Editoria de Literatura e Arte
A poesia de Alcina Maria Silva Azevedo transforma um simples abraço em um instante de revelação afetiva. O eu lírico descreve o gesto como um momento pleno, onde cada detalhe — a barba roçando o rosto, a voz baixa, o sorriso doce — compõe uma experiência que transcende o físico e se torna quase um acontecimento existencial. Há uma consciência clara de que aquele abraço contém mais do que contato: ele revela ternura, cuidado e presença, condensando em poucos minutos uma intensidade emocional rara.
No entanto, essa plenitude é atravessada pela dor da impermanência. O poema reconhece que o instante, por mais profundo que seja, não se sustenta no tempo. O “passou” marca a frustração humana diante do efêmero, e a partida transforma o abraço em memória, não mais em corpo. A resenha do poema, portanto, destaca essa tensão entre o desejo de eternizar o que é vivido e a inevitabilidade de perder o que se ama, fazendo do texto uma reflexão sensível sobre a beleza e a fragilidade dos momentos que nos tocam.
O POEMA
Aquele abraço
Autora: Alcina Maria Silva Azevedo.
Aquele abraço
Ah...que belo momento !
Você não saberia dizer mais
do que disse, naquele abraço.
Foram minutos de ternura
Que eu gostaria, que se perpetuassem, e ficassem, para sempre.
O roçar da sua barba em meu rosto
Sua vóz falando baixinho
Seus braços, trazendo carinho.
Você, é todo ternura !
Seu sorriso, esboça doçura.
Tudo isso, em um só momento. Que muito a descontento.
Passou !
Pois eu parti e, jamais pude sentir,
a delícia daquele abraço, que se foi...

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