Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes
Olaudah Equiano (c. 1745–1797) foi um escritor, marinheiro e ativista abolicionista cujo relato em primeira pessoa se tornou uma das armas mais poderosas contra o comércio transatlântico de escravizados no século XVIII. Ele é considerado a referência literária maior para a literatura negra universal. Nascido na região que hoje corresponde à Nigéria (África Ocidental), ele foi sequestrado ainda criança, escravizado e levado para as Américas. Após anos de trabalho forçado no mar e em plantações, conseguiu comprar sua própria liberdade em 1766. Estabeleceu-se no Reino Unido, onde se transformou em uma figura central do movimento abolicionista britânico. Com ele, a plataforma do Facetubes elencou mais 49 nomes de grande importância para que a literatura negra tivesse o espaço que tem hoje e fosse respeitada nos quatro cantos do Planeta.
A literatura brasileira carrega uma dívida de reconhecimento com os escritores negros que ajudaram a interpretar o país. Maria Firmina dos Reis, Luiz Gama, Machado de Assis, Cruz e Sousa e Lima Barreto enfrentaram uma sociedade que restringia o acesso à educação, à publicação e ao prestígio intelectual. Suas obras expuseram a violência da escravidão, as contradições das elites e os mecanismos de exclusão, ao mesmo tempo que renovaram a linguagem literária. Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e outros autores ampliaram essa trajetória ao colocar experiências negras no centro da narrativa, com memória, pensamento, desejos e voz própria. Reconhecer esses nomes exige compreender sua contribuição para a qualidade e a diversidade da literatura produzida no Brasil.
Os autores africanos, caribenhos, europeus e norte-americanos desta relação oferecem referências para situar a literatura negra brasileira numa história que atravessa fronteiras. Questões como ancestralidade, liberdade, racismo e pertencimento aproximam essas produções, preservadas as particularidades de cada sociedade. As conquistas do Nobel, do Pulitzer, do Camões e do Jabuti dão visibilidade a trajetórias que precisam encontrar espaço nas escolas, bibliotecas, universidades e editoras brasileiras. A seleção a seguir, organizada por ano de nascimento, reúne 50 nomes cuja leitura permite reconhecer a autoria negra na denúncia social, na invenção estética, na reflexão filosófica e na representação dos afetos.
1. Olaudah Equiano — c. 1745–1797 | África Ocidental/Reino Unido
Sua autobiografia, publicada em 1789, transformou a experiência da escravidão em argumento público pela abolição. Descreveu o tráfico atlântico, a violência e a conquista da liberdade, assumindo o controle da própria narrativa. A circulação do livro fortaleceu o movimento abolicionista britânico e confrontou a ideia de inferioridade intelectual dos africanos.
2. Phillis Wheatley — c. 1753–1784 | África Ocidental/Estados Unidos
Sequestrada na infância e escravizada, publicou Poems on Various Subjects, Religious and Moral, em 1773. Tornou-se a primeira mulher negra a publicar um livro de poesia nas colônias que formariam os Estados Unidos. Precisou enfrentar suspeitas sobre a autoria dos próprios versos. Seu domínio literário desafiou os argumentos racistas usados para justificar a escravidão.
3. Alexandre Dumas — 1802–1870 | França
Neto de uma mulher negra escravizada, tornou-se um dos autores mais lidos da literatura francesa. Publicou Os três mosqueteiros em 1844 e iniciou, naquele ano, O conde de Monte Cristo. Em Georges (1843), abordou diretamente o preconceito racial e o mundo colonial. Alvo de ataques racistas, conquistou uma presença duradoura no romance histórico e de aventuras.
4. Frederick Douglass — c. 1818–1895 | Estados Unidos
Em Narrativa da vida de Frederick Douglass (1845), mostrou como a escravidão dependia da violência e da proibição do conhecimento. Sua trajetória de alfabetização e fuga transformou a autobiografia em instrumento abolicionista. Escritor, jornalista e orador, contestou a desumanização dos negros e afirmou a capacidade de pessoas escravizadas interpretarem a própria história.
5. Maria Firmina dos Reis — 1822–1917 | Brasil
A escritora maranhense publicou Úrsula em 1859, marco do romance abolicionista brasileiro e da autoria negra feminina. Conferiu memória, pensamento e dignidade às personagens escravizadas, incluindo a lembrança da liberdade na África. Em A escrava (1887), retomou a denúncia do cativeiro. Sua obra confrontou a escravidão e as barreiras impostas às mulheres na vida intelectual.
