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Cidades CACURIÁ

“Você conhece o Cacuriá? Vamos cacuriar?” Renata Barcellos (BarcellArtes)

Convidada da Plataforma Nacional do Facetubes.

25/06/2026 13h48 Atualizada há 4 horas atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Renata Barcellos (BarcellArtes)
Prof. Renata Barcellos.
Prof. Renata Barcellos.

Renata Barcellos (BarcellArtes)

Você conhece o Cacuriá? Eu só conhecI há quinze dias em uma festa junina organizada pelo amigo Uilmar Junior, no condomínio onde mora, em São Luís. Lá, após apresentação musical e de degustar deliciosas guloseimas (arroz de cuxá, torta de camarão...), assistmos (eu e Campos) à apresentação do Cacuriá de Dona Cecília, do bairro da Vila Palmeira (@cacuria_de_cecilia). Este foi fundado em 1991 por Dona Cecília, ex-caixeira de Seu Lauro, em Vila Palmeira, São Luís (MA).

Surgimento:  Cacuriá surgiu a partir do Carimbó das caixeiras, relacionado às festas do Divino Espírito Santo. Traz memória, ancestralidade, música, corpo e comunidade. É uma dança folclórica maranhense criada na década de 1970 como a parte festiva após as celebrações da Festa do Divino Espírito Santo. Popularizada por figuras como Dona Tetê, a dança se tornou atração principal das Festas Juninas do estado. 

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Criador: De acordo com a jornalista maranhense Inara Rodrigues, escritora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”, a dança foi criada em 1973, na capital, por Alauriano Campos de Almeida, folclorista conhecido como “Seu Lauro”. Outros já dizem que foi por Dona Filoca e Seu Lauro, em 1975, na cidade de Guimarães, e, posteriormente, levado para a capital, São Luís. 

Coreografia: Os pares brincantes dançam em roda (chamada de cordão). . Caracteriza-se pelo ritmo contagiante, passos marcados em pares (conhecidos como "umbigadas")., coreografias sensuais, rebolados e com movimentos sensuais, A dança é marcada pelo som das caixas do Divino (pequenos tambores)., banjo, violão e flauta, com letras conhecidas (disponíveis em https://www.letras.mus.br/cacuria-de-dona-tete/).

Dona Teté do Cacuriá: nascida Almerice da Silva Santos em São Luís (MA), em 1924, foi cantora, compositora e percussionista essencial para a cultura popular maranhense. Iniciou sua carreira artística aos 50 anos, destacando-se nas festas dedicadas ao Divino Espírito Santo.

No site da Fundação Cultural Palmares, consta Cacuriá de Dona Teté.

“nascida Almerice da Silva Santos em São Luís (MA), em 1924, foi cantora, compositora e percussionista essencial para a cultura popular maranhense. Iniciou sua carreira artística aos 50 anos, destacando-se nas festas dedicadas ao Divino Espírito Santo. Em 1986, fundou o grupo Cacuriá de Dona Teté, reinventando o ritmo tradicional com percussões vibrantes e coreografias inovadoras, levando-o do Maranhão a outros estados. Reverenciada como dama da cultura popular, inspirou gerações e garantiu a preservação e renovação da tradição afro-cabocla até seu falecimento, em 2011”.

Período: geralmente, é praticada durante as festas juninas e o encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. 

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Reconhecimento: considerada Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Maranhão.

 

Curiosidade: o termo também pode ser usado popularmente por algumas pessoas no Norte e Nordeste com o sentido de "curiar" ou "espiar" — ou seja, olhar algo de longe ou bisbilhotar.

Música: As letras costumam ter duplo sentido e são acompanhadas por um refrão animado. Este são são curtos, repetições e muito ritmo. As músicas tradicionais, imortalizadas por grupos como o Cacuriá de Dona Teté, celebram a cultura, a natureza e os costumes locais como este a seguir:

Festa do Divino

“Fui na festa do Divino
Me convidaram pra entrar
E veio dançando o carimbó
E cantando o cacuriá(2x)”

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Grupos: Os principais grupos existentes em São Luís e na Região Metropolitana são:

Cacuriá de Dona Teté: o mais tradicional e famoso do estado. Criado a partir do legado de Almerice da Silva Santos (Dona Teté), é a maior referência da cultura popular e arrasta multidões nos arraiais.

Cacuriá do Candinho: um dos maiores grupos da região, com sede na Região Metropolitana (em Paço do Lumiar), conhecido por apresentações enérgicas e grande sucesso nas redes sociais. 

Cacuriá Assa Cana: sediado no tradicional Quilombo da Liberdade, em São Luís, este grupo é um importante Ponto de Cultura e difusor das toadas e tradições maranhenses. Instagram: @cacuria.assacana

Nas Literaturas: as literaturas literárias ou não sobre o Cacuriá focam no resgate histórico, na antropologia da performance e na preservação desta manifestação cultural através de livros e artigos acadêmicos: 

"Vem cá curiar o cacuriá!" (2015): escrito pela jornalista maranhense Inara Rodrigues, este livro-reportagem detalha a origem da dança e foi vencedor do Prêmio João Lisboa de Jornalismo Literário. A obra desmistifica algumas narrativas, registrando que a dança foi criada em 1973 na capital por Alauriano Campos de Almeida, conhecido como "Seu Lauro". 

Registros Antropológicos: autores e pesquisadores como Luciana Hartmann (autora da obra "Cacuriá - dinâmicas de uma tradição dançada"- fruto de estudo sobre o grupo “Cacuriá Filha Herdeira”) e Inara Rodrigues (autora do livro "Vem cá curiar o cacuriá!") documentam a tradição, sua origem com o "Seu Lauro" em 1973 e sua popularização por Almerice da Silva, a Dona Teté.

Academias e Ensino (Anais da Anpuh e Monografias UFMA): trabalhos acadêmicos, como os "Anais do Simpósio Nacional de História" da Anpuh, exploram o uso de "cantigas de caixeiras" em sala de aula, demonstrando o valor pedagógico do Cacuriá na educação infantil e o seu papel como patrimônio cultural imaterial. 

Assim, a dança costuma ser abordada não só em pesquisas literárias e acadêmicas como também em obras de ficção voltadas para as literaturas infanto-juvenil. Alguns exemplos: 

Fábio Sombra: reconhecido escritor e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ele aborda a dança e o contexto das festas juninas na obra “Cacuriá - A Música e a Criança”. 

Gabriel Ben: na obra infanto-juvenil “Dora, uma menina nordestina”, o autor utiliza o sonho da protagonista para resgatar memórias regionais, incluindo menções explícitas ao ritmo e à dança criada por Dona Teté. 

 

VÍDEO-BÔNUS

(Homenagem a D. Teté. Dos maranhenses Chiquinho França e Mhario Lincoln).

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Lilian PedrosaHá 3 horas atrásSão Paulo SPExtraordinário você me relembrar D. Teté, com quem convivi, quando ainda era jornalista do Estado do Maranhão. Hoje, aqui em São Paulo, me passou um filme quando fui fazer uma matéria com ela. Obrigado Renata. A música que você colocou é linda demais.
Jurandir Mendonça de MoraesHá 3 horas atrásFlorianópolis SCMe emocionei com o texto e com a música. Estou em Floripa há 20 anos e quando vejo e ouço ainda me emociono.
Poeta Jamil BuarqueHá 3 horas atrásSão Luís MaQue beleza de texto e de música Renata. Obrigado pela homenagem a minha terra.
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Renata Barcellos
Sobre Renata Barcellos
Entrevistas, textos acadêmicos e ensaios da professora carioca Renata Barcellos.
Curitiba, PR
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