Cel. Veterano Carlos Furtado
Há lugares que guardam objetos. Há outros que guardam histórias.
Este pequeno espaço de minha casa guarda, sobretudo, memórias de uma vida dedicada à gloriosa Polícia Militar do Maranhão.
Aqui repousam uniformes, condecorações, insígnias e lembranças que, para muitos, poderiam parecer apenas peças de um passado distante. Para mim, entretanto, elas possuem alma, significado e história. Cada uniforme me devolve a um tempo; cada condecoração a certeza de que honrei a instituição, cada insígnia me recorda uma missão; cada lembrança me faz reviver momentos que jamais se apagarão da memória.
Durante trinta e cinco anos, a farda foi a minha segunda pele. Com ela vivi momentos de glória e de adversidade, enfrentei desafios, assumi responsabilidades, fiz amigos e, acima de tudo, procurei honrar o juramento que um dia fiz ao ingressar nas fileiras da Corporação do Brigadeiro Falcão: ... mesmo com o sacrifício da própria vida.
Hoje, já na reserva remunerada, olho para este pequeno acervo com a serenidade de quem sabe que uma vida não se mede apenas pelos cargos ocupados ou pelas funções exercidas, mas, sobretudo, pela marca que se deixa na Instituição a que se serviu.
E tenho a consciência tranquila de que, assim como tantos valorosos policiais militares que me antecederam e tantos outros que hoje continuam a servir, também deixei a minha parcela de contribuição para o fortalecimento e o engrandecimento da nossa querida Polícia Militar.
Não guardo estas peças de fardamento, apetrechos e condecorações por simples saudosismo. Guardo-as por respeito à minha própria história e que serão repassadas aos meus descendentes. Elas representam uma parte inseparável daquilo que fui, daquilo que sou e daquilo que continuarei sendo: um policial militar de alma e de coração, um servidor da sociedade.
O tempo pode afastar o homem da atividade policial, mas jamais consegue afastar a Polícia do coração de quem verdadeiramente a serviu, porque a “reserva” não apaga uma trajetória. A aposentadoria não desfaz um juramento. E o tempo não consegue sepultar uma vocação, uma vez policial militar, sempre policial militar.
As gerações passam. Os comandantes passam. Os governos passam. Os homens passam. A Instituição permanece.
E é exatamente por isso que estas lembranças têm, para mim, um valor que transcende o material. Elas são testemunhos silenciosos de uma época, de uma carreira e de uma vida vivida sob os princípios da honra, da disciplina, da lealdade e do dever.
Como se atribui a Honoré de Balzac a célebre sentença: “As sociedades passam, mas a Polícia é eterna.”
Que assim permaneça a nossa Polícia Militar do Maranhão: eterna em seus valores, gloriosa em sua história e digna do respeito daqueles que tiveram a honra de servi-la.
E quando, no silêncio deste recanto, meus olhos encontram novamente as antigas fardas, não vejo apenas uniformes.
Vejo a minha juventude.
Vejo os meus companheiros.
Vejo os meus comandantes.
Vejo meus comandados.
Vejo as missões cumpridas.
Vejo os caminhos percorridos.
E vejo, sobretudo, uma vida que valeu a pena ser vivida.
Porque servir à PMMA não foi apenas uma etapa da minha vida, foi parte essencial da minha própria existência.
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