6. Luiz Gama — 1830–1882 | Brasil
Em Primeiras trovas burlescas de Getulino (1859), empregou sátira, ironia e afirmação racial para atacar a hipocrisia das elites escravistas. O poema conhecido como “Quem sou eu?” expôs as contradições de uma sociedade mestiça que desprezava os negros. Sua atividade literária e jornalística acompanhou a luta pela liberdade, fazendo da escrita uma forma de intervenção pública.
7. Machado de Assis — 1839–1908 | Brasil
Autor de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1899), transformou o romance brasileiro pela ironia e pela investigação das relações de poder. Em “Pai contra mãe” (1906), expôs a violência cotidiana da escravidão. Cofundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, em 1897, ocupa posição central numa tradição que frequentemente apagou sua identidade negra.
8. Cruz e Sousa — 1861–1898 | Brasil
Filho de pessoas escravizadas, publicou Missal e Broquéis em 1893, obras decisivas para o simbolismo brasileiro. Sua experimentação sonora e imagética enfrentou um ambiente literário marcado pelo racismo. No texto “Emparedado”, incluído em Evocações (1898), denunciou as barreiras raciais impostas ao artista negro e reivindicou liberdade para o pensamento e a criação.
9. W. E. B. Du Bois — 1868–1963 | Estados Unidos
Em As almas do povo negro (1903), combinou ensaio, memória, história e recursos poéticos para investigar a experiência negra após a abolição. A noção de “dupla consciência” descreveu o conflito de enxergar-se também pelos olhos de uma sociedade racista. Sua escrita confrontou a segregação e influenciou gerações de autores, pesquisadores e movimentos de emancipação.
10. Lima Barreto — 1881–1922 | Brasil
Em Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909), denunciou o racismo e os mecanismos de exclusão presentes na imprensa. Triste fim de Policarpo Quaresma, publicado em livro em 1915, questionou o nacionalismo e as instituições republicanas. Sua linguagem aproximou a literatura dos subúrbios, revelando como cor, origem social e prestígio determinavam oportunidades e silenciamentos.
11. Zora Neale Hurston — 1891–1960 | Estados Unidos
Em Seus olhos viam Deus (1937), colocou os desejos, a linguagem e a autonomia de uma mulher negra no centro do romance. Escritora e antropóloga, preservou narrativas orais e práticas culturais afro-americanas em Mules and Men (1935). Sua obra afirmou a complexidade da vida negra e ajudou a romper estereótipos sobre mulheres, comunidades rurais e expressões populares.
12. Langston Hughes — 1901–1967 | Estados Unidos
Uma das vozes do Renascimento do Harlem, incorporou jazz, blues e fala cotidiana à poesia. Em The Weary Blues (1926), afirmou a experiência negra como matéria artística e denunciou a distância entre a promessa democrática e a segregação. Recebeu o Anisfield-Wolf Book Award em 1954. Sua obra abriu espaço para trabalhadores, músicos e moradores dos bairros negros.
13. Nicolás Guillén — 1902–1989 | Cuba
Com Motivos de son (1930) e Sóngoro cosongo (1931), trouxe ritmos, vozes e experiências afro-cubanas para o centro da poesia nacional. Denunciou discriminação racial, exploração e imperialismo, valorizando a presença africana na formação de Cuba. Recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba em 1983, consolidando o reconhecimento de uma obra ligada à igualdade racial.
14. Léopold Sédar Senghor — 1906–2001 | Senegal
Cofundador do movimento da Negritude, afirmou o valor das culturas africanas diante da ideologia colonial. Em Chants d’ombre (1945), reuniu memória, ancestralidade e experiência histórica negra. Sua poesia defendeu a participação africana na cultura universal. Em 1983, tornou-se o primeiro africano eleito para a Academia Francesa, alcançando um espaço de consagração antes inacessível.
15. Solano Trindade — 1908–1974 | Brasil
Fez da poesia um espaço de denúncia da fome, do racismo e da exploração. Em livros como Poemas de uma vida simples (1944), aproximou a palavra escrita das experiências dos trabalhadores e das tradições afro-brasileiras. Cofundou o Teatro Popular Brasileiro em 1950. Sua atuação articulou literatura, cultura popular e organização coletiva, ampliando a presença negra nas artes.
