Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln
Não há como não ser tentado a resenhar essa performance premiada pela Academia Poética Brasileira. E a vencedora é sempre será essa atriz, poeta, professora e escritora, Linda Barros, Secretária Executiva da APB-Ma.
Aqui, em 'Lágrimas de Chuva', poesia dela, há uma interpretação maiúscula, onde uma mulher submetida ao peso da desilusão e ao isolamento emocional chega ao fim de forma autoinfligida. Seu olhar permanece distante, os lábios contidos, o rosto quase imóvel. Quando leva a mão à face, seu gesto traduz um cansaço que as palavras já não conseguem expressar.
A chuva, os relâmpagos, a janela e a ponte constituem elementos de uma narrativa sobre o sofrimento acumulado. As frases exibidas na tela reforçam a espera, a perda da esperança e a sensação de não encontrar saída. A personagem parece viver aquele estágio da solidão em que o silêncio deixa de proporcionar recolhimento e passa a representar abandono.
A linguagem corporal de Linda, nessa premiada performance, marcada por movimentos discretos e expressões de desalento, sustenta o tom de tristeza da obra e leva diretamente ao pensamento de Friedrich Nietzsche, ao desenvolver o conceito de 'amor fati', com graves e dolorosas experiências.
Essa reflexão permite compreender que o sofrimento faz parte da condição humana, sem transformá-lo em destino inevitável. Charles Baudelaire, em 'As Flores do Mal', também percorreu os territórios da melancolia, especialmente nos poemas reunidos sob o título 'Spleen', nos quais o mundo exterior parece reproduzir a angústia interior.
Agora, em 'Lágrimas de Chuva', essa aproximação encontra expressão na tempestade que acompanha a personagem. A chuva torna-se a representação de uma dor que ela não consegue comunicar. A imagem conduz a uma reflexão sobre quantas pessoas permanecem aparentemente presentes na vida cotidiana enquanto enfrentam, silenciosamente, experiências de perda, rejeição e desamparo.
A mensagem humana que podemos extrair dessa interpretação está na necessidade de reconhecer o sofrimento antes que ele comprometa a capacidade de pedir ajuda. Ninguém precisa enfrentar sozinho aquilo que já ultrapassou suas forças emocionais. A desilusão pode produzir sentimentos de vazio, afastamento e desesperança.
Esses estados merecem escuta, acolhimento e, quando necessário, acompanhamento profissional. Procurar ajuda não significa renunciar à própria autonomia. Significa preservar a possibilidade de reconstruir a vida, restabelecer vínculos e encontrar caminhos que a dor momentaneamente encobriu.
A presença de alguém disposto a ouvir pode representar o início dessa recuperação. Afinal, a tempestade que atravessa uma existência não precisa determinar o seu desfecho.
Bom aproveitar e divulgar o órgão que dá orientação e apoio nesses casos:
a) em situações de sofrimento emocional intenso, é possível procurar atendimento psicológico, serviços de saúde mental do SUS ou o Centro de Valorização da Vida.
b) O telefone do CVV é 188, gratuito e disponível 24 horas.
PERFORMANCE IMPECÁVEL DE LINDA BARROS
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