O Maranhão e a Revolução de 1817
por Euges Lima (historiador e vice-pres. do IHGM)
Amaro Quintas foi um importante intelectual e historiador pernambucano. Há dois anos (2018), fui convidado para participar das comemorações do Bicentenário da Revolução Pernambucana de 1817, em Recife, organizadas pelo Instituto Histórico Arqueológico e Geográfico de Pernambuco (IHAGP), iria compor uma mesa-redonda, onde além de falar sobre esta importante Revolução, a primeira experiência de fato de República no Brasil, pois os revolucionários assumiram o poder, por um mês, mas assumiram e declararam a independência de Pernambuco de Portugal, cinco anos antes da independência do Brasil em 1822.
A sugestão dos organizadores do evento era que o palestrante fizesse uma conexão da Revolução de 1817 com o seu estado de origem. Essa revolução não foi meramente um evento regional, isolado, ela tinha um caráter, um sentido nacional, pelo menos na sua preparação, portanto, com contatos e articulações com várias lideranças das mais diversas capitanias do Império, de norte a sul, conforme defende o historiador Amaro Quintas no seu livro “A Revolução de 18179 (1985)”.
No nordeste, houve a participação de várias capitanias... Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Alagoas, Ceará etc. Mas e o Maranhão, como fazer essa ligação? Teria tido alguma participação nesses eventos? Consultei a historiografia maranhense e nada vi sobre essa imaginada ligação. Fazer tal relação me parecia uma missão quase impossível. Quando estava quase desistindo, foi nesse trabalho de Quintas que encontrei uma luz no fim do túnel, uma conexão entre Maranhão e a Revolução de 1817, claro, no âmbito das confabulações e pretensões, mas uma conexão entre Maranhão e Pernambuco no contexto da possível adesão dessa província a Revolução pernambucana de 1817.
Assim se expressava em carta a um amigo, o sargento-mor João Tenório Albuquerque: “vos faço serto que toda a Capitania de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande, Cyará, Maranhão, Pará, Paraíba, Matogrosso, fazem um só corpo; e tão bem se julga já Minas levantada pelos avisos de Matogrosso”.
Com a devida modéstia, os pernambucanos gostaram da nossa exposição. Na assistência, vários pesquisadores pernambucanos renomados, professores universitários, com destaque para o professor e historiador Vamireh Chacon que observava atentamente.

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