16. Richard Wright — 1908–1960 | Estados Unidos
Em Native Son (1940), investigou como a segregação, o medo e a pobreza condicionavam a existência de um jovem negro. Na autobiografia Black Boy (1945), descreveu sua formação sob a violência racial do sul dos Estados Unidos. Recebeu a Medalha Spingarn em 1941. Sua prosa obrigou leitores a confrontar as estruturas sociais que produziam exclusão e desumanização.
17. Aimé Césaire — 1913–2008 | Martinica
Cofundador da Negritude, publicou Caderno de um retorno ao país natal em 1939, transformando humilhação colonial e memória africana em afirmação poética. Em Discurso sobre o colonialismo (1950), denunciou a violência encoberta pela retórica civilizatória europeia. Sua combinação de poesia, teatro e ensaio influenciou movimentos anticoloniais e a literatura negra internacional.
18. Carolina Maria de Jesus — 1914–1977 | Brasil
Com Quarto de despejo (1960), levou ao público a fome, o racismo e a vida na favela narrados por uma mulher negra que trabalhava como catadora. Seus diários deslocaram o lugar de quem podia escrever e interpretar o Brasil. A repercussão internacional revelou uma autora que também produziu romances, poemas e canções, questionando a exclusão social e os critérios de legitimação literária.
19. Ralph Ellison — 1914–1994 | Estados Unidos
Em Homem invisível (1952), transformou a invisibilidade social do negro em uma das grandes metáforas da literatura moderna. O narrador enfrenta instituições e movimentos que tentam reduzir sua identidade a funções predefinidas. O romance recebeu o National Book Award em 1953. Ellison explorou racismo, individualidade e pertencimento com recursos do jazz, da sátira e do modernismo.
20. Gwendolyn Brooks — 1917–2000 | Estados Unidos
Retratou a vida negra de Chicago com atenção à pobreza, à juventude e às experiências femininas. Com Annie Allen (1949), tornou-se, em 1950, a primeira pessoa negra a receber um Pulitzer, na categoria Poesia. Sua obra mostrou a densidade humana de vidas marginalizadas e aproximou inovação formal e observação social. Também apoiou escritores negros e iniciativas de formação literária.
21. José Craveirinha — 1922–2003 | Moçambique
Em Xigubo (1964), afirmou a identidade moçambicana e denunciou o racismo colonial, incorporando ritmos e referências culturais africanas à língua portuguesa. Sua poesia relacionou corpo, trabalho, memória e resistência. Preso durante o domínio colonial, tornou-se referência da emancipação cultural do país. Recebeu o Prêmio Camões em 1991, sendo o primeiro autor africano distinguido.
22. Ousmane Sembène — 1923–2007 | Senegal
Antes de se firmar no cinema, construiu uma obra literária voltada aos trabalhadores africanos. Em Les Bouts de bois de Dieu (1960), recriou a greve ferroviária de 1947–1948 e destacou a participação das mulheres. Seus romances expuseram o racismo colonial e a exploração econômica, reconhecendo nas comunidades africanas capacidade de organização, pensamento e transformação histórica.
23. James Baldwin — 1924–1987 | Estados Unidos
Em Notas de um filho nativo (1955) e Da próxima vez, o fogo (1963), investigou o racismo como estrutura que deformava relações pessoais e instituições. Seus romances também enfrentaram preconceitos ligados à sexualidade. Recebeu uma bolsa Guggenheim em 1954. Sua escrita reuniu memória, crítica e responsabilidade moral, recusando explicações confortáveis para a desigualdade racial.
24. Frantz Fanon — 1925–1961 | Martinica/Argélia
Em Pele negra, máscaras brancas (1952), analisou como o racismo atravessa a linguagem, o desejo e a percepção de si. Os condenados da terra (1961) examinou a violência colonial e os processos de libertação. Sua contribuição situa-se no ensaio: uma escrita que articulou experiência, filosofia e crítica política, influenciando a literatura e o pensamento anticolonial.
25. Maya Angelou — 1928–2014 | Estados Unidos
Em Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (1969), transformou infância, violência e racismo em uma autobiografia centrada na recuperação da voz. Sua poesia afirmou dignidade e resistência, especialmente das mulheres negras. Recebeu três Grammys por gravações de palavra falada e a Medalha Presidencial da Liberdade em 2011, ampliando o alcance público de sua escrita.
