UM POETA ESQUECIDO:
RAIMUNDO NONATO PINHEIRO
CASTRO, Kyssian. - NONATO PINHEIRO, O POETA QUE A BARRA ESQUECEU, in Revista da Literatura Barra-Cordense 33, Published on Nov 15, 2017, disponível em https://issuu.com/kissyan/docs/revista_20da_20literatura_20barra-c
LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ
Academia Ludovicense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e indicado para a Academia Poética Brasileira.
Raimundo Nonato Pinheiro nasceu em Barra do Corda em 8 de novembro de 1890, e faleceu em Manaus a 15 de outubro de 1938. Partiu de São Luís para Manaus em 1911, já casado com Diana Macedo Pinheiro, da cidade de Caxias. Tiveram quatro filhos naturais e uma adotiva.
O ‘Jornal do Comércio’, de Manaus (ed. 14/12/1969) traz matéria sobre o poeta maranhense Raimundo Nonato Pinheiro (pai) , ressaltando que fora grande amigo de Maranhão Sobrinho, e um dos poucos que acompanhou seu enterro desde o casebre onde morava no bairro Cachoeirinha:
Estamos falando do pai de outro Raimundo Nonato Pinheiro (o Filho), este nascido em Manaus, em 1922 e falecido em 1994, também conhecido como Padre Nonato Pinheiro, sacerdote, poeta, filólogo, latinólogo, jornalista, professor e escritor. Foi Membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas:
O Pe. Nonato Pinheiro, erudito católico que se dedicou, em profundidade, aos estudos filológicos e à crítica literária, foi um cultor da língua portuguesa. Dedicou-se também a estudos relacionados à história religiosa da Região Norte do Brasil. Contribuiu com regularidade nos jornais de Manaus, tendo sido recebido na Academia Amazonense de Letras pelo médico e escritor Djalma Batista. O mais conhecido dos livros que publicou é uma biografia do terceiro bispo do Amazonas, Dom João da Matta (1956), obra republicada em 2008 pela Editora Valer, de Manaus. Em 1954, a Editora Vozes havia publicado seu livro intitulado "Dom José Pereira Alves: fulgores do Episcopado". Raimundo Nonato Pinheiro prefaciou, entre outras obras, o "Vocabulário Etimológico Tupi do Folclore Amazônico", de Anisio Mello (Manaus: Editora da Universidade do Amazonas / Suframa, 1983). Em grande quantidade de artigos, ensaios e discursos, o Pe. Nonato Pinheiro divulgou seus estudos sobre obras clássicas das literaturas portuguesa e brasileira, que considerava como modelos perfeitos de boa linguagem.
Raimundo Nonato Pinheiro (o pai) foi casado com a professora Diana de Macedo Pinheiro:
A professora Diana de Macedo Pinheiro, maranhense, casou-se com o poeta e escritor Raimundo Nonato Pinheiro, com quem teve quatro filhos: Geraldo, Nonato e as gêmeas Aracy e Iracema, além de uma filha adotiva, Amazonina. Desenvolveu suas atividades pedagógicas no Instituto São Geraldo, que funcionou até 1964 na Rua 24 de Maio, quase esquina da Costa Azevedo, com curso primário e preparação para o exame de admissão. Ministrava ainda aulas de português e francês e preparava pessoas para concursos públicos. Morreu em julho de 1962.
Mais algumas informações sobre a esposa de Nonato Pinheiro: era natural de Caxias:
Há 46 anos, no dia 27 de julho de 1962, o Amazonas perdia a Professora Diana de Macedo Pinheiro. Era natural de Caxias no Maranhão e mudou-se para Manaus ainda jovem e recém-casada com o poeta e escritor Raimundo Nonato Pinheiro, com quem teve quatro filhos: Geraldo de Macedo Pinheiro (procurador de justiça, "antropólogo"), Raimundo Nonato Pinheiro (padre, poeta e literato) e as gêmeas Aracy Pinheiro Pucu e Iracema Pinheiro Monteiro, ambas professoras, além da filha adotiva, Amazonina de Macedo Melo.
O projeto educacional da professora Diana desenvolveu-se no Instituto São Geraldo onde funcionou até 1964, à rua 24 de maio, próximo à esquina da Costa Azevedo. Nele, a formação estudantil consistia do antigo curso Primário e preparação para o exame de Admissão. Preparava pessoas para concursos públicos, ministrando aulas de Português e Francês, sua especialidade.
