Capítulo 28
Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira
Vice-Presidente Nacional da APB
A NOIVA, O PET E OS HERÓIS DO EVENTO
Foi uma trajetória bonita daquele casal de jovens, com exemplo de fidelidade recíproca e bem construída ao longo de vários anos escolares. Quando colassem grau, noivariam. Ele estava terminando o Curso de Economia. Ela, o de Letras. Antes de concluídos os cursos, já se preparavam para concursos públicos. No primeiro concurso, foram aprovados e chamados para assumir.
Noivaram. Como presente, o jovem, além do anel, deu para a noiva um cãozinho, cuja fidelidade canina representaria para ela o sinal de sua fidelidade também. Tratava-se de um Shih-Tzu. Ela ficou encantada com o presente. Era uma raça de pequeno porte, muito amoroso e que a acompanhava por onde ela fosse. Dormia em uma caminha de luxo junto de sua cama. Quando a moça, em sua casa, recebia o noivo, ele ficava junto aos pés dos dois. - Amor, perguntou-lhe o rapaz de certa feita, quando casarmos este cachorrinho vai conosco, certo? - Ele já é nosso primogênito, respondia a moça sorrindo.
Com o anseio de formarem uma família, foram ao Pastor da Igreja para marcarem a data do casamento, e na oportunidade comunicaram ao Reverendo que levariam um cãozinho, para o momento do casamento que eles entendiam como símbolo de fidelidade. Ao que o Pastor lhes lembrou o contido em Provérbios 31:11 e 12: - “O marido confia nela totalmente, e nunca lhe faltará coisa alguma. (v.11); ela lhe faz bem, todos os dias de sua vida, e não mal (v.12) ”. Isto é fidelidade, destacou o Pastor e sugeriu que eles declarassem na hora dos votos o porquê da presença do animalzinho, pois a inovação, com certeza, quebraria o protocolo dos matrimônios em sua Igreja.
No dia da celebração do casamento, para espanto de todos, a noiva entrou pontualmente na hora definida nos convites. Os convidados estavam impressionados com essa pontualidade e mais surpresos ainda ficaram quando perceberam que a noiva era conduzida duplamente: por um lado encontrava-se o seu pai e do outro, um lindo cãozinho.
Os convidados acharam muito engraçado aquele pet que seguia de fraque, gravatinha e cravo no bolso, e escutava-se: Oh! Que lindinho! Oh! Que fofo! Parece que entende a importância da solenidade.
O cachorrinho se posicionou em seu lugar pré-determinado, e todos ficaram impressionados com o seu adestramento.
Iniciada a cerimônia, tudo corria muito bem, até o momento em que um gato de rua adentrou na Igreja. Foi aí que o tumulto começou, afinal cão e gato não se entendem e essa imprevisibilidade não foi considerada. O doce cachorrinho eriçou todo o seu pelo e, de repente, o seu lugar ficou vazio, pois como uma bala disparou atrás do seu alvo. Nessa corrida, rasgou um vestido longo de uma madrinha, derrubou um lindo arranjo de flores e desconectou os cabos do cinegrafista, que ficou irritado.
Começou a gritaria na Igreja para não deixar o cãozinho sair do Templo, pois poderia ser atropelado, e a noiva começou a gritar desesperada para fecharem a porta da igreja, o que já era tarde demais, pois o pet já se encontrava na calçada, totalmente surdo aos apelos para que parasse. Convidados, de paletó, corriam atrás do cachorro, outras tiravam os sapatos para tentar resgatar o Shih-Tzu que parecia encapetado, pois não ouvia ninguém; afinal, queria alcançar o gato.
Crianças começaram a se largar dos pais para entrar na grande curtição do resgaste. Corriam atrás dos animais; mas desesperada ficava a noiva e, por conseguinte, o noivo também que tentava acalmá-la.
O pipoqueiro, o vendedor de cachorro-quente e o locador de patins, da praça, entraram na tentativa do resgate. E eis que de repente, o gato resolveu parar e encarar o seu perseguidor prometendo-lhe bons arranhões. Era uma mistura de latidos e miados. E foi nesta oportunidade que o pipoqueiro pulou em cima do gato e se tornou o herói do evento.
A noiva, já na rua com buquê de flores e sapatos em mãos, chorava pedindo para alguém pegar o seu "filho". De repente, aparece uma garotinha toda orgulhosa, descabelada, de uns dez aninhos, com o vestidinho de tafetá todo sujo das patas do Shih-Tzu, e com as meias finas rasgadas e sapatinhos ralados, e o entrega à noiva como um troféu, e esta agradece toda feliz.
Com os ânimos acalmados, o Sacerdote retomou a cerimônia, desta feita sem o cachorrinho presente, que já se encontrava sem fraque, todo desarrumado e a caminho de casa da noiva levado pelo motorista da família. Os convidados já tranquilos, o pastor, explicou o porquê da presença do cãozinho na cerimônia, destacando que a sua presença representava a simbologia de fidelidade, conforme foi colocado pelos noivos quando o procuraram para marcarem data do casamento.
À hora dos votos, de viva voz, os noivos reiteraram o porquê da presença do cachorrinho, fazendo a seguinte declaração: - "O nosso cãozinho, por seu exemplo de fidelidade a nós, é o protótipo da fidelidade recíproca que estamos firmando para toda a nossa vida. Em seguida, selaram a união com o célebre SIM. O final feliz do casamento continuou durante a recepção, cujo assunto em todas as mesas foi a do heroísmo do pipoqueiro, e da garotinha no resgaste que proporcionou um final feliz ao evento e motivos suficientes para que a recepção fosse tão animada.
Abaixo, foto do autor.

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