Capítulo 27
Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira é Vice-Presidente Nacional da APB.
O REVERSO DA MEDALHA
Tudo começou quando aquele jovem advogado foi ao interior trabalhar para defender os interesses de um cliente.
No contato pessoal viu que se tratava de herança usurpada. Eram terras que foram parar em mãos de um tio inescrupuloso do cliente. Acertaram que seus honorários seriam pagos quando fossem restabelecidos seus direitos e que os receberia quando vendida uma parte dos bens.
O advogado elaborou ali mesmo uma petição, pedindo vista ao processo para lutar pela devolução do patrimônio do legítimo dono; ficara-lhe, como bens, apenas a família e vivendo do que pescava e caçava e da pequena agricultura familiar. Quando fossem reparados seus direitos de propriedade, seria um homem rico, pois dele foram tomadas muitas terras, fazendas e gado, e ele era filho único.
Desarquivado o processo para atender ao pedido do advogado, este o levou para o seu escritório na capital, leu e concluiu pela legitimidade dos direitos do contratante.
Trabalhou no processo junto ao Tribunal, apresentando seus argumentos, e conseguiu anular a sentença, tendo sido devolvidos todos os direitos de propriedade ao seu cliente como herdeiro único e legítimo do pai.
Voltou ao interior acompanhando do Oficial de Justiça para reintegrá-lo na posse e propriedade dos bens. Recebeu como pagamento inicial um almoço super gostoso com as delicias do sertão. Foi nesse momento, que contemplou uma jovem filha do casal, e da troca de olhares recíprocos, nasceu um romance entre os dois.
Conversaram e ele lhe deu o número de seu telefone para que ela ligasse. Com a missão cumprida, voltou para a capital e ficou no aguardo de um telefonema da moça, o que não ocorreu. Quinze dias depois, ele arrumou um pretexto para voltar ao interior, e, em ali chegando, conversou com a jovem, de 18 anos, e lhe disse que não conseguiu esquecê-la e queria namorar com ela, no que ela concordou, dizendo-lhe que também não o afastara do seu pensamento. Iriam comunicar ao seu pai, com o que ela consentiu. Estando o pai de acordo, despediu-se o advogado informando-lhe que voltaria dentro de uns 15 dias para visitar a namorada.
No tempo prometido, voltou, informando aos pais dela que dentro de alguns meses retornaria para noivar, no que todos concordaram. O pai da sua namorada lembrou-lhe que não se esquecesse de que ela era pobre e ele doutor, ao que este acrescentou que, quanto a isso não se preocupasse, pois eles se amavam. Lembrou-lhe também que ele agora era homem de muitas posses.
Ao voltar para noivar, marcaram casamento para daí a um ano. O futuro sogro agradeceu-lhe esse prazo, pois poderia contar com a ajuda da comadre, que era professora universitária na capital, e onde a afilhada sempre passava férias escolares. Ali ela esperaria o momento para preparar-se para um vestibular de medicina que era o seu sonho de moça estudiosa e ávida por leitura.
A madrinha a acolheria, e a prepararia para ser esposa, e boa dona de casa e lhe compraria o enxoval necessário. Ele, o pai, mandaria dinheiro para essas despesas. Vendera parte de uma propriedade, inclusive com essa venda comprou uma casa melhor e a mobiliou e ainda pagara os honorários do advogado, que já noivo não estava querendo receber, tendo o futuro sogro esclarecido que pelo seu trabalho, fizera jus.
Com a ida da noiva para a casa da madrinha na capital, o casal ficou feliz, pois poderia se ver com mais frequência, o que ocorreu graças à simpatia recíproca que nascera entre todos. A madrinha, que amava muito a afilhada, tratou de ensinar-lhe as boas regras de etiqueta. Quando o noivo disse aos pais que desejava leva-la à casa paterna para que a conhecessem, eles não ficaram satisfeitos, pois queriam que ele casasse com uma moça do status social deles, e não com uma “caboclinha do interior”, e que os seus pais deveriam ser uns ignorantes. Ficaram surpresos quando a conheceram. Durante o jantar, que constava de um cardápio variado, ficaram espantados quando viram a sua desenvoltura à mesa e também em uma boa conversa. A madrinha a orientou muito bem. Tinham se enganado e modificaram sua forma de tratamento. Mesmo assim não estavam satisfeitos.
