Editoria de Literatura, Arte e Música da Plataforma Nacional do Facetubes
O concurso nasceu de edital lançado pela Sociedade Recreativa Favela do Samba para a escolha de seu hino oficial de 2027. O enredo, criado pelo carnavalesco Pedro Padilha, recebeu o título “GAMAR: O Mágico Semear de Artes, Sonhos e Transformações” e constrói sua narrativa a partir da imagem da semente, do semeador e do terreno fértil. O documento abriu a participação a compositores da comunidade, do Maranhão e de outras regiões do país.
Cinco propostas foram inscritas inicialmente. Entraram na disputa Carlos Boniek e Josiel Costa; Dominguinhos Lopes, Vilmar de Oliveira e Quirino Santos; Gilmar Pereira e Zeca Melo; José de Ribamar Viana Filho, o Pimba; e Claudio Patriarca e Ademar Carneiro. Quatro grupos de compositores são da Região Metropolitana de São Luís e um veio de Belém, no Pará. A primeira etapa ocorreu no sábado, 19 de setembro.
O regulamento estabelece três pontos para a avaliação das composições: adequação da letra à narrativa do enredo, construção melódica e capacidade de comunicação com os componentes da escola. A melodia precisa dialogar com a bateria e permitir o canto coletivo. O samba também será observado pela capacidade de sustentar a participação dos integrantes durante os ensaios, a concentração e o desfile.
A escolha vai além da definição de uma música para a avenida. O enredo transforma em narrativa carnavalesca a trajetória do GAMAR e sua relação com arte, educação e comunidade. A sinopse parte de referências à poesia, ao teatro e à dança, atravessa diferentes tradições culturais e conduz essa construção até São Luís, a Cidade Operária e a Escola Estadual Maria José Aragão. É nesse ponto que a história assume dimensão local e passa a acompanhar jovens alcançados pelo trabalho artístico e educacional desenvolvido pelo grupo.
Mestre Wilson Chagas ocupa posição central nessa narrativa. A sinopse o apresenta como agente de um processo que utilizou arte e conhecimento para criar perspectivas entre jovens, aproximando-os da educação, do ensino superior, das carreiras profissionais e da participação comunitária. O GAMAR aparece como resultado dessa construção, presente na poesia, na dança, no teatro, nos festejos juninos, na Afroarte, no Carnaval e na memória de seus integrantes.
A aproximação entre GAMAR e Favela do Samba também vem de outros carnavais. Segundo o presidente da escola, Euclides Moreira Neto, a atuação do grupo no meio comunitário e sua participação em trabalhos ligados à agremiação desde 2001 ajudaram a definir a escolha do tema. A proposta já havia aparecido entre as cinco mais indicadas em consulta pública anterior, que reuniu 42 sugestões de enredo.
Neste sábado, a narrativa escrita por Pedro Padilha começa a ganhar sua voz definitiva. O samba escolhido terá a responsabilidade de transformar essa memória em letra, melodia e ritmo para milhares de vozes durante o Carnaval de São Luís de 2027. A decisão na quadra da Favela do Samba marca o ponto em que uma história construída na escola, na comunidade e nos espaços de formação cultural passa a seguir em direção à avenida.
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