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Especial de hoje: Textos escolhidos de Edmilson Sanches sobre o poeta NAURO MACHADO.

05/12/2020 11h34
Por: Mhario Lincoln

Textos escolhidos: Edmilson Sanches resenha o poeta NAURO MACHADO

 

---> "[...] o mundo restará o mesmo sem minha quota de angústia e sem minha parcela de nada".

 

Há cinco anos, em 28/11/2015, a Poesia maranhense e universal perdeu um Poeta maranhense e universal. Na madrugada daquele dia, um sábado, Nauro Diniz Machado morreu.

Edmilson Sanches

Por mais que digam que poetas não morrem, isso é só... uma liberdade poética. Poetas morrem, sim, embora possa não morrer a poesia de cada um, poesia que, contrariamente, pode até se tornar mais vívida e vivida.

Nauro Machado havia completado em 2015 seus exatos 80 anos de nascimento (em São Luís, dia 02 de agosto de 1935). Se sua poesia era universal, o poeta era provinciano, isto é, gostava de ficar, de permanecer em sua cidade natal, dela só se afastando para raras incursões fora do estado.

Desde a década de 1970 que conheço Nauro. Conheci-o por intermédio do jornalista e escritor teresinense-caxiense Vítor Gonçalves Neto: eu escrevia, adolescente, uma página literária no jornal "O Pioneiro", de Caxias, dirigido pelo Vítor (falecido há 31 anos, em 1989).  

Em Caxias, Imperatriz e São Luís reencontrei Nauro Machado em momentos fortuitos. Apenas uma vez combinamos um encontro, um almoço, momento que juntos partilhamos em Imperatriz.

Tenho e mantenho dele boa imagem como pessoa, agradável e sem "intelectualismos" nas conversas que (man)tivemos, bem humorado, apesar da gravidade do rosto nas fotos. Chego a dizer que, pelo menos nos momentos comuns que dividimos, Nauro Machado era um sujeito muito simples. Claro que, aqui e acolá, se a conversa descambava para algo mais, digamos, sofisticado em termos de Literatura, ali estava o literato à altura. Sua obra, então, nem se fala: mentes mais competentes dela já falaram e vêm falando, analisando, avaliando... com as melhores notas. Se Nauro era ou parecia ser um sujeito comum, sua obra, não.

Nauro, filho de "seu" Torquato e dona Maria de Lourdes, marido de Arlete (escritora de ótimas obras), homem versado nas Artes e na Filosofia, partiu há cinco anos para o desvelamento do mistério pós-morte.

Em verso não metrificado, Nauro media-se a si mesmo, ao dizer que estava ocupando...

... "o espaço que não é meu, mas do universo",...

..."espaço do tamanho do meu corpo aqui, enchendo inúteis quilos de um metro e setenta e dois centímetros [...]".

Nesse poema "do ofício", Nauro menciona aqueles que o...

..."mandam pro inferno, se inferno houvesse pior que este inumano existir burocrático".

Também ouve ou identifica "o escárnio da minha província" e vaticina (pois que é um vate...) que...

..."o mundo restará o mesmo sem minha quota de angústia e sem minha parcela de nada".

Liberdades poéticas e sensibilidades literárias à parte, claro que Nauro Machado era, com Ferreira Gullar e José Salgado Maranhão, a grande referência maranhense contemporânea além-Maranhão na difícil arte da grande "ars poetica".

Claro que seu espaço ia além, muito além, dos autocentimetrados 172 centímetros.

Claro que o inferno não é uma escolha nem lugar para onde se mande, se ele existir  -- como o verso nauriano se permitiu duvidar.

Claro que não há escárnio -- só ex-carne.

E claro que o mundo e a Vida continuarão sem Nauro -- pois é do mundo e da Vida continuarem, ainda que sem um ser que sabia observá-los,...

...sabia absorvê-los...

...e sabia (re)pintá-los com originais pinceladas de letras.

 

EDMILSON SANCHES

[email protected]

OPINIÕES (novembro/2018)

"Nauro Machado, um gênio da poesia brasileira. O texto ficou excelente, Sanches." (PAULO RODRIGUES, professor e poeta caxiense, residente em Santa Inês - MA, 1º presidente da Academia de Letras de Santa Inês).

*

"Texto excelente e, como sempre, merecida, atenta lembrança e oportuno registro do valor de honoráveis personagens da vida e história da nossa terra." (NESTOR ARAUJO MORAIS VIEIRA, advogado maranhense, residente em Boa Vista - RR).

*

"O Maranhão da nossa poesia referencial pode muito bem ser batizado de NAURANHÃO. Um poeta imenso." (CARVALHO JUNIOR, professor, gestor escolar, poeta e ativista cultural maranhense, de Caxias).

*

"Perdi um irmão, e o Maranhão, o seu maior poeta do século XX". "Edmilson Sanches, Nauro, filho de Torquato e Maria, marido de Arlete e pai de Fred [o grande cineasta]". (FERNANDO BRAGA, advogado e escritor maranhense, residente em Brasília - DF).

 

Abaixo, foto: O poeta maranhense Nauro Machado.

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