JUL LEARDINI (Cinema).*
O nome Sharon Stone ficou muito ligado desde a década de 1990, a filmes onde ela aparecia como uma Femme Fatale e interpretando mulheres misteriosas tanto no cinema e na televisão, ela se tornou um dos símbolos sexuais.
Mas num filme em que ela atuou em 2012, onde ela é a protagonista e também produtora executiva, com roteiro de Don Fiebiger e Amy Kolquist e direção de Gabriela Tagliavini, que tem como título THE MULE, mas também chamado de BORDER RUN, que podemos traduzir como A MULA e CORRIDA NA FRONTEIRA, um thriller de suspense, ela mostra todo seu talento. Um drama denso e complexo, onde ela é uma repórter americana que busca seu irmão desaparecido em meio a um cenário de violência e tráfico de pessoas na famosa fronteira entre os Estados Unidos e o México.
No Brasil este filme tem como título A FRONTEIRA.
Na trama, ela interpreta Sofie Talbert, uma jornalista de direita incisiva que luta contra a imigração ilegal para os Estados Unidos . Ao descobrir que seu irmão no México está desaparecido, ela entra em conflito com suas ideias e parte em busca dele e revela a brutal realidade das pessoas desesperadas que arriscam suas vidas para cruzar a fronteira para os Estados Unidos.
O irmão dela é um assistente social americano que ajuda as pessoas - os mexicanos imigrantes ilegais, a cruzarem a fronteira e realizarem o sonho de viver nos EUA, como se fosse a salvação de suas vidas. Mas o preço é caro: além de terem que pagar alto para os “coiotes” (traficante de pessoas), ainda sofrem violências enormes e muitas vezes são obrigados a levarem no estômago e em outras partes do corpo pacotes de cocaína para serem entregues no outro lado aos traficantes. Se as mulheres estiverem grávidas o sofrimento ser tornará atroz, porque poderão sofrer violências drásticas tentando fazê-las abortarem, o que pode levá-las à morte por hemorragia.
A diretora Gabriela Tragliavini procurou fugir da empatia no filme, deixando os personagens secos, sem vida, duros, talvez querendo realçar a realidade terrível destes episódios - parece que o filme é baseado em histórias reais - mas muitos críticos acham que o filme perde neste sentido a emoção. Mas eu acho que funcionou, porque retrata mais friamente a situação que está presente todos os dias naquela região.
A nível de trilher ou suspense, creio que não é um filme tradicional, porque não busca o sensacionalismo - talvez por ser dirigido por uma mulher - mas a trama do roteiro é bem desenvolvida e algumas reviravoltas (plot-ploints), pontos de virada, etc. são interessantes, especialmente no final.
Border Run recebeu uma indicação para Melhor Longa-Metragem no Imagen Foundation Awards de 2013.
Assista o vídeo no link: https://www.youtube.com/watch?v=Z46ZjWo-T0k
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*Jul Leardini é Cineasta, professor e jornalista
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