele admirava. A orquestra explodiu em 1939 com a gravação da música “Cherokee”, de Ray Noble, que havia recebido um arranjo de Billy May tido como antológico. Como compositor, Barnet também usava o pseudônimo de Dale Bennett, sob qual compôs a música “Redskin Rhumba”, uma extensão de “Cherokee”. Barnet foi um dos primeiros bandleaders a utilizar músicos negros na sua orquestra branca (foi ele, por exemplo, quem lançou a cantora Lena Horne). Por este motivo, sua orquestra foi denominada “the blackest white orchestra of all” (“a orquestra branca mais negra de todas”). Pela sua orquestra passaram o pianista Dodo Marmarosa, o guitarrista Barney Kessel e os trompetistas Bobby Burnet, Roy Eldridge, Maynard Ferguson, Clark Terry e Doc Severinsen. Em 1949, depois de ter substituído o swing pelo bebop, ele resolveu trabalhar menos e aproveitar mais a sua fortuna, que continuara a crescer em meio à sua atividade musical. Barnet alternava longas férias com breves turnês, o que aconteceu até o fim da sua vida. Ele gravou o seu último disco em 1966, mas continuou ativo como bandleader. Durante a década de 1940, Barnet aproveitou a sua grande popularidade para aparecer em quatro filmes de Hollywood, “Music In Manhattan” e “Jam Session” (ambos em 1944), “Idea Girl” (1946) e “A Song Is Born” (1948). A rigor, Charlie Barnet começou sua carreira de bandleader aos dezesseis anos e se manteve ativo durante mais de sessenta anos, até falecer em 1991.
Algumas gravações
A Lover’s Lullaby (Frankie Carle-Larry Wagner-Andy Razaf)
Cherokee (Ray Noble)
Darn That Dream (Eddie DeLange-Jimmy Van Heusen)
Echoes Of Harlem (Duke Ellington)
Flying Home (Benny Goodman-Lionel Hampton-Sidney Robin)
Indian Love Call (Oscar Hammerstein II-Otto Harbach)
Leapin’ At The Lincoln (Charlie Barnet)
Midweek Function (Charlie Barnet)
My Old Flame (Arthur Johnston-Sam Coslow)
Night Song (Jimmy Mundy-Juan Tizol)
Scotch And Soda (Charlie Barnet)
Skyliner (Charlie Barnet)
Some Like It Hot (Gene Krupa-Frank Loesser-Ray Biondi)
The Breeze And I (Ernesto Lecuona-Al Stillman)
This Is No Dream (Tommy Dorsey-Ted Shapiro-Benny Davis)
What’s New? (Bobby Haggart-Johnny Burke)
Charlie Spivak (1907-1982) (*)
Nome completo – Charles Spivak
Nascimento – Kiev-Ucrânia
Falecimento – Greenville-South Carolina-EUA
Instrumento – trompete
(*) Alguns biógrafos dão como data de nascimento 1905
Comentário – Conta a história que a família de Charlie Spivak emigrou da Ucrânia para a América logo depois que ele veio ao mundo, embora certas fontes garantam que ele na realidade teria nascido nos Estados Unidos – em New Haven-Connecticut – no ano de 1905. De qualquer modo, foi em New Haven, com cerca de dez anos de idade, que Charlie começou a aprender trompete e a tocar na banda da escola. Depois de algumas apresentações em pequenos grupos locais, ainda adolescente, Charlie foi trabalhar profissionalmente como trompetista na orquestra de Don Cavallaro. De 1924 até 1930 Charlie participou da banda de Paul Specht, tendo depois ingressado na orquestra de Ben Pollack e mais tarde trabalhado com os irmãos Dorsey, Ray Noble, Bob Crosby e Jack Teagarden, nesta ordem. Durante dois anos (1936 e 1937) Spivak trabalhou como músico de estúdio e de emissoras de rádio, realizando algumas gravações com as orquestras de Gus Arnheim, Glenn Miller e Raymond Scott. Com o encorajamento e a ajuda financeira de Glenn Miller, Charlie Spivak montou a sua orquestra em 1939. No começo, a experiência não foi muito bem sucedida, mas no ano seguinte ele contratou alguns músicos da orquestra de Bill Downer, que havia encerrado as atividades de bandleader, e conseguiu decolar, mantendo o grupo em atividade até 1959. A música de Spivak tinha um apelo mais dançante do que jazzístico, e a sua orquestra era especializada em baladas românticas e canções populares. Depois de 1959, Spivak comandou algumas orquestras em regime temporário, apresentando-se em Las Vegas e South Carolina, e se manteve em atividade nos palcos e nos estúdios até pouco antes de morrer, aos setenta e cinco anos (ou setenta e sete, de acordo com alguns registros). Músico de longa carreira, que começou em meados dos anos 1920 e se estendeu até o final dos anos 1970, Spivak tinha uma peculiaridade: era um excelente trompetista, dono de uma notável sonoridade, mas raramente improvisava. No entanto, ao lado de Bunny Berigan, acabou se constituindo no modelo de trompete que influenciaria Harry James anos depois.
Algumas gravações
At Last (Mack Gordon-Harry Warren)
Autumn Nocturne (Josef Myrow-Kim Gannon)
Besame Mucho (Consuelo Velázquez-Sunny Skylar)
For Sentimental Reasons (William Best-Deek Watson)
How Deep Is The Ocean (Irving Berlin)
I Only Have Eyes For You (Al Dubin-Harry Warren)
I Remember You (Johnny Mercer-Victor Schertzinger)
I Surrender, Dear (Harry Barris-Gordon Clifford)
It’s Been A Long, Long Time (Sammy Cahn-Jule Styne)
Nature Boy (Eden Ahbez)
Poinciana (Nat Simon-Buddy Bernier)
Sentimental Trumpet (Charles Shirley)
Stardreams (Charlie Spivak-Sonny Burke-Sylvia Dee)
Tenderly (Walter Gross)
We Three (My Echo, My Shadow and Me) (Dick Robertson-Sammy Mysels)
What’s Cookin’? (Charlie Spivak)
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