
Capítulo 9
FLORES PARA ADORNAR VIDAS
Do Livro: "Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira – Vice-Presidente da APB
Pelos oceanos
Tempestuosos da vida
Navegue sempre pensando
Em adornar seu diuturno
Com flores, não importando a cor.
Elas enfeitarão seu jardim da Felicidade
A sensibilidade do homem murcha cada dia mais. Há poucos dias, conversando com uma jovem mãe, já presenteada por Deus com uma filha, que conta com apenas 14 anos de idade, disse-me aquela senhora com uma pontada de orgulho na voz:
-Vive-se um momento de muitas alegrias na sociedade. O avanço social foi tão grande que hoje não se precisa escrever carta para ninguém.
O Facebook, o WhatsApp, o Instagram, e outros, conhecidos como “redes sociais”, nos permitem uma comunicação instantânea para qualquer parte do mundo, utilizando-se apenas uma meia dúzia de palavras.
-Assim não se permite mais comunicação com alguém, por meio de cartas.
-O mundo atual, concluiu a jovem mãe, não permite mais comunicação em que se perde muito tempo a ler longas missivas, cartões postais, telegramas, etc. Presentes hoje em dia de um jovem para uma jovem, não se entendem mais como cabíveis, se constarem apenas, de buquê de flores.
-“Se namorado de filha minha vier oferecer flores para ela, está fora do contexto da realidade da comunicação atual, e entendo ser ele um namorado antiquado”.
Eu, ironizando, perguntei a essa senhora se desejava que sua filha recebesse um machado de pedra ou ainda uma lança, dos tempos primitivos.
-E ela retrucou que desejava para a filha, um celular, pois seria mais útil do que buquê de flores
Foi aí que comecei a pensar na grosseria do mundo em que vivemos.
Realmente só se fala em telefone celular, tablete, computador, notebook, e outros eletrônicos.
Participei certa feita das comemorações do festivo aniversário de um médico amigo, figura humana de valor inigualável.
Nobre exemplo de homem íntegro, que a despeito da sua avançada idade, ainda hoje nos dá exemplo de vida.
Salão de festas, com mesas adornadas de flores, cercado de parentes e amigos, todos seus admiradores, foram lhe parabenizar pela data natalícia.
O adorno das flores nas mesas, mas parecia que estávamos a participar de uma festa de noivado, tão belas estavam. Nessa festa, uma neta do aniversariante, coincidentemente, em homenagem ao avô, foi pedida em casamento.
Era noite de muita alegria, onde predominava a solidariedade para com o ilustre aniversariante e sua neta que noivara. Foi nessa ocasião, que presenciei dois fatos que pela falta de sensibilidade das jovens, chamou-me a atenção.
Um animado jovem, bem-apessoado, entregou a certa jovem, uma solitária rosa vermelha, acrescentando que de há muito desejava presenteá-la com uma flor.
Vi a moça receber a flor e dizer ao jovem galanteador “obrigada” (felizmente fez um agradecimento). Em seguida, jogou a flor em uma lixeira, retirando-se.
Depois de alguns minutos o mesmo jovem entregou à outra senhorita, uma rosa branca, e esta não se dignou nem lhe dizer “obrigada”. Simplesmente recebeu a rosa com indiferença que ali ficou esquecida. Não valorizou o gesto tão delicado do jovem.
Em seguida virou-se, tomou um copo de refrigerante, e entreteve-se com o uso do seu celular, sem interagir com ninguém à mesa. Recebeu o presente e o ignorou.
Lamentavelmente, hoje as pessoas estão se comportando de maneira tão insensível que não reconhecem gestos nobres e que por delicadeza devem ser observados.
O jovem, então, se voltou para mim, que me encontrava sentado em uma mesa próxima, e vi o seu gesto cavalheiresco, e comentou comigo sobre a falta de sensibilidade das jovens.
Conversamos com ele alguns minutos, trocamos algumas ideias. Finalmente com a animação da festa onde um conjunto musical dava o seu tom bem animado, tudo prosseguiu normalmente.
O aniversariante aumentava suas alegrias, recebendo os cumprimentos pelo seu aniversário, e também pelo noivado da neta querida, que lhe fez essa grata surpresa. Juntamo-nos ao grupo e não se falou mais no assunto.
À minha saída, quando eu e minha esposa nos despedíamos dos familiares e amigos que estavam mais próximos, para surpresa minha o jovem me disse:
“Gostaria que vocês aceitassem esta flor branca que lhes ofereço, como símbolo do registro de uma nova amizade”.
Recebemos e agradecemos sensibilizados ao jovem, prometendo-lhe que eu escreveria uma crônica sobre os momentos da festa, e aquela flor branca que ele me dera, seria o registro da pureza de uma nova amizade, que o branco tão bem simboliza.
Acrescentei finalmente ao jovem que apreciei a sua atitude para com as jovens, em uma época onde as flores estão sendo substituídas pelas redes sociais.
As belezas da natureza, como as flores, presentes de Deus ao homem, estão sendo deixadas em segundo plano.
As pessoas não conversam mais. Valem-se apenas das redes sociais para comunicação.
Temos observado, por exemplo, que famílias reunidas em uma mesma mesa, em restaurantes, seus diálogos são feitos através de aparelhos celulares.
Vidas que não contêm flores, nos trazem tristezas, pois elas adornam o jardim da nossa alma nos dando grande paz. Devemos sempre cultivar flores em nosso jardim interior.
Sou Evangélico, Presbítero Emérito da Igreja Presbiteriana do Calhau, em São Luis -MA, e aprendi na Bíblia Sagrada, no Evangelho de Mateus, Cap.6:28 e 29, “...olhai os lírios do campo...” “que nem Salomão em toda glória se vestiu como um deles”.

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