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EXCLUSIVO: "Até furtos acontecem nos grandes casamentos", de Edomir Martins de Oliveira

05/10/2020 09h45
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Por: Mhario Lincoln

Capítulo 29

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Nacional da APB

 

ATÉ FURTOS ACONTECEM NOS GRANDES CASAMENTOS

 

Era um casamento de moça grã-fina. O pai da noiva muito rico cuja fortuna foi alcançada no mercado financeiro. Proporcionaria para a filha um casamento inesquecível. 

A Igreja seria ricamente adornada; os decoradores trariam flores, lindas e resistentes, todas naturais. Igualmente o salão de recepção seria ricamente adornado. Ostentariam, afinal faziam parte do clube dos "novos ricos'.

Seria oferecido aos convidados um buffet primoroso, incluindo lagosta e caviar, vinhos e uísques importados. Refrigerantes e sucos naturais seriam servidos à vontade, e ao final um belíssimo bolo de noiva, com docinhos finíssimos.

O cerimonial estaria se esmerando, e juntamente com os decoradores cumpririam as exigências pactuadas com os pais da noiva. Havia também sido contratado para o evento um cinegrafista/fotógrafo melhor do Estado.

O imprescindível era que tudo fosse bem fotografado e filmado para alegria dos familiares, sempre que desejassem rememorar essa bela cerimônia. O pai era muito centralizador e controlador de toda a família. Quando o casal foi ao Sacerdote para marcar data e hora do matrimônio, ele estava ali presente dizendo que queria dar uma generosa contribuição para a Igreja.

Sabia que Igreja estava passando por reformas e que essa doação permitiria que a obra seguisse normalmente, sem interrupções e concluídos os serviços até a data do casamento. 

O Sacerdote ficou feliz, pois, daria para concluir a obra toda prevista para a casa do Senhor. E assim foi feito.

A cerimônia transcorreu como ele desejou e como estava prevista. O pai, orgulhosamente, conduziu a filha até onde o noivo a aguardava, pedindo-lhe apenas que zelasse pela joia que ele estava lhe entregando.

O casamento dos sonhos, estava correndo na forma desejada. O cinegrafista/fotógrafo era fiel cumpridor de suas obrigações. Iniciou desde cedo a registrar o dia da noiva. Acompanhou-a na entrada triunfal no templo, tendo o cuidado de registrar tudo. Poderia ter delegado aos seus auxiliares alguns registros, mas o pai da noiva exigiu a inclusão de uma cláusula no contrato explicitando que todas as fotos teriam que ser efetuadas pelo próprio fotógrafo. Não se importou de pagar bem mais caro, pois esses registros, não tinham preço.

Quando o Sacerdote declarou os noivos casados em nome da Igreja e da Lei, a cerimônia foi encerrada e mais fotos e imagens lindas foram efetuadas na saída da Igreja, que tinha vista para o mar e era uma bela noite de lua cheia. Em sequência, os convidados se deslocaram para o magnífico salão onde seriam recepcionados. Que felicidade estavam os pais!!

Nova série de fotografias e filmagens foram realizadas no salão da recepção lindamente decorado. Flashes explodiam a todo momento em frente aos noivos e em todas as mesas.

Os pais, radiantes, já imaginavam todas as colunas sociais que estampariam essas fotos deles ao lado dos convidados VIPS, mesmo que esses não fizessem parte dos seus amigos íntimos. O importante para família seria posar com esses ricos e famosos, para mostrar que além de endinheirados, tinham atingindo também ascensão social. O grande espaço destinado para dança estava animadíssimo, pois os convidados não paravam de dançar ao ritmo da banda que os pais haviam contratado diretamente de São Paulo, a peso de ouro.

E o fotografo/cinegrafista já havia registrado também diversos momentos dessa alegria. O importante ali era ser feliz e compartilhar da felicidade ali fielmente retratada. 

Após realizar mais de duas mil fotos e registrado todos os momentos nos mínimos detalhes em alta resolução, o fotógrafo parou um pouco para descansar. Colocou o seu valioso equipamento em cima de algumas cadeiras da mesa onde se sentou. Foi então que aconteceu um incidente de enlouquecer qualquer profissional zeloso, e muito mais ainda o contratante do serviço. Após os dez minutos de descanso, onde ele tomou água, se alimentou e curtiu uma prosa com alguns convidados, foi pegar o seu equipamento a fim de voltar ao trabalho, mas para o seu desespero tudo havia sumido por completo.

