Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes c/Marcus Saldanha (convidado).
A II Guerra Mundial no Chão do Brasil — Cenas secretas e histórias nunca contadas. Esse é o campo de investigação de Wellington Matos. Em entrevista exclusiva a Marcus Saldanha, o pesquisador são-bentuense, radicado em Minas Gerais, apresenta episódios que aproximam o conflito da experiência histórica do Maranhão.
Publicado em 2026, o livro tem 238 páginas e aborda operações militares, acidentes aéreos, náufragos e questões políticas relacionadas à participação brasileira na guerra. Geógrafo, escritor, pesquisador e compositor, Matos dirige sua atenção aos lugares onde esses acontecimentos deixaram marcas. A proposta anunciada pela obra reúne a dimensão internacional do conflito e suas consequências locais, dando espaço às comunidades que conservaram informações sobre a passagem de militares estrangeiros.
Uma parte desse trabalho ganhou repercussão nacional em julho de 2021, quando foram divulgadas buscas por destroços de um bombardeiro norte-americano B-25 em Humberto de Campos. A reportagem de Diego Emir, produzida para o Estadão e publicada pela CNN Brasil, registrou a participação de Matos e de moradores na investigação.
Segundo a notícia, a aeronave caiu em 1943, durante o percurso entre Belém e Natal, e seus seis ocupantes morreram. Em declaração ao UOL naquele período, Matos explicou como avançou na pesquisa: “Consegui o relatório do acidente e entrevistei os moradores”. Informou também o emprego de GPS, detectores de metal e equipamentos de investigação do fundo aquático. Esse encontro entre documentação, depoimentos e busca material permite compreender o caminho seguido pelo pesquisador. As lembranças transmitidas na região ofereceram indicações que puderam ser confrontadas com registros sobre a aeronave.
Marcus Saldanha, historiador, jornalista e escritor, amplia essa discussão no artigo “Histórias nunca contadas da II Guerra Mundial no Maranhão”, publicado no blog Os Integrantes da Noite. Ao apresentar a pesquisa de Matos, menciona acidentes aéreos, instalações militares, registros de estrangeiros e relatos preservados em municípios maranhenses. Sua leitura chama a atenção para o espaço que essa história pode ocupar no ensino, aproximando os acontecimentos mundiais das paisagens e das experiências conhecidas pelos estudantes.
O episódio do submarino alemão U-164, mencionado na entrevista, pede precisão geográfica. A base histórica especializada uboat.net registra seu afundamento em 6 de janeiro de 1943, a noroeste de Fortaleza, ao largo do Ceará, após ataque de um Catalina da Marinha dos Estados Unidos. O vínculo com o Maranhão aparece no percurso dos sobreviventes. Distinguir o local do ataque do destino dos náufragos permite contar essa história com segurança.
Um relatório da inteligência naval norte-americana, datado de 20 de março de 1943, descreve dois sobreviventes que passaram sete dias em uma balsa até alcançar uma povoação no litoral brasileiro. Recebidos e cuidados pelos moradores, seguiram para São Luís, onde foram entregues à polícia. O documento registra sua transferência para Natal e, posteriormente, para os Estados Unidos. O relato contém uma dimensão humana: em meio à guerra, pessoas da costa prestaram assistência aos náufragos.
Portanto, a contribuição dessa pauta está em reconhecer o Maranhão como lugar de experiências relacionadas à guerra: circulação de aeronaves, perdas humanas, presença militar e acolhimento de sobreviventes. O trabalho apresentado por Wellington Matos e a conversa conduzida por Marcus Saldanha dão visibilidade a esse passado.
Pesquisar seus vestígios, conservar os documentos e ouvir as comunidades são formas de devolver nomes, lugares e circunstâncias a acontecimentos que também pertencem à memória maranhense.
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Fontes: entrevista de Wellington Matos a Marcus Saldanha, conforme os trechos fornecidos e o vídeo indicado; Marcus Saldanha, “Histórias nunca contadas da II Guerra Mundial no Maranhão”, publicado em imagem na seção Textual, em 7 de outubro de 2026; Clube de Autores — ficha e sinopse do livro; UOL, 4 de julho de 2021; CNN Brasil/Estadão, 6 de julho de 2021; uboat.net — U-164; relatório da inteligência naval dos Estados Unidos, de 20 de março de 1943, reproduzido pelo U-boat Archive.
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