Prof. Leopoldo Vaz, convidado da Plataforma Nacional do Facetubes
Ao escrever minhas memórias, decidi não me limitar aos fatos, datas e acontecimentos que marcaram minha trajetória. Resolvi também registrar os livros que li na infância, na juventude e na idade adulta, porque eles foram muito mais do que simples companheiros de leitura. De certa forma, ajudaram a moldar a pessoa que me tornei.
A vida de qualquer indivíduo é construída por experiências, encontros, desafios e escolhas. Contudo, há uma influência silenciosa e poderosa que muitas vezes passa despercebida: a leitura. Os livros ampliam nossos horizontes, apresentam realidades que nunca vivemos, colocam-nos diante de dilemas humanos e nos permitem refletir sobre valores, comportamentos e princípios. Por isso, ao recordar minha história, percebo que muitas das minhas convicções nasceram não apenas do que vivi, mas também do que li.
Na infância, os livros despertaram minha imaginação e minha curiosidade. Através deles viajei por lugares distantes, conheci personagens inesquecíveis e descobri que o mundo era muito maior do que o espaço geográfico em que cresci. As narrativas de aventura alimentaram o espírito explorador; os contos e fábulas ensinaram lições sobre honestidade, amizade e respeito. Sem perceber, eu começava a formar uma visão de mundo baseada em valores que encontrava nas páginas dos livros.
Na juventude, a leitura assumiu um papel ainda mais importante. Foi uma época de questionamentos, descobertas e construção da identidade. Os romances, as biografias e as obras de aventura apresentaram exemplos de coragem, perseverança e responsabilidade. Personagens como Dick Sand, de Um Capitão de Quinze Anos, mostraram-me que a maturidade não depende apenas da idade, mas da capacidade de enfrentar desafios e assumir compromissos. Muitos livros que li nesse período influenciaram meu senso de justiça, minha compreensão da condição humana e meu respeito pelas diferenças.
Já na vida adulta, a leitura tornou-se uma ferramenta de aprimoramento intelectual e profissional. Como educador, encontrei nos livros não apenas conhecimento, mas também inspiração para compreender melhor as pessoas e a sociedade. Obras de história, filosofia, literatura e educação ajudaram-me a desenvolver o pensamento crítico, a tolerância e a capacidade de analisar questões sob diferentes perspectivas. Os livros passaram a ser mestres silenciosos que me acompanharam por toda a carreira.
Ao reler minha trajetória, percebo que muitos dos princípios que orientaram minha vida — honestidade, senso de dever, respeito ao próximo, valorização do conhecimento e perseverança diante das dificuldades — foram reforçados pelas leituras realizadas ao longo dos anos. Os livros não substituem a experiência, mas dialogam com ela, iluminando caminhos e oferecendo referências para as escolhas que fazemos.
Por essa razão, considero importante incluir em minhas memórias as obras que li em cada fase da vida. Elas fazem parte da minha formação tanto quanto minha família, meus professores, meus amigos e os lugares por onde passei. Recordar esses livros é também recordar quem fui em cada momento da existência e compreender melhor como me tornei quem sou hoje.
Assim, ao folhear as páginas da minha própria história, encontro não apenas lembranças de acontecimentos, mas também a presença constante dos autores e personagens que me acompanharam ao longo da vida. Eles contribuíram para a construção do meu caráter, para minha maneira de enxergar o mundo e para os valores que procurei cultivar como homem, cidadão e professor. Afinal, algumas pessoas deixam marcas em nossa vida; os bons livros também.
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