MHARIO LINCOLN, jornalista profissional e editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes.
A composição de Henrique Duailibe reconhece a trajetória do guitarrista e produtor musical que fez da música instrumental uma profissão, abriu oportunidades para outros artistas e agora participa de uma mobilização para levar a produção musical do Maranhão às emissoras, aos espaços culturais e às escolas.
A música maranhense está diante de uma mobilização que pretende ultrapassar os limites dos palcos e alcançar os espaços onde se formam os hábitos culturais da população. O movimento SOS MÚSICA DO MARANHÃO, que reúne artistas e defensores da produção musical do estado, reivindica maior presença dos compositores, instrumentistas e intérpretes locais nas emissoras de rádio e televisão, nas programações culturais, nas empresas e, principalmente, nas escolas. Entre os incentivadores dessa iniciativa está Chiquinho França, músico cuja trajetória representa uma demonstração de que a produção regional pode alcançar públicos de diferentes países sem abandonar suas referências de origem.
A proposta nasce de uma preocupação que acompanha sucessivas gerações de artistas: a dificuldade de fazer a música produzida no Maranhão circular dentro do próprio estado. Os participantes do movimento defendem uma articulação entre músicos, produtores, instituições públicas, empresas de comunicação, empresários e educadores. A intenção é transformar o reconhecimento da produção musical maranhense em oportunidades de trabalho, circulação de repertórios e formação de público.
Há uma questão cultural que merece atenção particular. Uma criança maranhense pode atravessar toda a educação básica conhecendo músicas de diferentes regiões do Brasil e do exterior sem ter contato sistemático com a obra dos compositores de seu estado. O SOS MÚSICA DO MARANHÃO pretende contribuir para modificar essa realidade. A proposta de levar o repertório regional às escolas alcança uma dimensão que vai além do entretenimento. Envolve memória, regionalidade, educação musical e conhecimento da história cultural do Maranhão.
Por isso, muitas artistas aderiram a esse movimento. Um deles é o guitarrista, compositor, arranjador e produtor musical Chiquinho França que conhece as dificuldades enfrentadas por quem escolhe a música como profissão. Nascido Francisco Lopes da Costa, em 14 de fevereiro de 1964, na região entre Santa Inês e Bom Jardim, desenvolveu parte importante de sua formação artística em Imperatriz. Seu trabalho incorporou o choro, o frevo, o baião, o rock e elementos da tradição popular maranhense, construindo uma linguagem instrumental que passou a identificar sua carreira.
Sua produção encontrou espaço em trilhas utilizadas por programas de televisão de circulação nacional e internacional. Entre suas composições, "Fissura" tornou-se uma referência de seu repertório e um marco de sua trajetória profissional. Chiquinho demonstrou, pela prática, que a música instrumental poderia constituir uma atividade profissional permanente, capaz de sustentar uma família e estabelecer uma carreira para além das fronteiras estaduais.
Essa experiência juntou-se com a preocupação de muitos músicos maranhenses que também enfrentam dificuldades para gravar, produzir e divulgar suas obras. Por isso, o movimento SOS MÚSICA DO MARANHÃO também busca oportunizar não só palco, mas humanizar, antes de tudo, as produções musicais do estado, integrando o músico maranhense nos grandes eventos. E Chiquinho sabe dessas dificuldades geradas pelo Poder Público. Por outro lado, nunca mediu esforços para integralizar propostas musicais ao seu alcance. Dois exemplos rápidos que ajudam a compreender essa dimensão de seu trabalho: Ribamar Fiquene e Neném Bragança.
Ribamar Fiquene foi magistrado, poeta, compositor e violonista. Teve parte de sua produção musical registrada em um projeto coletivo lançado em sua homenagem, com a participação de Chiquinho França e outros intérpretes maranhenses. O segundo nome, Neném Bragança. Por sua vez, teve sua obra contemplada pelo projeto Som do Mará, coordenado por Chiquinho França. O trabalho recuperou repertórios e reuniu artistas em apresentações e registros musicais. A iniciativa demonstrou a importância de preservar em gravações a contribuição de músicos que participaram da formação da identidade cultural maranhense.
Vale acrescentar que o SOS MÚSICA DO MARANHÃO teve um embrião: em 2014, Chiquinho lançou uma edição do Som do Mará dedicada à sua música instrumental. Em 2015, a iniciativa avançou com homenagens a Neném Bragança e ações coletivas de divulgação de artistas locais. Uma década depois, o debate sobre circulação e reconhecimento da produção regional continua necessário. Ou seja, algumas tentativas de união musical para fortalecer a música do Maranhão e seus artífices, como um todo.
Tal mote foi a chave para que o músico, compositor e talentoso Henrique Duailibe fizesse uma música para cororar esse trabalho e reconhecer quem conhece essa trajetória. A canção mesmo citando Chiquinho França e seu destaca por sua atuação na abertura de caminhos para o fortalecimento da música instrumental e da música do Maranhão, homenageia também muitos outros profissionais da área, também engajados nesse luta coletiva.
Ao apresentar a composição, Henrique explicou:
“Essa música que eu compus para Chiquinho França é mais do que merecida. É uma singela homenagem que eu fiz com a ajuda da IA. [...] Ele é um patrimônio nosso da música instrumental, da música popular maranhense, e ele é um divisor de águas, porque, através da música dele, projetou a nossa música instrumental.”
A declaração contém um dado contemporâneo da produção artística: Henrique utilizou recursos de inteligência artificial na elaboração de sua homenagem. A ferramenta integrou o processo de criação, enquanto a motivação e o reconhecimento artístico partiram de sua própria experiência com o homenageado.
Vale ouvir:
A homenagem de Henrique Duailibe encontra correspondência em uma composição do próprio Chiquinho França intitulada Maranhão Musical. A letra apresenta a defesa da convivência entre artistas, da valorização cultural e do reconhecimento da produção regional como expressão de identidade. Em um de seus trechos, Chiquinho propõe:
Quem sabe um dia desses estamos juntos de novo
Pra celebrar a nossa amizade
Sorrir de tudo isso e cantarmos em coro
A música é a nossa liberdade. (HD).
A composição associa a atividade musical à união entre pessoas e à superação de divisões que dificultam a convivência. Em outra passagem, aponta diretamente para uma das preocupações centrais do SOS MÚSICA DO MARANHÃO:
Assim, a Plataforma Nacional do Facetubes soma sua voz ao SOS MÚSICA DO MARANHÃO. A defesa da produção artística maranhense integra o compromisso editorial deste veículo com a memória cultural, a literatura e a música. O apoio à mobilização representa uma contribuição para ampliar a circulação de informações sobre o movimento e dar visibilidade aos artistas que o integram.
VÍDEOS-BÔNUS
Henrique Duailibe
CHIQUINHO FRANÇA
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