*Mhario Lincoln
Podem mandar me prender se quiserem. Mas eu cometi um grande furto hoje. Folheando as cronicas e poesias do professor e confrade José Neres, dei-me com o texto abaixo. Não resisti. Tive que lê-lo amiude. Mas, eis que me desceu o espírito de Robin-Hood e pratiquei um furto de texto para compartilhá-lo aqui a fim de que muitos dos nossos leitores e admiradores do professor Neres, pudesse ler também.
Então, antes de ler o texto, por favor, o veredito: culpado ou inocente?
O DIÁRIO DE ANNE FRANK
*José Neres
"(...) ao chegar no quarto de meu filho, um livro de sua vasta estante me chamou a atenção: O Diário de Anne Frank (Editora Record, 2014). Já havia visto diversas referências a esse livro, mas nunca tido o interesse de lê-lo.
Comecei a folhear aquele volume com 349 páginas e o estilo da autora logo chamou minha atenção. Uma prosa clara, elegante e recheada do que existe de mais importante em uma obra: a essência humana.
Aquela garota que viveu tão pouco deixou para a posteridade algumas lições de vida que só são encontradas em pessoas de espírito elevado. Ao longo do texto, ela faz com que o leitor se torne íntimo de toda uma gama de pessoas que viveram os horrores da II Guerra Mundial. Mas faz isso sem as pretensões de um pesquisador que busca causas e consequências. Em cada página, ela simplesmente vive e sobrevive. Tira das dificuldades a experiência necessária para fortalecer seu espírito, mesmo que para isso seu corpo tenha sido muitas vezes alquebrado pelas adversidades.
A sinceridade é uma das marcas mais pungentes do livro. O amor pelo pai. As dificuldades de relacionamento com a mãe. O distanciamento com a irmã mais velha. A paixão pelo colega de abrigo. As incertezas e o contexto histórico mostram que Anne Frank não era e não se via como uma super-heroína com o ânimo inquebrantável. Na verdade, sua fragilidade era a grande alavanca para sua força.
Os desejos físicos, as contrariedades, a fome, o desconhecimento sobre o próprio corpo e a vontade de aprender, mesmo diante de uma situação aparentemente incontornável, fazem com que aquela menina amadureça antes do tempo e passe a questionar tudo aquilo que lhe incomodava. Ela mesma tinha certeza de que esse perfil comportamental poderia ser-lhe prejudicial. Mas, diante de um incômodo duelo entre as aparências e a essência, ela optou por ser ela mesma.
Quase no final do Diário, deparei-me com uma das melhores páginas sobre Educação Sexual para a juventude. Em poucas palavras, aquela garota com aproximadamente uma década e meia de vida, demonstrou como é importante o diálogo dos adultos com os jovens. Todo de modo elegante, conciso e carregado de ressentimentos.
Valeu a pena ler cada palavra do livro.
Fiquei imaginando sobre a qualidade das obras que brotariam das mãos daquela mocinha que sonhava em ser jornalista e escritora. Mas ela não teve a oportunidade de ter uma vida normal. A ela tudo foi negado, inclusive a vida.
Ao concluir a leitura, resolvi escrever os versos que são reproduzidos abaixo.
ANEXO
(José Neres)
Nem sempre dor, fome e medo têm nome
Às vezes, tornam-se rouco segredo
Que a cada dia nossos sonhos consome
Sem deixar de nos apontar um dedo
Indicando-nos que tudo o que some
Pode fazer parte de louco enredo
Que não controlamos e nos carcome
Em duvidosa paixão e triste medo.
Escondida, a vida dizia: tome
Nota. Transforme a escrita em brinquedo
Mas não pense em um dia ter renome.
Hoje suas palavras são rochedo
E teu diário leva teu nome: Anne!
Voz que desafia o eterno degredo…
Convidados FT Lurdinha Lacroix chega aos 90 imprescindível para História de São Luís
Colunistas FT Leopoldo Vaz: “UM DIA DE CINZAS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA”
Cultura nas PM's Cel. Carlos Furtado destaca o papel da literatura e da cultura na preservação da memória das Polícias Militares
IHGM/UEMA UEMA outorga Doutor Honoris Causa Post Mortem a Antônio Lopes da Cunha, patrono do IHGM
Convidados FT Mais um texto exclusivo do professor JOSÉ CARLOS SANCHES para o Facetubes
Maria José Lima Lançamento do livro BORBOLETAS DE PAPEL, de Maria José Lima (03) Mín. 17° Máx. 32°
Mín. 17° Máx. 25°
ChuvaMín. 15° Máx. 21°
Chuva
Dr. Luis Augusto Guterres Direito, cultura e a responsabilidade de pensar, eis as grandes ferramentas democráticas.
Coluna de RUY PALHANO Dr. Ruy Palhano: “O Corpo pode revelar o que se passa conosco”
Academias Brasil/Exterior Coirmãs A angústia de Nauro Machado: o corpo também participa do poema?
DINO DE ALCÂNTARA Dino de Alcântara: “O GRITO DO PRAZER”. A Humberto de Campos