26. Mariama Bâ — 1929–1981 | Senegal
Em Une si longue lettre (1979), utilizou a forma epistolar para discutir casamento, poligamia, educação e autonomia feminina no Senegal. As personagens pensam suas condições e reivindicam participação nas decisões sobre a própria vida. A obra recebeu o primeiro Prêmio Noma, em 1980. Bâ tornou a experiência das mulheres africanas uma referência para a literatura e o debate sobre igualdade.
27. Derek Walcott — 1930–2017 | Santa Lúcia
Em Omeros (1990), aproximou a tradição épica da vida de pescadores caribenhos, incorporando a memória da escravidão e do colonialismo. Sua poesia deu dimensão universal às paisagens, às línguas e aos conflitos das Antilhas. Recebeu o Nobel de Literatura em 1992 e o Prêmio T. S. Eliot de 2010, afirmando a centralidade da experiência caribenha na literatura mundial.
28. Chinua Achebe — 1930–2013 | Nigéria
Com O mundo se despedaça (1958), apresentou a sociedade igbo a partir de sua organização, seus conflitos e suas tradições, enfrentando representações coloniais da África. Como ensaísta, criticou o racismo presente no cânone europeu. Recebeu o Man Booker International em 2007 pelo conjunto da obra. Sua ficção mudou o lugar de quem narrava e interpretava a experiência africana.
29. Toni Morrison — 1931–2019 | Estados Unidos
Em O olho mais azul (1970), investigou a violência dos padrões raciais de beleza. Em Amada (1987), recriou as marcas da escravidão sobre a memória e a maternidade. Recebeu o Pulitzer em 1988 e tornou-se a primeira mulher negra laureada com o Nobel de Literatura, em 1993. Sua obra colocou a interioridade das personagens negras no centro da criação literária.
30. Maryse Condé — 1934–2024 | Guadalupe/França
Em Ségou (1984–1985) e Eu, Tituba, bruxa negra de Salem (1986), examinou escravidão, colonialismo e diáspora, recuperando perspectivas femininas apagadas dos registros históricos. Recebeu o Prêmio da Nova Academia de Literatura em 2018, distinção independente frequentemente chamada de “Nobel alternativo”. Sua ficção questionou hierarquias raciais e simplificações sobre a identidade negra.
31. Audre Lorde — 1934–1992 | Estados Unidos
Poeta e ensaísta, articulou racismo, sexismo e homofobia como formas de opressão que atravessam a experiência humana. Em Zami (1982) e Irmã outsider (1984), explorou memória, diferença e construção da voz. Recebeu o American Book Award em 1989, por A Burst of Light. Sua escrita transformou experiências de mulheres negras e lésbicas em fontes de conhecimento e criação.
32. Wole Soyinka — nascido em 1934 | Nigéria
Dramaturgo, poeta e ensaísta, aproximou tradições iorubás de formas modernas do teatro. Em A morte e o cavaleiro do rei (1975), examinou conflitos culturais e a interferência colonial. Preso durante a guerra civil nigeriana, escreveu sobre repressão e liberdade. Em 1986, tornou-se o primeiro africano negro a receber o Nobel de Literatura, rompendo uma barreira de reconhecimento internacional.
33. Bessie Head — 1937–1986 | África do Sul/Botsuana
Nascida na África do Sul e exilada em Botsuana, investigou os efeitos do racismo, do deslocamento e da exclusão sobre a vida interior. Em When Rain Clouds Gather (1968) e A Question of Power (1973), construiu personagens que buscam pertencimento e autonomia. Sua literatura enfrentou classificações raciais e hierarquias sociais, atribuindo complexidade às comunidades e às mulheres africanas.
34. Nagugi wa Thiong’o — 1938–2025 | Quênia
Em Um grão de trigo (1967), examinou a luta anticolonial e seus dilemas. Em Decolonising the Mind (1986), defendeu as línguas africanas como instrumentos de criação e liberdade cultural. Passou a escrever ficção em gikuyu, enfrentando a hierarquia que privilegiava idiomas europeus. Recebeu o Prêmio Internacional Nonino em 2001 e influenciou o debate sobre literatura e descolonização.
35. Alice Walker — nascida em 1944 | Estados Unidos
Em A cor púrpura (1982), acompanhou a construção da autonomia de mulheres negras submetidas ao racismo, à pobreza e à violência doméstica. O romance recebeu o Pulitzer e o National Book Award em 1983. Walker também contribuiu para recuperar a obra de Zora Neale Hurston. Sua ficção tornou a solidariedade feminina e a conquista da palavra elementos centrais da emancipação.
