Carlos Furtado
Em cada Natal, um ritual sagrado se renova, um encontro com a essência da vida. O lar, um ninho de afeto, acolhia a família em um abraço ancestral. A memória, como um baú de tesouros, guarda ainda as lembranças de nossos natais, onde a magia era palpável em cada canto.
Minha mãe, rainha do nosso castelo, transformava a casa em um reino encantado. Era a fada madrinha que, com maestria, orquestrava a sinfonia da ceia, onde cada prato era uma obra de arte. Suas mãos, ágeis e carinhosas, preparavam um banquete para a alma, capaz de aquecer os corações mais frios.
Ao redor da mesa, a nossa família se reunia, tecendo fios de amor e cumplicidade. As histórias se entrelaçavam, como as bolas da árvore de Natal, criando um mosaico de memórias. A voz grave do meu pai, como um cântico ancestral, ecoava no lar, transmitindo ensinamentos e valores que moldaram nossas vidas.
Com o passar dos anos, a família cresceu, as vidas se ramificaram, e o Natal, embora ainda especial, assumiu novos contornos. O lar, outrora repleto de risos infantis, agora abriga a serenidade da maturidade, e as festas já não mais exibem a mesma efervescência.
A alegria que a cada Natal, como uma estrela, iluminava nossos corações, hoje se transformou em uma luz suave, aquecendo as lembranças de um tempo em que a fé e a esperança eram mais intensas. A mesa, antes farta, agora parece menor, e as cadeiras vazias, um lembrete daqueles que se foram.
Em meio a todas as mudanças, uma coisa permanece imutável: o espírito natalino. Aquele sentimento de paz, união, esperança, fraternidade, humildade, caridade, fé e amor que nos envolve nesta época do ano. É a lembrança daqueles natais perfeitos que me guia, me reconecta às minhas raízes e me faz acreditar que a magia ainda existe, embora transformada.
E assim, sigo carregando comigo a chama do Natal, acesa pela minha família, para iluminar minha jornada e aquecer meu coração. Acompanhando meus velhos pais, hoje fragilizados, mantenho viva a tradição, a esperança e o amor que nos unem para sempre.

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