Infiéis e levianas
Eu as vi passar... Lindas e delicadas
Exóticas princesas
De tez veludada
Silenciosas como anjos
Suave beleza pairou na terra
Davam amor a quem escolhiam
Sem nenhum preconceito!
Exibiam-se ao sol
Sem vergonhas, nem temores
Florescendo em cores
Realizando seus sonhos...
Aparentavam ter nascido assim:
Livres, soltas, desembaraçadas,
Descomprometidas!
Sem paradeiro fixo
Festeiras, fujonas alvissareiras...
Belas Interesseiras!
Ah, se soubessem das dores
De quando pupa inocente!
Das marcas do imago, Cicatrizadas...
Dos sofrimentos psíquicos das larvas
Na prisão de espaço mínimo
Da escuridão sem espelhos
Da rastejante anônima,
Ainda nforme, "desprezível"...
Das "intransponíveis" paredes
Dos casulos úmidos
Verdadeiros Mosteiros
Misteriosa doutrina...
Eu as vi! Linda nuvem!
Celebravam a virada dos tempos
Vinham trazidas pelo vento
Um provento visionário
De largos horizontes..
Pairavam pelas estradas
Sem reservas, nem medo
De beijar às pressas
De trocar carícias e afagos
Nas praças ou nos largos
Nos ricos jardins cercados
Ou nas cercas de mato
Formadas à beira dos lagos...
Beberam o que de mais doce
Lhes foi generosamente ofertado
Sem supor o preço
Que lhes seria cobrado
Embriagaram-se em
Cálices de pétalas
Nas estalagens macias
Sacodiam-se adultas
Frutas amadurecidas
Prontas para o amor...
Num vestir glamouroso
Qual saias rodadas as asas ofuscavam seus corpos pequenos
Riam da vida de modo gostoso
Cheias da Sidra
Numa feliz algazarra
Deixando a beleza por rastro
Instigando outros seres
Como se fossem astros...
Caçadores as seguiam
Num anelo obscuro
Ávidos por detê-las
Juravam "eternizá-las"
Perto de seus olhos...
A existência plenificada
Seria imagem emoldurada!
Beleza empalhada
Por um colecionador ...
Ah, como foram perseguidas
As "infiéis e levianas borboletas"!
Santas e discretas
Como as raparigas sem paradeiro
Exibiam-se libertas
Das mazelas da solidão!
A linda panapaná se Esparramava com Leveza e humildade
Confrontando a castidade falsa
De toda a cidade
Bulindo por todo canto
Mas agindo sem paridade...
Nem esperou o sol se pôr
Fez - se igual um beija-flor
Foi acariciando pares,
Fazendo juras de amor
Promovendo delírios
beijando a quem quis...
Por instinto ou ciente
Que jamais voltará
Partiu sem despedidas, sem culpas e sem chorar...
Élle Marques
25 setembro 2020
Praia da Enseada, São Francisco do Sul/SC

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