36. August Wilson — 1945–2005 | Estados Unidos
Construiu um ciclo de dez peças sobre a experiência afro-americana ao longo do século XX. Seus personagens enfrentam discriminação no trabalho, conflitos familiares e disputas pela memória. Recebeu o Pulitzer de Teatro por Fences, em 1987, e The Piano Lesson, em 1990. Sua dramaturgia ampliou o espaço da história negra nos palcos, com personagens dotados de linguagem e projetos próprios.
37. Conceição Evaristo — nascida em 1946 | Brasil
Em Ponciá Vicêncio (2003) e Olhos d’água (2014), reuniu memória, ancestralidade e experiências de mulheres negras. Formulou a “escrevivência”, relacionando criação literária e vida social. Olhos d’água recebeu o terceiro lugar em Contos e Crônicas no Jabuti de 2015. Sua obra enfrentou o apagamento da autoria negra e ampliou a representação da intimidade, da violência e dos afetos.
38. Octavia E. Butler — 1947–2006 | Estados Unidos
Em Kindred (1979), utilizou a viagem no tempo para confrontar uma mulher negra contemporânea com a escravidão. Em A parábola do semeador (1993), relacionou desigualdade, colapso social e construção comunitária. Recebeu prêmios Hugo e Nebula e uma bolsa MacArthur em 1995. Sua obra abriu caminhos para protagonistas negras e discussões raciais na ficção científica.
39. Abdulrazak Gurnah — nascido em 1948 | Zanzibar/Tanzânia/Reino Unido
Em Paraíso (1994), À beira-mar (2001) e Sobrevidas (2020), investigou colonialismo, migração e desenraizamento na África Oriental. Suas personagens expõem as consequências humanas de fronteiras, guerras e hierarquias raciais. Recebeu o Nobel de Literatura em 2021, pelo tratamento dos efeitos do colonialismo e do destino dos refugiados entre culturas e continentes.
40. Cuti — nascido em 1951 | Brasil
Luiz Silva, conhecido como Cuti, participou da criação de Cadernos Negros, em 1978, e da fundação do Quilombhoje. Em poesia, contos e ensaios, enfrentou o racismo presente na linguagem e nas instituições literárias. Literatura negro-brasileira (2010) discutiu autoria e representação. Sua atuação abriu meios de publicação e circulação para escritores negros excluídos do mercado editorial.
41. bell hooks — 1952–2021 | Estados Unidos
Em E eu não sou uma mulher? (1981), analisou a articulação entre racismo e sexismo na história das mulheres negras. Seus ensaios sobre educação, cultura e amor aproximaram reflexão crítica e experiência cotidiana. Com uma escrita acessível, questionou imagens estereotipadas e mecanismos de dominação. Sua obra ampliou o público do pensamento feminista negro e influenciou a crítica literária.
42. Paulina Chiziane — nascida em 1955 | Moçambique
Primeira mulher moçambicana a publicar um romance, estreou com Balada de amor ao vento (1990). Em Niketche (2002), discutiu poligamia, poder e solidariedade feminina. Recebeu o Prêmio José Craveirinha em 2003 e o Camões em 2021, tornando-se a primeira mulher africana distinguida com este último. Sua escrita confronta o racismo colonial e a subordinação das mulheres.
43. Ben Okri — nascido em 1959 | Nigéria/Reino Unido
Em A estrada da fome (1991), construiu a narrativa de uma criança-espírito entre o mundo visível e o invisível, relacionando pobreza, violência e tradição africana. Tornou-se o primeiro escritor negro a vencer o Booker Prize, em 1991. Sua ficção afirmou outras formas de compreender a realidade e ampliou a presença das cosmologias africanas no romance de circulação internacional.
44. Bernardine Evaristo — nascida em 1959 | Reino Unido
Em Garota, mulher, outras (2019), reuniu trajetórias de personagens majoritariamente negras, explorando gerações, sexualidades e desigualdades na sociedade britânica. Tornou-se a primeira mulher negra a vencer o Booker Prize, em 2019, compartilhado naquele ano com Margaret Atwood. Sua experimentação entre prosa e poesia amplia a representação da vida negra e contesta seu apagamento histórico.
