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Brasil Mohana e Cassas

“PLENITUDE HUMANA”: O LIVRO EM QUE JOÃO MOHANA COLOCOU O HOMEM DIANTE DE SI MESMO

A questão central do livro nasce de um diagnóstico que percorre boa parte da obra de Mohana: o desenvolvimento material e técnico não assegura, por si, o desenvolvimento do ser humano.

31/08/2026 18h05 Atualizada há 8 horas atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Pesquisa e Extensão — Plataforma Nacional do Facetubes
Mohana & Cassas. (Ilustração: Mhario Lincoln c/GinaiFT).
Mohana & Cassas. (Ilustração: Mhario Lincoln c/GinaiFT).

Editoria de Pesquisa e Extensão — Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

"Plenitude Humana", do médico, sacerdote e escritor maranhense João Mohana, pertence ao núcleo de sua produção dedicado ao comportamento humano, à espiritualidade e à busca de sentido. O registro bibliográfico do Google Books documenta uma edição da Editora Globo, de 1977, com 197 páginas. O Laboratório de História e Memória da Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro registra a terceira edição, também pela Globo, em 1983, evidenciando que o livro alcançou sucessivas tiragens poucos anos depois de publicado.

A questão central do livro nasce de um diagnóstico que percorre boa parte da obra de Mohana: o desenvolvimento material e técnico não assegura, por si, o desenvolvimento do ser humano. Essa é a resposta de Mohana: tudo passa pela fé, pelo conhecimento de si, pela responsabilidade e pela revisão dos valores que orientam a existência. Não se trata, portanto, de um livro devocional no sentido estrito. É uma investigação religiosa do homem diante de suas escolhas, limitações, angústias e possibilidades de realização.

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O Clio-Psyché, da UERJ, projeto voltado à história da Psicologia no Brasil estudou Mohana e afirma que, embora não fosse psicólogo de formação, teve participação marcante nesse campo e desenvolveu uma reflexão caracterizada como uma “psicologia da salvação”. Sobre "Plenitude Humana", o registro é objetivo: o livro discute a realização pessoal como caminho para o restabelecimento da paz interior. A mesma fonte relaciona essa visão ao enfrentamento da angústia, do sofrimento, do tédio e da perda do significado da existência. Essa precisão é necessária porque várias publicações populares chamam Mohana simplesmente de “psicólogo”. Mas a sua formação acadêmica era em Medicina, com especialização em Pediatria.

Há também um componente teológico que impede a leitura de "Plenitude Humana" como simples manual de desenvolvimento pessoal. Em texto posteriormente reproduzido pela Academia Cearense de Letras, uma passagem do livro é usada como epígrafe para discutir os limites da razão diante de Deus. Mohana escreve: “Um Deus que nós compreendêssemos deixaria de ser Deus”. Em outro registro da imprensa brasileira, ainda em 1978, aparece uma passagem da mesma obra na qual o autor relaciona bondade e firmeza à formação do homem adulto. O eixo é recorrente: para Mohana, plenitude não significa ausência de conflito ou sofrimento; significa amadurecimento moral, consciência das próprias limitações e direção da existência para algo que transcenda o indivíduo.

Capa (Divulgação).

No Maranhão, o livro permaneceu ligado à avaliação global da produção do sacerdote. O jornalista e escritor Manoel dos Santos Neto, autor de "A Ressurreição do Padre" e pesquisador da trajetória de Mohana, declarou ter lido os 43 livros deixados pelo escritor. Sua conclusão é significativa: O Coração de Cristo e o Coração do Homem e Plenitude Humana, em sua opinião, “resumem toda sua obra”. O depoimento foi registrado pela Agência Assembleia e reproduzido em veículos maranhenses. 

A leitura(*) mais articulada de "Plenitude Humana" encontrada na crítica maranhense recente é a do poeta Luis Augusto Cassas (foto acima). Em ensaio publicado durante as celebrações do centenário de Mohana, Cassas aproxima o pensamento do sacerdote da busca de sentido de Viktor Frankl e da tradição cristã de Paulo. Ao tratar dessa convivência entre o médico e o sacerdote, sintetiza: “o consultório também se torna oratório místico, ponto de fusão entre a razão e a fé”. E é especificamente a "Plenitude Humana" que Cassas recorre para destacar o que chama de recuperação da dimensão terapêutica do pecado: não como instrumento de condenação, mas como consciência da própria fragilidade, autoconhecimento e tentativa de restabelecer a paz interior.

Lido hoje, bom se repetir, o livro exige uma distinção. "Plenitude Humana" não deve ser tratado como obra de psicologia clínica ou científica nos parâmetros contemporâneos. Seu território é outro: situa-se entre antropologia cristã, aconselhamento pastoral, reflexão existencial e observação do comportamento humano. Essa condição híbrida explica tanto sua circulação junto ao público religioso quanto o interesse que despertou em pesquisadores da história da Psicologia. Mohana escreve a partir das experiências acumuladas pelo médico que conheceu a doença, pelo sacerdote que ouviu conflitos familiares e pessoais e pelo escritor interessado na dimensão interior do homem.

O resultado é um pensamento no qual sofrimento, liberdade, responsabilidade, culpa, esperança e transcendência pertencem à mesma discussão. Quase meio século depois da edição de 1977, "Plenitude Humana" continua aparecendo quando pesquisadores, jornalistas e escritores tentam definir o centro do pensamento de João Mohana. 

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(*) https://www.facetubes.com.br/noticia/6543/luis-augusto-cassas-joao-mohana-o-psicologo-de-deus-o-significado-pleno-de-uma-vida

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Fontes principais conferidas: Google Books — registro bibliográfico de Plenitude Humana; Clio-Psyché/UERJ — João Mohana e a história da Psicologia; Reedição das obras de Mohana; Facetubes — ensaio de Luis Augusto Cassas sobre João Mohana; UFMA — texto originalmente publicado em O Estado do Maranhão; além do acervo digital da Academia Cearense de Letras e registros da Agência Assembleia reproduzidos na imprensa maranhense.

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