A escritora e produtora cultural, antologista, poeta maranhense que reside em Brasília e com um curriculo recheado de ótimas produções culturais, recebeu elogios do escritor e poeta internacional Pietro Costa, sobretudo, pela vigésima quarta Antologia que Nauza organiza. Ele participou de todas, desde a primeira "Fantasias de Amor" de 2021. O elogio também se referiu a mais um Sarau Poético.
PIETRO COSTA
@pietrocosta_poeta
SARAU ANTOLOGIAS BRASIL: SENSORIUM & FALANDO DE AMOR E AMIZADE. ORGANIZADORA DO SARAU E DAS ANTOLOGIAS: NAUZA LUZA MARTINS. PIETRO COSTA: 455 PUBLICAÇÕES EM OBRAS COLETIVAS. POEMA RECITADO: PALIMPSESTO DA ESCUTA
Na noite de 12 de setembro, durante o Sarau promovido por Nauza Luza Martins, tive a alegria de celebrar duas novas participações literárias, ambas pertencentes ao selo Antologias Brasil.
Com esses lançamentos, alcanço a marca de 455 participações em obras coletivas, uma trajetória feita de muitos encontros, geografias, vozes e, sobretudo, palavras compartilhadas.
Em Sensorium: A Fusão dos Sentidos, 1ª edição, Goiânia/GO, Antologias Brasil, 2026, 160 páginas, ISBN 978-65-84517-90-5, participo com três poemas: “Escalar o sol” (p. 137), “A química do inefável” (p. 138) e “Palimpsesto da escuta” (p. 139).
Já em Falando de Amor & Amizade: Versos e Histórias sobre Laços que Transformam, 1ª edição, Goiânia/GO, Antologias Brasil, 2026, 186 páginas, ISBN 978-65-84517-92-9, estão três textos de minha autoria: “Palavra-mundo: o verbo que desborda fronteiras” (pp. 151–152), “Ao Irmão Ramon Augustus” (p. 153) e “No mundo da lua” (p. 154).
Para a declamação daquela noite, escolhi “Palimpsesto da escuta”. Antes de pronunciá-lo, porém, compartilhei uma convicção que tem se tornado cada vez mais presente na maneira como compreendo a experiência poética: não explicar o poema. Nem sequer oferecer pistas.
A musa tem vida própria. E seu apreciador também.
Deixemos que se entendam.
E mantenho essa convicção mesmo quando minha escrita maneja palavras pouco convencionais, atravessa diferentes campos do conhecimento, vale-se da interdisciplinaridade ou convida outros textos e vozes para a conversa pela intertextualidade.
A complexidade do poema não me parece uma dívida que o poeta precise quitar com explicações.Talvez seja justamente o contrário: aquilo que não se entrega de imediato preserva ao leitor o direito à descoberta, à pesquisa, à dúvida e até ao não entendimento.
Nem toda palavra desconhecida precisa vir acompanhada de uma chave. Nem toda referência precisa ser desvelada pelo autor. Há também prazer em procurar, reconhecer, estranhar, retornar ao verso dias depois e perceber nele algo que antes não estava ali. O poema pode terminar na página e continuar acontecendo no leitor.
Que a poesia interrogue, provoque, inquiete, fira, seduza. Que chegue sem bula, legenda ou mapa de navegação.
Que seja o leitor a decidir se deseja permanecer à superfície do verso, investigar seus mistérios ou se atirar nos abismos das entrelinhas.
Há um encontro que pertence somente aos dois.
O poema traz seus mistérios. O leitor, os seus.
Quando ambos se aproximam, algo pode acontecer que nenhuma explicação prévia do autor seria capaz de antecipar. Reconhecimento ou desconforto. Encantamento ou recusa. Espanto, curiosidade, vertigem. Talvez apenas uma pergunta que continue ecoando muito depois do último verso.
Por isso, naquela noite, “Palimpsesto da escuta” foi entregue à escuta sem chaves interpretativas. Declamei-o e deixei que seguisse sozinho.
Depois de escrito, afinal, o poema já não precisa que o poeta caminhe ao seu lado explicando-lhe os passos. Talvez caiba ao autor saber a hora de sair de cena para que musa e leitor possam ficar a sós. E assim essas duas novas obras passam também a integrar meu percurso bibliográfico.
455 obras coletivas não me interessam apenas como número. Cada participação guarda uma circunstância, um encontro, uma provocação estética, uma pequena coordenada dessa longa cartografia construída pela palavra. O número registra o caminho; a poesia é aquilo que continua escapando à contagem.
Meu carinho e agradecimento a Nauza Luza Martins, pela organização e pelo convite, à Antologias Brasil, pela acolhida de meus textos, ao La Gioconda, pelo espaço gastronômico e cultural agradabilíssimo, aos autores presentes e a todos que fizeram do sarau um belo espaço de literatura, convivência e sensibilidade.
Deixemos o diálogo fluir.
Deixemos o toque acontecer.
A musa e o leitor saberão, cada qual à sua maneira, até onde desejam levar esse encontro.

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