A história da foto: Rayssa Fernanda
* Roger Dageerre (Convidado)
Era uma vez uma garota apaixonada que marcou um encontro com seu namorado no Projeto Reviver. Chegou cedo, encostou-se no poste de iluminação pública, bem relaxada, com a perna esquerda apoiada na base de sustentação do poste e a mão esquerda na cintura, fazendo pose como se estivesse pronta para uma foto.
Na verdade, Rayssa tinha a sua frente um cenário privilegiado, pois a maré estava cheia e ela conseguia ver os pingos d’água do mar esbarrando no muro de proteção. Também podia olhar os ônibus que transitavam na avenida e ainda conseguia identificar alguns colegas que passavam por ali. Os turistas, que caminhavam passando dos dois lados, ficavam apreciando o jeito meigo, o sorriso de boneca e o olhar inocente daquela morena apaixonada.
Ela permanecia ali com a mesma pose e em momento algum chegou a acreditar que o seu namorado não viria, e nem era hora de preocupar-se com isso, até porque não estava ainda no horário combinado. Ela não cansava, mantinha a mesma postura e não parecia tensa, pelo contrário, estava bem tranquila. Naquele momento, estavam passando os integrantes de um grupo de “Tambor de Crioula”, uma dança de origem africana, dos descendentes dos africanos escravizados no Maranhão, em louvor a São Benedito.
O grupo passou cumprimentando Rayssa, que simplesmente retribuiu, distribuindo sorrisos. Sabia que a dança era alegre e muita descontraída, mas optou por ficar ali olhando para frente. Estava tão concentrada que nem percebeu que a rua estava decorada com bandeirinhas coloridas, tal como na época das festas juninas, com lojas com manequins na porta exibindo roupas tradicionais para festas populares. Continuava ali encostada no poste, deixando escapulir o seu encantador sorriso.
Pouco depois, percebeu que o sol já estava se pondo. Mais um espetáculo da natureza, pois os raios rasantes atingiam as águas do mar, como um voo de borboletas voltando do infinito. Um mistura de reflexo solar com o azul do mar. Isso foi o suficiente para distraí-la, a ponto de fazê-la não perceber os galanteios dos turistas persistentes. O sol não demorou a desaparecer e, quando estava escurecendo, logo começou a surgir a claridade da encantadora lua cheia. Ainda não estava perceptível por completo, porque vinha lentamente por trás dos casarões tombados pelo Patrimônio Histórico, mas já exibia uma beleza invejável. Um espetáculo que Rayssa não estava apreciando, porque continuava olhando para o mar como se o seu namorado fosse chegar embarcado num veleiro bonito e gigantesco.
Rayssa não quis olhar pra trás, sabia que ficaria na dúvida para descobrir quem mais se destacava: a estrela Sol, a bravura do mar ou o satélite Lua. Eu, sinceramente, acho que se ela olhasse para trás escolheria a lua, porque, naquele momento, não teria mais olhos para mais nada; com certeza ficaria hipnotizada com a proximidade da lua cheia. Acredito até que se o namorado dela aparecesse, naquele exato momento, com certeza ela nem perceberia. Permanecia encostada no poste, até a sua mão esquerda continuava na cintura, mas o olhar penetrante era exclusivamente para a beleza do imenso mar e se ela ousasse olhar pra trás, se depararia com uma rara beleza natural. Sorte dela que o rapaz não chegou a tempo de flagrá-la sendo conquistada pelo mar, pelo pôr do sol e com possibilidade de ser apreciada pelo encanto da lua cheia...

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