 Ninguém viu?? Nem mesmo seus auxiliares? Mas é bem verdade que esses estavam também descansando, porém em outra mesa, mais distante. O que fazer agora? Foi ao pai da noiva, e comunicou o que havia ocorrido. Havia alguém entre os convidados que não era confiável e certamente se aproveitou do espaço lotado da dança para escoar mais facilmente o furto. 

O pai da noiva disse-lhe que entre os convidados não havia nenhum ladrão. No auge de sua euforia, depois de tomar algumas doses de uísque, afirmou que indenizaria o equipamento, mas que ele desse o jeito dele de cumprir o contrato. Exigência que só o álcool faz. 

O pobre profissional chegou a lhe sugerir que mandasse fechar as portas e que não saísse ninguém sem que a polícia chegasse e vistoriasse o local, o que ele não concordou seria uma afronta aos convidados. Ter fotos dos noivos era importante e, mais ainda sair em fotos junto dos VIPS. Os apuros em que o profissional estava metido eram enormes.

A noiva foi chamada para receber a notícia e começou a chorar copiosamente. Meses e meses planejando para que tudo saísse perfeito, e os registros levados por um (a) ladrão (a) ou cleptomaníaco (a). Desejou subir ao palco e falar a todos o ocorrido, na esperança que alguém tivesse visto (a) o “mão leve”. O pai explicou que isso arruinaria o casamento perfeito. 

Só restou ao zeloso cinegrafista apelar aos assistentes que fizeram fotos secundárias, haja vista que as principais eram contratualmente de reponsabilidade do chefe, e apelar também aos convidados, indo de mesa em mesa, contando do que fora vítima. Pedia que se tivessem fotos e filmagens do casamento, lhe cedessem, para que pudesse produzir um filme e um álbum. 

Quanta humilhação! Tão renomado, nunca imaginou passar por tamanho vexame. Registros de seu trabalho com fotos e filmes de celular compactadas pelo WhatsApp? Sim, porque vários convidados se comprometeram em ceder-lhe o material que possuíam para ajudá-lo.

E eis que várias fotos e vários filmes chegavam. A maioria, teve que ser descartada pela péssima qualidade de enquadramento, ausência de um bom ângulo, sofrível luminosidade, etc. Três por cento, apenas, foi aproveitado. As fotos só poderiam ser impressas para o álbum bem pequenas, pois estavam em baixa resolução e se as aumentasse ficariam pontilhadas pelos pixels da imagem digital.

Chegou o dia de apresentar o trabalho à família. Arrasado, de cabeça baixa, o fotógrafo/cinegrafista não cabia em si de vergonha. A família achou que o tamanho pequeno das fotos apresentadas ocorria por serem apenas provas iniciais para depois as escolhidas seriam. E o fotógrafo/ cinegrafista explicou que aquelas não eram provas, mas as fotos que ainda conseguiu resgatar e que já estavam em tamanho máximo. A noiva não parava de chorar com essas informações e o pai procurava avidamente as fotos para os jornais, já desolado também porque os seus intentos de up grade social estavam de certa forma ameaçados com essas limitações das fotos. Que infortúnio! Pensavam pai e família.

-E o filme? Ficou bom?? Timidamente o fotógrafo/cinegrafista apresentou uma edição de vídeo pelo YouTube, que não estava em plena nitidez. E o pai, já altamente desolado imaginando suas sessões frustradas de apresentação do vídeo aos ricos e famosos, regados a jantares e bebidas chiques, perguntou: - quando projetarmos na TV ficará bom?? E novamente o agonizante profissional respondeu que não, que aquilo foi o máximo que conseguiu. A noiva retorna ao choro convulsivo e o pai desta feita a acompanha, chorando igual criança, não por ela, mas por ver os seus intentos de alpinista social frustrados. Sim, tinha a tristeza da filha também.

E quanto à mãe? Chorava pelos dois. E de repente a apresentação das fotos e filmes se tornou um vale de lágrimas intermináveis e até o profissional chorava, pois se sentia humilhado. Pensou em devolver o dinheiro, mas quando imaginava o quanto havia recebido, e 100% por antecipação, a fraqueza humana bateu e não teve forças para tocar no assunto.

 Os dois irmãos menores eram os únicos radiantes, pois não haveria mais reuniões sucessivas com familiares e convidados ricos e famosos para mostrar-lhes filmes e fotos do casamento. Haviam escapado dessas sessões de puxa-saquismo do pai. 

Restou ao fotógrafo/cinegrafista, evangélico, o consolo Bíblico contido em I Tessalonicenses 4:18­ ­– Portanto, consolai-vos uns aos outros....

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Foto abaixo do autor que em muitas ocasiões ele está presente aos enlaces.

 

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