A moça vira nos pais do noivo pessoas de classe alta, que moravam em casa belíssima e frequentavam alta rodas onde eram figuras constantes das crônicas sociais. Felizmente, ela agora era filha de fazendeiro o que modificava um pouco o quadro. Com o passar de alguns meses, o noivo que sempre a levava para jantar em restaurantes caros, e festas em clubes sociais, e tudo como convidados pelos futuros sogros, com o tempo foi modificando essas atenções.
O fazendeiro, bem-sucedido, era homem de bem, evangélico; e a exemplo do Isaque bíblico, “semeou naquelas terras e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Senhor o abençoou” (Livro de Gênesis, 26: v.12). Seus rebanhos também cresciam e tudo que fazia prosperava, graças ao seu tino para desenvolver a agropecuária e os negócios.
Vindo à capital, conheceu os futuros sogros da sua filha que, segundo ele já sabia, eram considerados ricos e de alta classe. Vendo o que estes possuíam, teve muito cuidado no trato com eles, pois percebeu que estavam exibindo coisas, tais como obras de artes que ele nem conhecia, talvez para constrangê-lo. Porém, conversando com os compadres, eles lhe disseram sobre boatos na cidade, que eles estavam indo à falência. A noiva, então, entendeu o porquê da ausência dos restaurantes caros.
Os pais tinham prometido ao filho, como presente de casamento, um apartamento, que não puderam honrar, e contou-lhe o pai que sua situação financeira estava precaríssima. Tinha até receio de perder a casa. Estavam vivendo só de aparências. Daí, porque, até a viagem de lua de mel que ele prometera não poderia dar também.
Ao saber da situação financeira dos futuros sogros, a filha combinou com eles que o casamento seria em cerimônia simples, sem qualquer ostentação, com a presença dos familiares e amigos mais próximos. Assim, aconteceu. A viagem da lua de mel foi patrocinada pelos padrinhos da noiva.
Quando retornaram, o filho notou que os pais tinham despedido o motorista e outros empregados, só deixando uma antiga doméstica. Não tinham mais nem crédito na praça e deviam urgentemente honrar o pagamento de um empréstimo bancário e não tinham como fazê-lo. Os “amigos” desapareceram e eles estavam economizando até na assinatura de canais de TV e internet. O pai da sua nora que chamara inicialmente de “cabocla do interior e caipira” ao tomar conhecimento da situação pela qual passavam, se dispôs a ajudá-los, o que fez com alegria, pois gostava muito do seu genro e agora eram uma só família.
Os ex-ricos sogros tiveram que vender sua mansão, compraram uma casa bem menor em um condomínio, onde uma empregada bastaria para tudo. Venderam as obras de arte e assim iam vivendo, não perdendo o contato com o filho e a nora que estavam sempre atentos às suas necessidades.
E Deus agraciou a nova família constituída, dando-lhes filhos bonitos e saudáveis. A jovem esposa, já estava cursando Universidade, e o seu marido estava sendo muito bem-sucedido como advogado. Os seus filhos viajavam com eles com viagens bancadas pelo vovô caipira, pois os vovôs paternos embora os amassem muito, não tinham condições, e viviam só do passado.
Os laços familiares foram se fortalecendo graças à nora. Quando iam à fazenda convidavam os sogros, que passaram a admirá-la e a sua família. Eram bem recebidos com toda consideração. Em uma viagem em que a família da jovem esposa foi a Disney levar as crianças, os pais do jovem advogado foram também a convite do fazendeiro. E com isso curtiram o passeio e a diversão dos seus netos. “O verdadeiro amigo é aquele que chega quando todos já se foram”...mas há amigo mais chegado do que um irmão. (Prov.18:24)” .
O autor, em foto abaixo:

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