Quarta, 09 de Setembro de 2026 11:04
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil Convidados Especiais

A convidada hoje da Plataforma Nacional do Facetubes é a professora Veraluce Lima

(*) Foi agraciada com importantes prêmios, com destaque para Mulher Evidência (Recife-PE, 2024), Prêmio Nordeste de Literatura (João Pessoa-PB, 2025), Comenda Mensageira Evidência da Paz (Recife-PE, 2025), Prêmio “Mulheres que mudaram o destino” (Homenagem Internacional em Zurique-Suíça, 2026).

09/09/2026 09h21
Por: Mhario Lincoln Fonte: Plataforma Nacional do Facetubes - editoria de Literatura e Arte c/Veraluce Lima
Profa. Veraluce Lima, colunista da Plataforma Nacional do Facetubes
Profa. Veraluce Lima, colunista da Plataforma Nacional do Facetubes


Plataforma Nacional do Facetubes - Editoria de Literatura e Arte c/o jornalista Mhario Lincoln

A convidada hoje da Plataforma Nacional do Facetubes é a professora Veraluce Lima(*), apresentada pelo Cel Carlos Furtado, da AMCLAM. Sem dúvida um grande presente deste Setembro para todos nós.

Quando li este trabalho, abaixo publicado, logo me veio à lembrança uma ideia recorrente no pensamento do místico indiano Osho, onde a simplicidade, quando nasce da autenticidade e se liberta das exigências do ego, aproxima o ser humano da beleza e da verdade. É nesse território que se encontra a força de determinados textos porque eles não precisam recorrer ao excesso para alcançar o leitor. A verdade, muitas vezes, chega pela naturalidade com que a vida é narrada.

Continua após a publicidade

É comum encontrar quem perceba primeiro a fragilidade, o defeito ou a negatividade no trabalho alheio. Por isso, escrever sobre o outro com alegria, generosidade e reconhecimento exige outra disposição de espírito. E é justamente essa disposição que transforma acontecimentos aparentemente simples em mensagens capazes de ultrapassar a superfície das chamadas “amizades digitais” e recuperar o sentido das amizades reais — aquelas em que uma pessoa se alegra sinceramente com a realização da outra, participa de suas conquistas e reconhece, no reencontro, algo que o tempo não conseguiu apagar.

Foi assim que li e reli Veraluce Lima. E gostei particularmente da maneira como a autora, professora, Mestra em Educação e Doutora, com sólida formação em sua área, consegue escrever com delicadeza (sem a tecnicidade comum a egos exacerbados), sobre uma experiência cotidiana. O núcleo de sua crônica está exatamente aí: fazer o leitor pensar sobre a pulsação de um reencontro entre duas vidas que, mesmo separadas pela geografia e pelos ritmos inevitáveis da existência, permaneceram ligadas por uma amizade que não se deixou corroer pelo tempo.

O texto revela que certas relações permanecem porque se firmam numa verdade afetiva que dispensa a presença constante. São vínculos que não se medem pela frequência dos encontros, mas pela permanência do sentido. Há afetos que atravessam o tempo sem depender da proximidade, como se obedecessem a uma espécie de fidelidade interior. Não precisam ser continuamente provados porque já encontraram lugar na consciência e na memória. Quando a vida chama — pela dor, pela saudade ou pela necessidade do reencontro — esses vínculos reaparecem inteiros, lembrando-nos de que algumas presenças continuam existindo mesmo na ausência.

Foi nesse diapasão que Veraluce Lima reencontrou Oneide, amiga de muitos anos. Em sua reflexão, surge Simone de Beauvoir, e a referência encontra plena pertinência. (Refiro-me, neste excerto, não à Oneide, como originalmente no texto). Mas à amizade entre as duas. Em "Por uma moral da ambiguidade", por exemplo, Beauvoir afirma: “Querer-se livre é também querer os outros livres.”.A frase oferece uma chave para compreender a amizade que não aprisiona e não exige comprovações permanentes. O afeto verdadeiro reconhece a existência do outro em sua liberdade, respeita seus caminhos e conserva a admiração e o apreço mesmo quando a vida estabelece distâncias.


Destarte, sem mais delongas, eis Veraluce Lima por inteiro:


****
A dádiva da amizade
Veraluce Lima

Continua após a publicidade

Eram quase 11 horas da manhã do dia 13 de setembro de 2023, quando vi, em meu celular, uma mensagem enviada por uma amiga que não a via há muito tempo. A mensagem era assim: 
– Bom dia, querida! O Neto faleceu neste último sábado. 

Ao ler o que estava escrito, levei o maior susto. No momento, consegui apenas murmurar para mim mesma “Meu Deus!”. Imediatamente, procurei entrar em contato com ela pelo WhatsApp, fazendo-lhe a seguinte pergunta:   
– De que ele faleceu?  
A resposta veio logo a seguir: 
– Infarto! Mamãe está muito chorosa!  

Apesar da tragédia que se abateu sobre a família do Neto (assim era conhecido um de seus irmãos mais novos), vi naquele momento a oportunidade de rever a amiga da época de minha juventude.   

Enviei-lhe nova mensagem, perguntando-lhe se ela estava em São Luís e, ao me responder que sim, não pensei duas vezes: preciso vê-la. Em nosso último encontro, tive a oportunidade de levar comigo meu filho caçula, o Danillo, que estava com aproximadamente 4 anos de idade. Já faz tanto tempo... Tanto tempo, mesmo...  

