Êxtase (1933), de Gustav Machatý, um filme condenador po Civis e Eclesiásticos
Certamente ninguém se lembraria desse drama romântico tcheco hoje se não fosse pelo detalhe de que foi o primeiro filme (não pornográfico) a mostrar um orgasmo feminino. A protagonista era Hedy Kiesler, uma belíssima atriz austríaca de dezoito anos à qual ainda faltavam algumas reinvenções para se tornar Hedy Lamarr, deusa de Hollywood e criadora da tecnologia que antecipou o Wi-Fi. Hedy aparecia nua no filme e dizia que ninguém a havia avisado quando assinou o contrato. Mas foi a cena do orgasmo a que mais alvoroço provocou, apesar do fato de que, quando isso acontece com ela, só se vê o rosto. Parece que, para alcançar o efeito desejado, o diretor fez com que ela fosse espetada nas nádegas com um alfinete, um método que, logicamente, hoje seria considerado inadmissível e renderia ao diretor uma queixa como um caminhão de bombeiros. De volta àqueles dias, todas as coisas previsíveis aconteceram: o Vaticano vaticaneou, o filme não foi exibido na Itália, na Alemanha só passou com cortes e nos Estados Unidos foi condenado pela Legião Católica pela Decência, o que implicou na proibição de os fiéis o assistirem sob a ameaça de incorrer em pecado mortal. Obviamente, isso serviu apenas para aumentar o sucesso.
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