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Homenagem  ao poeta João da Cruz e Sousa (Dante Negro ou Cisne Negro),

24/11/2025 10h08
Por: Mhario Lincoln

ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA.

 

Chopin, nós fomos fadados à eternidade. Pode até ser a mais miserável  possível, porém  temos um lugar nesse "tempo parado e sem fim"... 

Morremos de tuberculose e deixamos aquela existência de sofrimento e inspiração. Isso mesmo: inspiração gera sofrimento. 

Ser ser humano, bípede e biológico foi muito difícil. Eu quem o diga. Negro retinto, sofri preconceito de toda ordem, inclusive por  trabalhar como amanuense, entre trilhos de ferrovias e ser poeta, sobretudo alcoólatra inveterado. O preconceito sempre esteve me espezinhando... 

Ora, Cruz e Souza, também sofri, quando jogaram meu piano pela janela, mas entendo que tive  uma morte  gloriosa pela tuberculose rara. Fui amado, talvez por ser branco e pianista - poeta, com letras, suponho: magníficas. 

Nós  dois "gozamos"  do mesmo infortúnio. Ambos mortos, fomos  transportados em meio a animais.

O preconceito  era  grande. Seu esquife,  no vagão, em meio  aos bovinos, e eu, no porão  de um navio, que transportava  porcos e também equinos. Os dejetos no meu ataúde eram visíveis. Meu espírito leve e puro constatou a podridão... Porém, temos um "consolo": ficamos tísicos e  loucos. A realidade não era real...

Nossos corpos foram conduzidos em condições análogas. Sem frustração: somos o que somos, fomos o que fomos. Estamos aqui, agora, "curtindo" os louros da fama... Não tenho nenhum arrependimento pelo que fiz e pelo que não fiz...

Lembra? incomodavam-se com qualquer coisa que não fazia parte dos  parâmetros e modismos que achavam corretos... Constato tudo isso, agora. 

Pode ser  que o Eterno, tenha  piedade ou clemência de nós, e nos leve para  o céu,  e aí sim, poderemos  fazer o último  brinde com absinto, talvez verdadeiramente para vida. Contudo, muitos acharão,  ainda que vivemos para a morte, apesar das nossas construções artísticas que eles admiram tanto... Sem sentido, agora para nós, não é, amigo? 

É, você tem razão. Concordo em verso, prosa, luz e som - notas angelicais.

Obs: Homenagem  ao poeta João da Cruz e Sousa (Dante Negro ou Cisne Negro), que nasceu  em 24 de novembro de 1861. 

 

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