Um turbilhão de lembranças me fez voltar no tempo e me vi com 17 anos, morando nos Barés, um bairro de São Luís, cujas ruas receberam nomes de tribos indígenas brasileiras, como Rua dos Guaranis, Rua dos Tamoios, Rua dos Tupinambás, Rua dos Barés, Rua dos Timbiras, Rua dos Tapajós, só para citar algumas de suas ruas. Eu cresci neste bairro e a casa onde eu morava com minha família ficava na rua dos Tamoios. Sua mãe, D. Maria José, morava na rua dos Tupinambás. 

Revivi, pela memória afetiva, quando a conheci. Fui apresentada a ela por seu irmão mais velho, o Francisco, de quem eu era amiga desde a infância. Eu e Oneide, assim ela se chama, nos tornamos grandes amigas, mas, parafraseando Vinícius de Moraes, a roda furiosa da vida não me permitiu tê-la sempre ao meu lado, morando na mesma cidade em que moro. Como a gente não faz amigos, reconhece-os, meu reconhecimento é para minha amiga Oneide, pois, mesmo longe uma da outra, a distância entre nós não conseguiu destruir minha amizade por ela.   

Continua após a publicidade

Enquanto eu ia ao encontro de Oneide, eu perguntava a mim mesma: Como estará agora? Será que o tempo levou consigo sua beleza? Como era bela! Nunca procurei saber o porquê de, ainda muito jovem, ela haver deixado a casa materna para ir morar com seu irmão Francisco, em Imperatriz-MA. Achei uma atitude corajosa demais para sua idade, considerando a época em que o fato ocorreu. Contudo, nesse lugar, ela foi capaz de “amar-se em sua força e não em sua fraqueza; não para fugir de si mesma, mas para se encontrar; não para se renunciar, mas para se afirmar” (1) como uma mulher que fez do amor sua fonte de vida, mesmo vivendo numa sociedade em que as relações entre homem e mulher sempre foram relações de poder, com a mulher sendo tratada de forma desigual em relação ao homem.  

Nosso encontro seria na casa de seu irmão Ivaldo, que mora na rua dos Barés. Como eu conhecia tão bem onde ficava a rua, não seria difícil encontrar a casa. No trajeto para lá, meus pensamentos viajaram no tempo e eu pude relembrar momentos felizes de nossa juventude, como quando íamos juntas para a escola, trocando confidências sobre nosso dia a dia, nossa vida estudantil, nossos amores platônicos... São lembranças que o tempo não conseguiu nem consegue apagá-las.  

Envolta nesses pensamentos, nem me dei conta de que já havia chegado à rua dos Barés. Olhei para os lados e falei para mim mesma:  
– Pronto! Cheguei!  

Estacionei o carro e ... de repente lá estava eu frente a frente com minha amiga Oneide. Meu Deus, você continua bela!

Os abraços efusivos se misturaram com as lembranças do tempo em que morávamos nos Barés e logo, logo se transformaram em gostosas gargalhadas, apesar do momento de dor pela perda seu irmão. Aproveitamos cada minuto desse encontro para falarmos sobre nossa vida, agora como duas mulheres maduras, já aposentadas, com filhos, genros, noras e netos. Ah, como foi maravilhoso meu encontro com Oneide!    

Ela retornou para Imperatriz. Apesar da distância que nos separa, nossa amizade permanece, uma vez que é verdadeira. Eu considero nossa amizade uma dádiva divina. Com a internet, não há distância entre nós, pois temos as redes sociais da web, como o WhatsApp, por exemplo, para nos comunicarmos, quando a saudade bater na porta do coração (e ela bate sempre). Como já dizia Vinícius de Moraes: Agora mesmo que de um amigo ninguém se livra! A amizade, além de contagiosa, é totalmente incurável... 

 

****

Referências:
    
(1) BEAUVOIR, Simone. "Todos os Homens são Mortais", São Paulo/Nova Fronteira, 1983. 

(*) Veraluce Lima – Professora Titular aposentada do Departamento de Letras, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É graduada em Letras e mestra em Educação pela UFMA, além de doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Évora-Portugal. Possui vasta experiência nas áreas de ensino de língua, linguística da internet e formação de professores, consolidando sua trajetória profissional na educação e na pesquisa. Foi agraciada com importantes prêmios, com destaque para Mulher Evidência (Recife-PE, 2024), Prêmio Nordeste de Literatura (João Pessoa-PB, 2025), Comenda Mensageira Evidência da Paz (Recife-PE, 2025), Prêmio “Mulheres que mudaram o destino” (Homenagem Internacional em Zurique-Suíça, 2026). É membro de diversas academias literárias, participando de antologias, como coautora de crônicas memorialistas, consolidando, também, sua trajetória na literatura. 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Anna LimaHá 29 minutos atrásTeresina - PIMaravilhoso.. Parabéns pelo lindo trabalho.
Tais Há 30 minutos atrásSão Luís Maranhão Uma mulher maravilhosa, com uma história de vida magnífica… Drª Veraluce fez/faz parte da vida de muita gente, e em todos, ela deixa sua marca registrada, palavras de conforto e abraços apertado.
Davia Valéria Lima dos Santos AraújoHá 30 minutos atrásMaMinha diva preciosa. Parabéns mãe pelo legado que tem construído durante a sua jornada aqui na terra. Joia preciosa que excede a de rubi.
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 08h01
15°
Chuvas esparsas

Mín. 14° Máx. 22°

15° Sensação
2.57 km/h Vento
97% Umidade do ar
100% (12.2mm) Chance de chuva
Amanhã (10/09)

Mín. 14° Máx. 16°

Chuva
Sexta (11/09)

Mín. 14° Máx. 25°

Chuva
Ele1 - Criar site de notícias