45. Ana Maria Gonçalves — nascida em 1965 | Brasil
Em Um defeito de cor (2006), reconstruiu o século XIX pela perspectiva de Kehinde, africana escravizada que luta por liberdade e reencontro familiar. O romance recebeu o Prêmio Casa de las Américas em 2007. Ao articular pesquisa e ficção, colocou uma mulher negra no centro da interpretação histórica do Brasil, recuperando vínculos atlânticos, estratégias de resistência e experiências de autonomia.
46. Cidinha da Silva — nascida em 1967 | Brasil
Em contos, crônicas e livros infantis, examina o racismo cotidiano e valoriza a ancestralidade e os afetos negros. Um Exu em Nova York (2018) recebeu o Prêmio Clarice Lispector da Biblioteca Nacional em 2019. Sua ficção incorpora referências afro-brasileiras e enfrenta a intolerância religiosa, ampliando as formas de representar personagens negras e suas experiências contemporâneas.
47. Colson Whitehead — nascido em 1969 | Estados Unidos
Em The Underground Railroad (2016), recriou a fuga da escravidão por meio de uma ferrovia literal e subterrânea. Em O reformatório Nickel (2019), investigou a violência institucional contra jovens negros. Recebeu o Pulitzer de Ficção em 2017 e 2020. Seus romances aproximam invenção e história para revelar a continuidade de práticas racistas nas instituições norte-americanas.
48. Edwidge Danticat — nascida em 1969 | Haiti/Estados Unidos
Em Breath, Eyes, Memory (1994) e The Farming of Bones (1998), abordou memória, migração e violência contra haitianos. Sua escrita recupera experiências familiares e coletivas atravessadas por racismo e deslocamento. Recebeu o American Book Award em 1999 e o Prêmio Neustadt em 2018. Seus livros contestam imagens simplificadoras do Haiti e afirmam a humanidade de seus emigrantes.
49. Chimamanda Ngozi Adichie — nascida em 1977 | Nigéria
Em Meio sol amarelo (2006), revisitou a guerra de Biafra; em Americanah (2013), investigou racismo, migração e identidade. Recebeu o Orange Prize em 2007 e o National Book Critics Circle Award de Ficção de 2013. Sua obra e sua reflexão sobre o “perigo de uma história única” questionam estereótipos que reduzem povos africanos e mulheres a experiências uniformes.
50. Itamar Vieira Junior — nascido em 1979 | Brasil
Em Torto arado, acompanhou duas irmãs de uma comunidade rural negra, relacionando trabalho, terra, ancestralidade e permanências da escravidão. O romance recebeu o Prêmio LeYa em 2018, antes da publicação brasileira de 2019, e os prêmios Jabuti e Oceanos em 2020. Sua narrativa ampliou a presença de trabalhadores rurais negros e de seus saberes no debate literário nacional.
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Fontes e referências
Equipe de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Academia Brasileira de Letras: perfis de Machado de Assis e Ana Maria Gonçalves. Prêmio Pulitzer: registros de Gwendolyn Brooks, Alice Walker, August Wilson — 1987, August Wilson — 1990, Colson Whitehead — 2017 e Colson Whitehead — 2020. Fundação Booker: perfis de Chinua Achebe e Ben Okri. Fundação Nobel: Abdulrazak Gurnah — Nobel de Literatura de 2021. Smithsonian National Portrait Gallery: Toni Morrison, 1931–2019. Verbetes biográficos e respectivas bibliografias consultados na Wikipédia: Olaudah Equiano, Phillis Wheatley, Alexandre Dumas, Frederick Douglass, Maria Firmina dos Reis, Luiz Gama, Cruz e Sousa, W. E. B. Du Bois, Lima Barreto, Zora Neale Hurston, Langston Hughes, Nicolás Guillén, Léopold Sédar Senghor, Solano Trindade, Richard Wright, Aimé Césaire, Carolina Maria de Jesus, Ralph Ellison, José Craveirinha, Ousmane Sembène, James Baldwin, Frantz Fanon, Maya Angelou, Mariama Bâ, Derek Walcott, Toni Morrison, Maryse Condé, Audre Lorde, Wole Soyinka, Bessie Head, NgÅ©gÄ© wa Thiong’o, Alice Walker, August Wilson, Conceição Evaristo, Octavia E. Butler, Cuti, bell hooks, Paulina Chiziane, Bernardine Evaristo, Cidinha da Silva, Edwidge Danticat, Chimamanda Ngozi Adichie e Itamar Vieira Junior.
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