POR LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ
São João Batista é uma das figuras mais importantes do cristianismo. Segundo a tradição cristã, ele foi o profeta que anunciou a chegada de Jesus Cristo e realizou seu batismo no rio Jordão. Por isso é chamado de “Batista”. Sua festa é celebrada em 24 de junho, data que comemora seu nascimento — algo incomum, pois a maioria dos santos é lembrada no dia de sua morte.
As festas de São João foram trazidas pelos portugueses e, ao longo dos séculos, se misturaram às tradições indígenas e africanas. Dessa combinação nasceram manifestações culturais típicas do Maranhão, como o Bumba Meu Boi, o Tambor de Crioula, o Cacuriá e as Danças Portuguesas.
As festas de junho têm raízes antigas na Europa, associadas às celebrações do período das colheitas e do solstício de verão no hemisfério norte. Com a cristianização dessas tradições, elas passaram a homenagear Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). Os portugueses trouxeram essas festas para o Brasil, onde elas se misturaram com influências indígenas e africanas.
Enquanto em muitos estados nordestinos a quadrilha é a principal atração, no Maranhão o destaque é o Bumba Meu Boi, considerado um símbolo da identidade maranhense. A brincadeira reúne música, dança, teatro, artesanato e religiosidade em uma celebração coletiva que envolve comunidades inteiras.
A IGREJINHA DE SÃO JOÃO BATISTA DE VINHAIS VELHO
Pelas fontes encontradas em seus documentos, a atual Igrejinha de São João Batista de Vinhais Velho tem uma história muito antiga, ligada às primeiras aldeias indígenas e às missões religiosas da Ilha de São Luís. A antiga aldeia de Uçaguaba, depois chamada de Aldeia da Doutrina, foi transformada em vila no século XVIII. Em 1757, foi criada a freguesia de São João Batista de Vinhais, consolidando a devoção ao santo como referência central da comunidade local.
Há ainda registros que associam o local às primeiras missões religiosas da região, cuja igreja remonta ao início da colonização francesa e, posteriormente, à atuação dos jesuítas. A devoção a São João Batista permaneceu como marca da identidade religiosa de Vinhais ao longo dos séculos.
Segundo os documentos encontrados, a comunidade cristã São João não apenas cresceu em torno da igreja, mas também nasceu perto de seu próprio batistério. A festa junina local integra a chamada “Festa das Águas”, realizada em junho em homenagem a São João Batista, mostrando viva uma tradição que atravessa gerações.
Além disso, a devoção ao santo se conecta ao ciclo de São João maranhense. Muitos grupos de Bumba Meu Boi fazem promessas e homenagens a São João, e o período junino se tornou uma expressão da identidade cultural e comunitária do Maranhão.
Em resumo, São João Batista é celebrado em Vinhais Velho por duas razões inseparáveis: sua importância religiosa como precursor de Cristo e sua ligação histórica com uma das mais antigas comunidades da Ilha de São Luís, cuja paróquia existe desde o século XVIII.
A ALDEIA INDÍGENA DE UÇAGUABA
A história de Uçaguaba, hoje conhecida como Vinhais Velho, é uma das mais antigas da Ilha de São Luís e ajuda a compreender não apenas a origem da Paróquia de São João Batista, mas também a própria formação histórica do Maranhão.
Antes da chegada dos europeus, existia na região uma aldeia indígena chamada Uçaguaba. Alguns estudiosos explicam que o nome deriva de termos indígenas relacionados ao consumo de caranguejos, abundantes na área de manguezais da Ilha. A importância dessa aldeia era reconhecida desde os primeiros registros coloniais, sendo uma das aldeias mais importantes da Ilha de Upaon-Açu, atual Ilha de São Luís.
Quando os franceses chegaram ao Maranhão, em 1612, encontraram a aldeia já estabelecida. Os cronistas franceses Claude d’Abbeville e Yves d’Évreux registraram visitas ao local. Na época, a aldeia já era conhecida como Miganville, em referência ao intérprete francês David Migan, que mantinha relações estreitas com os indígenas da região desde 1594.
A PRESENÇA FRANCESA E AS PRIMEIRAS MISSÕES
Após a fundação da França Equinocial em 1612, missionários capuchinhos franceses visitaram Uçaguaba. O local tornou-se um ponto importante de contato entre europeus e indígenas. Depois da expulsão dos franceses e da consolidação do domínio português, os jesuítas assumiram a evangelização da região.
