Editoria de Litertura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln
O poema começa no território íntimo — “A força adentrou o meu ser” — e aos poucos amplia esse sentimento para alcançar mulheres que trabalham, estudam, cuidam dos filhos, administram a casa, enfrentam dificuldades e seguem construindo seus caminhos. A voz poética deixa de falar apenas de si e passa a representar uma experiência compartilhada.
Essa passagem do “eu” para o “nós” sustenta uma das dimensões filosóficas do poema. A existência humana aparece ligada ao outro. A mulher reconhece sua própria força quando percebe que carrega histórias anteriores à sua. Débora, Jael, Ana, Abigail, Ester e Maria surgem como referências bíblicas de coragem, decisão, resistência, fé e sofrimento. Fernanda utiliza essas figuras como parte de uma genealogia simbólica. O passado entra no poema para dialogar com mulheres do presente.
A dimensão social ganha maior peso quando o texto abandona a descrição da rotina e entra no espaço da violência doméstica. A expressão “sepultadas vivas” concentra uma das imagens mais significativas do poema. Não se trata apenas da violência física. O verso alcança mulheres submetidas ao medo, ao isolamento, à dependência emocional e ao silêncio dentro da própria casa. A imagem do sepultamento representa uma existência reduzida antes da morte física, quando a pessoa perde espaço, autonomia e voz.
Outro ponto importante está na crítica à utilização da palavra amor para justificar relações marcadas pela agressão. Fernanda estabelece uma fronteira clara ao escrever: “O amor não humilha / o amor não ameaça, / não fere, / não te mata.” A sequência funciona pela simplicidade. Não há construção metafórica complexa nesse momento. Há uma afirmação ética. O poema define o amor pelo respeito e recusa qualquer tentativa de apresentar violência, controle ou ameaça como parte de uma relação afetiva.
O silêncio também ocupa lugar central. Mulheres que “aprendem a silenciar para sobreviver dentro do próprio lar” revelam uma contradição social profunda: o espaço associado à proteção pode transformar-se em lugar de medo. O poema registra essa realidade e desloca a mulher da posição de vítima permanente para a possibilidade de decisão. Quando surge o chamado “te levanta”, a poesia assume a função de convocação. A liberdade passa a ser apresentada como retomada da própria voz.
Fernanda Pereira Nery da Silva escreve com linguagem acessível e mantém uma ligação constante entre fé, experiência feminina e realidade social. Seu mérito está principalmente na construção de imagens capazes de comunicar situações reconhecíveis sem afastar o leitor. A força mencionada no título não aparece como ausência de sofrimento. Ela nasce da consciência, da memória, da resistência e da capacidade de interromper ciclos que transformam afeto em prisão.
“A minha força” termina reafirmando dignidade, respeito e direito à própria existência. A mulher apresentada no poema não precisa corresponder à ideia de perfeição. Ela precisa reconhecer seu valor, sua história e sua possibilidade de escolha. Nesse ponto, a poesia de Fernanda alcança seu núcleo filosófico: força não significa suportar tudo. Em determinadas circunstâncias, força significa reconhecer o limite, recuperar a voz e dizer não.
Parabéns a conidada Fernanda Pereira Nery da Silva. Seja bem-vinda, sempre!
A POESIA
Fernanda Pereira Nery da Silva, advogada, professora, poeta e escritora
A minha força
A força adentrou o meu ser
e fez morada de vez em meu coração.
É a força de tantas mulheres de olhos tristes e sorrisão
Que transformam choros,
luta em gratidão e realização.
De joelhos no chão quando sussurro que não dá mais
renovo as energias.
Com a herança de Débora, Jael, Ana e Abigail
que me traz coragem, ousadia, perseverança e diplomacia.
É a força de mulheres que trabalham e estudam,
que são mães, abrigo e proteção;
enfrentam as batalhas do mundo durante o dia
e, em casa, continuam sua grande missão.
E quando a calada da noite chega a acariciar,
o descanso ainda precisa esperar:
há uma casa pedindo cuidado, há filhos para colher e amar
há cadernos e sonhos para alcançar.
Nos olhos, carregam a leveza do luar;
nos braços, a força do Leão da tribo de Judá;
no coração, a inocência da criança
que acredita na vida por inteira transformar.
Sendo sepultadas vivas,
eu ontem encontrei vidas
que carregam histórias de dor.
Que riem com perfeição
na sua escuridão, a maquiagem da opressão.
Mulheres que foram sepultadas antes mesmo de desfalecer,
que vivem com medo, aprisionadas no universo de amor.
Amor, que amor?
Se aquilo que chamas de amor
é justamente o que lhe causam dor!
Aquele que te agride, te fere,
e te implora perdão
promete joias e flores
mas deixa feridas em teu coração.
Mulheres que aprendem a silenciar
Para sobreviver dentro do próprio lar,
Não!
Diga com convecção.
Quantas Ester ainda precisam de coragem?
Quantas Débora precisam se levantar?
Quantas Marias choram em silencio,
sem encontrar forças para gritar?
Não, definitivamente diga não!
olhem-se no reflexo e se perguntem:
ainda tem histórias para acreditar?
Não, definitivamente não.
O amor não humilha
o amor não ameaça,
não fere,
não te mata.
Mulher, tu tens uma força adormecida,
que se disfarça as correntes.
Te levanta, que teu grito encare a tua voz,
há liberdade encarando a tua decisão.
Tu nasceste para ser amada
para ser respeitada.
Não precisam fazer tudo com perfeição,
pois já extraordinárias são.
Pois ser mulher, é trazer no peito
a força, a coragem, a esperança e amor.
Mhario Lincoln é editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes
BANDAS BANDA APOLLO 3 COMPLETA TRÊS ANOS DE FORMAÇÃO
EXCLUSIVO Euclides Moreira Neto: “DESFILE DO DIA DA RAÇA E O 7 DE SETEMBRO”
Espeiciais A imigração japonesa ao Maranhão trouxe a paixão pelo “beisebol”
Dia do advogado O ADVOGADO GONÇALVES DIAS – por Sergio Tamer
SOAMAR MA Luiz Augusto Guterres: “SOAMAR, a Confraria Azul.”
RESENHAS O universo lírico da poeta Joizacawpy Costa: “CORES, LUZES E UNIVERSO” Mín. 8° Máx. 12°
Mín. 9° Máx. 16°
Tempo nubladoMín. 11° Máx. 25°
Tempo limpo
Renata Barcellos ESPECIAL: “Pessoa com Deficiência nas literaturas”, por Renata Barcellos
Dr. Luis Augusto Guterres Luis Augusto Guterres. Advogado: “JORNALISTA PRECISA DE DIPLOMA?”
Coronel Carlos Furtado Cel Carlos Furtado (AMCLAM): “Abertura da 19ª FELIS”
Coluna SILVÂNIA TAMER, Literatura, arte e eventos O livro importante que convida: “Vamos Passear em São Luís?”, de Iracilda Moura Fé Lima