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Edomir Martins de Oliveira: "A Noiva, o Pet e os herois do evento"

28/09/2020 12h12
Por: Mhario Lincoln

Capítulo 28

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da APB

 

Ilustração: ML

A NOIVA, O PET E OS HERÓIS DO EVENTO

 

         Foi uma trajetória bonita daquele casal de jovens, com exemplo de fidelidade recíproca e bem construída ao longo de vários anos escolares. Quando colassem grau, noivariam. Ele estava terminando o Curso de Economia. Ela, o de Letras. Antes de concluídos os cursos, já se preparavam para concursos públicos. No primeiro concurso, foram aprovados e chamados para assumir.

         Noivaram. Como presente, o jovem, além do anel, deu para a noiva um cãozinho, cuja fidelidade canina representaria para ela o sinal de sua fidelidade também. Tratava-se de um Shih-Tzu. Ela ficou encantada com o presente. Era uma raça de pequeno porte, muito amoroso e que a acompanhava por onde ela fosse. Dormia em uma caminha de luxo junto de sua cama. Quando a moça, em sua casa, recebia o noivo, ele ficava junto aos pés dos dois. - Amor, perguntou-lhe o rapaz de certa feita, quando casarmos este cachorrinho vai conosco, certo?  - Ele já é nosso primogênito, respondia a moça sorrindo.

                     Com o anseio de formarem uma família, foram ao Pastor da Igreja para marcarem a data do casamento, e na oportunidade comunicaram ao Reverendo que levariam um cãozinho, para o momento do casamento que eles entendiam como símbolo de fidelidade. Ao que o Pastor lhes lembrou o contido em Provérbios 31:11 e 12: - “O marido confia nela totalmente, e nunca lhe faltará coisa alguma. (v.11); ela lhe faz bem, todos os dias de sua vida, e não mal (v.12) ”. Isto é fidelidade, destacou o Pastor e sugeriu que eles declarassem na hora dos votos o porquê da presença do animalzinho, pois a inovação, com certeza, quebraria o protocolo dos matrimônios em sua Igreja.

         No dia da celebração do casamento, para espanto de todos, a noiva entrou pontualmente na hora definida nos convites. Os convidados estavam impressionados com essa pontualidade e mais surpresos ainda ficaram quando perceberam que a noiva era conduzida duplamente: por um lado encontrava-se o seu pai e do outro, um lindo cãozinho.

         Os convidados acharam muito engraçado aquele pet que seguia de fraque, gravatinha e cravo no bolso, e escutava-se: Oh! Que lindinho! Oh! Que fofo! Parece que entende a importância da solenidade.

         O cachorrinho se posicionou em seu lugar pré-determinado, e todos ficaram impressionados com o seu adestramento.

         Iniciada a cerimônia, tudo corria muito bem, até o momento em que um gato de rua adentrou na Igreja. Foi aí que o tumulto começou, afinal cão e gato não se entendem e essa imprevisibilidade não foi considerada. O doce cachorrinho eriçou todo o seu pelo e, de repente, o seu lugar ficou vazio, pois como uma bala disparou atrás do seu alvo. Nessa corrida, rasgou um vestido longo de uma madrinha, derrubou um lindo arranjo de flores e desconectou os cabos do cinegrafista, que ficou irritado.

         Começou a gritaria na Igreja para não deixar o cãozinho sair do Templo, pois poderia ser atropelado, e a noiva começou a gritar desesperada para fecharem a porta da igreja, o que já era tarde demais, pois o pet já se encontrava na calçada, totalmente surdo aos apelos para que parasse. Convidados, de paletó, corriam atrás do cachorro, outras tiravam os sapatos para tentar resgatar o Shih-Tzu que parecia encapetado, pois não ouvia ninguém; afinal, queria alcançar o gato.

         Crianças começaram a se largar dos pais para entrar na grande curtição do resgaste. Corriam atrás dos animais; mas desesperada ficava a noiva e, por conseguinte, o noivo também que tentava acalmá-la.

         O pipoqueiro, o vendedor de cachorro-quente e o locador de patins, da praça, entraram na tentativa do resgate. E eis que de repente, o gato resolveu parar e encarar o seu perseguidor prometendo-lhe bons arranhões. Era uma mistura de latidos e miados. E foi nesta oportunidade que o pipoqueiro pulou em cima do gato e se tornou o herói do evento.

         A noiva, já na rua com buquê de flores e sapatos em mãos, chorava pedindo para alguém pegar o seu "filho".  De repente, aparece uma garotinha toda orgulhosa, descabelada, de uns dez aninhos, com o vestidinho de tafetá todo sujo das patas do Shih-Tzu, e com as meias finas rasgadas e sapatinhos ralados, e o entrega à noiva como um troféu, e esta agradece toda feliz.        

         Com os ânimos acalmados, o Sacerdote retomou a cerimônia, desta feita sem o cachorrinho presente, que já se encontrava sem fraque, todo desarrumado e a caminho de casa da noiva levado pelo motorista da família.  Os convidados já tranquilos, o pastor, explicou o porquê da presença do cãozinho na cerimônia, destacando que a sua presença representava a simbologia de fidelidade, conforme foi colocado pelos noivos quando o procuraram para marcarem data do casamento.

         À hora dos votos, de viva voz, os noivos reiteraram o porquê da presença do cachorrinho, fazendo a seguinte declaração: - "O nosso cãozinho, por seu exemplo de fidelidade a nós, é o protótipo da fidelidade recíproca que estamos firmando para toda a nossa vida. Em seguida, selaram a união com o célebre SIM. O final feliz do casamento continuou durante a recepção, cujo assunto em todas as mesas foi a do heroísmo do pipoqueiro, e da garotinha no resgaste que proporcionou um final feliz ao evento e motivos suficientes para que a recepção fosse tão animada.

 

Abaixo, foto do autor.

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Edomir Martins de OliveiraHá 6 anos atrásSao Luis-MAMais uma abençoada semana com a obsequiosa atenção dos leitores e comentaristas. Muito obrigado. Sonia Lucas, o Ricardinho foi do Colégio Batista, não? Obrigado aos que me honram com o titulo de Pastor, quem dera o fosse, sou com muito orgulho Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Marcia Lima dos SantosHá 6 anos atrásSão Luís Os convidados acharam muito engraçado aquele pet que seguia de fraque, gravatinha e cravo no bolso, e escutava-se: Oh! Que lindinho! Oh! Que fofo! Parece que entende a importância da solenidade. RARARA RARARA Isso dá filme, Edomir
Karla BraidertHá 6 anos atrásPiratiningaEdomir, você cada vêz mais sábio. Ta brabo meu tempo. Mas dá pra ver no fim de semana. Um abraço sabendo que aqui em Piratininga, teve casamento igualzinho.
Sonia Lucas. ImperatrizHá 6 anos atrásMãe de Ricardinho, colega de Junior. Lembra?Eita professor. Nunca vi tanta criatividade....
Lucinha MariaHá 6 anos atrásRio Grande do NorteQuando estive na Índia, professor, vi um elefante gigante entrar na igreja carregando os noivos. Alguma coisa apavorou o elevante e ele deu uma trombada num lustre e derrubou tudo. Só não houve morte por milagre. Me lembrei dessa.
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