Kyssian Castro escreveu: “Nonato Pinheiro O Poeta que a Barra esqueceu” : [...] Estava lá registrado que sua terra natal era Barra do Corda (MA). Seguindo esse autor, que o dá por nascido em Barra do Corda-MA em 8 de novembro de 1890, descendia de índios Guajajaras.
Em artigo publicado em 1919 (A Pacotilha de 15 de agosto), confirma-se seu local de nascimento, assim como sua profissão – despachante geral da Alfândega, em Manaus:
De sua biografia, consta ter sido poeta, contista, cartógrafo, geógrafo, e crítico literário (CASTRO, 2017) .
O “Jornal do Comércio”, de Manaus, em sua edição de 25 de janeiro de 1947 registra o retorno à Manaus do agora padre Raimundo Nonato Pinheiro Filho:
Companheiro de Maranhão Sobrinho e de Nunes Pereira, conforme registra Maria Luiza Ugarte Pinheiro:
Numa época em que a vida literária era sinônimo de vida boêmia, foi comum que os homens de letras (jornalistas, poetas, juristas, professores, etc.) montassem suas “igrejinhas” nesses espaços de sociabilidade. Ali, entre goles do mais fino champanhe francês ou de um trago da mais barata genebra, lamentavam o acanhamento da vida provinciana, propunham saídas para os problemas nacionais, confidenciavam segredos de alcova e desnudavam intermináveis intrigas com seus desafetos. Para um crítico da época, a intriga e a mesquinharia ficavam a cargo dos menos talentosos, dos “pobres diabos da literatura” ou dos “liliputianos da imprensa de picuinha”. (MESQUITA, 1935, 60) [...]
Da mesma forma que as opções etílicas, as articulações literárias podiam variar também em função da origem e inserção social de seus integrantes. Assim, os poetas mulatos maranhenses, Nunes Pereira, Raimundo Nonato Pinheiro e Maranhão Sobrinho, sofreram forte segregação e foi somente graças aos seus talentos e a boa dose de ousadia que conseguiram se impor e minorar o processo de marginalização que sobre eles recaía4 .
A Autora registra, em nota de pé-de-página que:
O ingresso de Nunes Pereira na Academia Amazonense de Letras, no ato de criação dessa entidade (1918) demonstra bem os embates que foram necessários assumir. Sem ser convidado, Nunes entrou ébrio na sessão solene e se indicou para a cadeira de Cruz e Souza, com o argumento deste ter sido um mulato como ele.
Nonato Pinheiro, além de grande amigo de Maranhão Sobrinho, ainda foi o guardião de seu espólio literário:
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1 - [1] http://www.taquiprati.com.br/cronica/478-em-nome-do-padre
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Raimundo_Nonato_Pinheiro
[3] BESSA FREIRE, José Ribamar. EM NOME DO PADRE, Coluna TAQUIPRATI, Em: 17 de Março de 1995
http://www.taquiprati.com.br/cronica/478-em-nome-do-padre
[4] Diana Pinheiro, uma educadora, Blog A ANDARILHA E SUA SOMBRA, segunda-feira, 14 de julho de 2008, disponível em https://andarilhasuasombra.blogspot.com/2008/07/diana-pinheiro-uma-educadora.html
[5] CASTRO, Kyssian. - NONATO PINHEIRO, O POETA QUE A BARRA ESQUECEU, in Revista da Literatura Barra-Cordense 33, Published on Nov 15, 2017, disponível em https://issuu.com/kissyan/docs/revista_20da_20literatura_20barra-c
Fui buscar as referencias que utiliza, como o jornal A Crítica, de Manaus, e em jornais do Rio de janeiro, na hemeroteca da Biblioteca Nacional, e não as encontrei...
[6] CASTRO, 2017, obra citada
[7] PINHEIRO, Maria Luiza Lugarte. Periodismo e Vida Literária em Manaus. Trabalho apresentado no GT História do Jornalismo integrante do V Encontro Regional Norte de História da Mídia
[8] MESQUITA, Carlos. Glebarismo. Manaus: s/ed., 1935, citado por PINHEIRO, obra citada
[9] Em Depoimento (ainda inédito) à Geraldo Pinheiro. À Autora.

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