Nesse período, a antiga aldeia passou a ser chamada de Aldeia da Doutrina, porque ali funcionava uma missão religiosa destinada à catequese indígena. Documentos históricos citam a povoação também como São João dos Poções, denominação associada à devoção a São João Batista.
A TRANSFORMAÇÃO EM VILA DE VINHAIS
No século XVIII ocorreu uma grande mudança. Durante as reformas do Marquês de Pombal, os jesuítas foram expulsos dos domínios portugueses. Em consequência, várias aldeias missionárias foram reorganizadas administrativamente.
Em 1º de agosto de 1757, a Aldeia da Doutrina foi elevada à categoria de vila, recebendo o nome de Vila Nova de Vinhais, inspirado na localidade portuguesa de Vinhais. A nova vila deveria possuir administração própria, funcionando como uma unidade político-administrativa de São Luís.
O SURGIMENTO DA PARÓQUIA DE SÃO JOÃO BATISTA
Junto com a criação da vila foi instituída a Freguesia (Paróquia) de São João Batista de Vinhais, por determinação derivada da Resolução Régia de 13 de julho de 1757. A igreja local tornou-se o centro religioso da nova comunidade.
Por essa razão, São João Batista passou a ser não apenas o padroeiro religioso, mas também um símbolo da identidade histórica da povoação. A paróquia figura entre as mais antigas do Maranhão ainda em atividade.
SÉCULOS DE PERMANÊNCIA
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, Vinhais foi uma comunidade indígena, agrícola e pesqueira importante. Documentos históricos mostram a presença de oficiais, produção agrícola, pesca e intensa participação da população indígena na economia regional.
Em 1835, a antiga vila foi incorporada ao município de São Luís, perdendo sua autonomia administrativa. Apesar disso, a igreja continuou exercendo papel central na vida comunitária e preservando a tradição religiosa local.
A FESTA DE SÃO JOÃO EM VINHAIS VELHO
A celebração de São João Batista em Vinhais Velho não é apenas uma festa junina comum. Ela reúne mais de dois séculos e meio de história religiosa. A devoção ao santo vem desde a formação da freguesia no século XVIII e se enraíza às tradições locais maranhenses, especialmente as manifestações culturais que homenageiam São João, como o Bumba Meu Boi.
Segundo os documentos encontrados, a comunidade também associa a tradição junina à chamada Festa das Águas, realizada em junho em honra a São João Batista.
Uma das localidades mais antigas de São Luís
Em resumo, a sequência histórica foi:
Uçaguaba — antiga aldeia indígena pré-colonial.
Miganville — denominação usada durante o período francês.
Aldeia da Doutrina / São João dos Poções — missão religiosa jesuítica.
Vila Nova de Vinhais (1757) — elevação à categoria de vila.
Paróquia de São João Batista de Vinhais — criada em 1757 e preservada até hoje.
Vinhais Velho atual — bairro histórico de São Luís e guardião dessa memória secular.
Por isso, quando se pensa na Igrejinha de São João Batista de Vinhais Velho, não se está apenas diante de um templo antigo: está-se diante de um dos mais antigos marcos vivos da ocupação indígena, francesa, jesuítica e portuguesa da Ilha de São Luís.
Vale relembrar Domingo poético: Manoel Serrão & João Batista do Lago
Colunistras FT Joizacawpy Costa, colunista do Facetubes, escreve sobre a 1 FELICAM
CACURIÁ “Você conhece o Cacuriá? Vamos cacuriar?” Renata Barcellos (BarcellArtes)
Convidados A poeta Marise Manoel: da natureza afável dos “sims” ao mergulho profundo na geografia do “não”.
Madalena Pizzatto Madalena Pizzatto e a delicadeza dos oito segundos. Um ponto raro da trova social: a denúncia sem discurso
Histórias Mais uma deliciosa historieta de Dino de Alcântara: “LEITE NA BOQUINHA” Mín. 13° Máx. 21°
Mín. 13° Máx. 17°
ChuvaMín. 13° Máx. 22°
Chuvas esparsas
Colunista Socorro Guterres Mais um texto que merece aplausos. De Socorro Guterres: “Luzeiro - Eppur si muove ”
Dr. Luis Augusto Guterres De Luis Augusto Guterres:“Ir. ITAICI SOBRAL, PATRIMÔNIO MARISTA”
Coronel Carlos Furtado Do historiador Carlos Furtado:“Moisaco de Cores, Ritmos e Tradições”
Coluna de RUY PALHANO Dr. Ruy Palhano: “A banalização do sofrimento e a espetacularização da dor”