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A GERAÇÃO QUE CONFUNDE RESPOSTA COM VERDADE

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ, da Academia Poética Brasileira.

13/09/2026 19h28
Por: Mhario Lincoln Fonte: LEOPOLDO GIL
Arte: mhl/ginaiFT
Arte: mhl/ginaiFT

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ
Há uma cena curiosa em Star Trek. Diante de um problema complexo, o Sr. Spock apresenta os fatos, os cálculos e a solução mais lógica possível. Mas a decisão final quase nunca é tomada apenas com base nesses dados.
O motivo é simples: fatos ajudam a decidir. Eles não decidem sozinhos. Talvez essa seja a lição mais importante que a geração da inteligência artificial precisa aprender.

Nunca foi tão fácil obter respostas. Basta digitar uma pergunta e, em poucos segundos, uma IA produz um texto elegante, organizado e aparentemente convincente. Ela resume livros, explica leis, interpreta estatísticas, produz relatórios e até escreve artigos inteiros.

O problema é que muitas pessoas passaram a confundir velocidade com conhecimento.
Uma resposta bem escrita não é necessariamente uma resposta verdadeira.

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A inteligência artificial generativa representa um avanço extraordinário. Ela democratiza o acesso à informação, acelera pesquisas e ajuda milhões de pessoas a compreender assuntos complexos. Ignorar isso seria negar uma das tecnologias mais transformadoras do século.

Mas existe um risco crescente: o abandono do pensamento crítico.

Quando um estudante aceita sem questionar o que a IA escreveu, quando um profissional publica um texto sem verificar fontes ou quando um cidadão compartilha uma informação apenas porque ela parece plausível, algo importante deixa de acontecer.

A reflexão desaparece.

O pensamento crítico não pode ser terceirizado. Modelos de inteligência artificial não investigam a verdade. Eles produzem respostas estatisticamente prováveis. Em outras palavras, podem estar certos, parcialmente certos ou completamente errados, mantendo a mesma aparência de autoridade.

É exatamente isso que torna essa tecnologia fascinante e perigosa. A geração atual cresceu ouvindo que informação é poder. No entanto, talvez a grande questão do século XXI seja outra: como distinguir informação confiável de informação apenas bem apresentada?

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No debate público, essa diferença é decisiva.

Uma pesquisa sobre saúde pública, mudanças climáticas, segurança, educação ou gastos governamentais exige verificação de fontes, análise de contexto e confronto de versões. Nenhum desses passos pode ser substituído integralmente por uma ferramenta automatizada.

A IA pode localizar documentos.

Pode resumir relatórios.

Pode comparar versões de fatos.

Mas ela não pode assumir a responsabilidade pelo julgamento humano.

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O desafio não é tecnológico. É cultural.

Corremos o risco de formar uma geração extremamente eficiente para encontrar respostas e cada vez menos preparada para questioná-las.

A democracia depende de cidadãos capazes de duvidar, conferir, contestar e investigar. Depende de pessoas que entendam que a verdade não surge pronta na tela de um computador.

Por isso, o uso da inteligência artificial na pesquisa de fatos de interesse público deve ser incentivado, mas também permanentemente questionado.

Mais importante do que aprender a usar IA é aprender a não acreditar nela automaticamente.
Spock provavelmente aprovaria essa conclusão.

Afinal, o personagem que se tornou símbolo da lógica nunca defendeu a substituição do julgamento humano. Pelo contrário: sua história sempre mostrou que a melhor decisão nasce do encontro entre conhecimento, responsabilidade e consciência moral.

A inteligência artificial pode fornecer respostas.

Mas continua sendo nossa obrigação fazer as perguntas certas.

E, sobretudo, verificar se as respostas merecem ser acreditadas.

Vida longa e próspera. Mas, acima de tudo, vida crítica e consciente.

 

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Frederik Fausen, engenheiro eletrônicoHá 1 hora atrásSão Paulo SPAcredito que seu artigo esclarecedor vem ao encontro de uma geração que não entendeu o espírito das IAs generativas e abusam disso por pura ignorância. Até acredito que pessoas que falam mal das IAs não sabem absolutamente nada sobre benefícios que uma humanidade MODERNA que já vem usando IA, desde os primeiros protótipos batizados de Elmer e Elsie, criados pelo neurofisiologista britânico W.Grey Walter entre 1948 e 1949.O homem foi a Lua/69, com projetos de IA. Lembra? Então por que o medo?
Marcia Lina da Silveira Caldas (Michigan-EUA).Há 2 horas atrás PhD in Computer Science with a focus on AI/Machine LearningDr. Vaz, o mundo está fora de controle exatamente por isso: todos falam sem ter a mínima base de absolutamente nada e não estão acompanhando a evolução da vida. Nada contra continuar escrevendo de olivetti. Mas com o mínimo senso, necessário se faz, para quem quer opiniar, conhecer um pouco o assunto. Fontes utilizadas à esmo (Google) para escrever artigos (respeito a ideia e apoio a reflexão), devem ser precisas em parâmetros do uso inteligente da IA por todas as pessoas.
Professor Carlos Átila, engenheiro de PromptHá 2 horas atrásCidade de São Paulo/ITA/USP/DIAxCaro sr. Vaz. Acabo de ler seu artigo. Algo precisa ser reparado para não confudir leigos. Há de separar a pesquisa de IA amadora, do pesquisador de IA profissional. São duas coisas bem diferentes. Aqueles que querem bricar com IA e aqueles que fazem da ferramenta algo útil e de grade valia. A segunda opção só pode ser exercida com o chamado "Prompt" (comando). Não um prompt qualquer. Ou seja, sem um comando efetivamente humano e inteligente, a máquina dará respostas sem nexo e sem base de refle
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