Capítulo 18
Do Livro: "Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira
Vice-Presidente Nacional da APB
QUANDO O PERDÃO A TUDO SUPERA
Pais divorciados geram mesmo situações muito esdrúxulas quando não se entendem, situações essas que se projetam, lamentavelmente, nos filhos, muitas vezes com consequências desastrosas na sua formação.
A noiva era filha de pais divorciados. O pai, que se afastara do lar conjugal porque se encantara por outra mulher, divorciou-se, para casar-se em segundas núpcias, e resolveu esquecer da filha única que o casal tivera.
Esta, muito apegada ao pai, sofreu com o distanciamento, isso agravando-se mais a situação quando ele não respondia as mensagens de aniversário e de Natal que lhe enviava. Quando ela telefonou, de certa feita, pedindo-lhe ajuda para pagar um curso de informática, ele ficou aborrecido e ignorou o pedido. Ela então resolveu não mais recorrer ao pai.
A sua criação e educação, foi feita só pela mãe, professora de escola pública, que com muita fibra se dedicou ao máximo para preencher a lacuna paterna, ante as marcas profundas no emocional que a filha sofrera. A sua instrução foi em escolas públicas e curso superior em universidade federal. Em seguida foi aprovada em concurso público.
Pior ainda é que o pai nunca pagara qualquer pensão alimentícia à filha, o que aumentou as dificuldades da mãe, que teve tudo de fazer sozinha.
Essa família abandonada encontrou refúgio na religião. A filha, jovem que crescera fisicamente bonita e estudiosa, enamorou-se de um rapaz evangélico.Viu na Igreja o conforto espiritual que precisava. Namoraram, noivaram e habilitaram-se para o casamento.
Chegou o dia do casamento! A noiva atrasou 30 minutos apenas, e quando adentrou na Igreja, levada por um tio. O entrar na Igreja, ouviu uma voz que ela reconheceu do pai, gritando de viva voz: “Este casamento não pode ser realizado, pois não dei o meu consentimento”.
“Não darei meu consentimento para casar, pois não fui consultado previamente. Não existe ex-pai, e sim, ex-marido”. Foi quando a mãe interveio acrescentando que a falta de contato, foi porque ele não o desejava, pois tinha se divorciado dela e se esquecido da filha. Inclusive sendo de maioridade não precisava de sua autorização.
A filha entre atônita e perplexa disse de viva voz: “pai você mesmo foi quem não quis mais saber notícias nossas”. O pai constrangido disse apenas que ela casaria sem sua bênção. Ao que a mãe lhe lembrou que essa benção ele não mais dera, desde o dia em que abandonara o lar conjugal.
O Sacerdote, homem de Deus, experiente, esclareceu-lhe que ele estava casando uma jovem de maioridade, e que os proclamas do casamento haviam sido seguidos ao rigor da lei, e que por isso a sua autorização não foi pedida.
O pai da noiva esclareceu-lhe que foi furtado do desejo de acompanhar a filha até ao altar, o que para ele era um absurdo ter sido acompanhada por um tio.
O Sacerdote pediu-lhe que ficasse para acompanhar o casamento, e ele chorando concordou, ficando até o fim da cerimônia. O sacerdote fez então uma belíssima homilia, baseado em texto bíblicos, quando advertiu aos nubentes dos compromissos assumidos perante Deus e as Leis do País, lembrando aos pais quão importante é o zelo pela família, o que comoveu profundamente o pai da noiva.
Foram oportunas as palavras do Sacerdote ao pai, conforme recomenda Provérbios 15:1, “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”, que o fizeram refletir e chorar, e então pediu perdão à filha, que o perdoou, quando se lembrou, que aprendera na Bíblia que se deve perdoar setenta vezes sete (Evangelho de Mateus 18:21-22).
Os noivos ao serem indagados pelo Reverendo se estavam ali casando de sua livre e espontânea vontade, recebeu deles o sonhado SIM, tendo então sido declarados casados perante as leis de Deus a e a lei do País.
Finda a cerimônia, o casal e os convidados, retiraram-se para o local onde o cerimonial os aguardava, para obsequiar a todos, em local próprio para recepção como de praxe, são feitos nos casamentos.
Surpresa maior estava reservada! Foi quando o pai, dirigindo-se à filha e ao genro perguntou-lhes se poderia ir à recepção. E ela lhe dando um beijo na testa concordou. Estavam feitas as pazes.
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OBS do Editor: A foto da parede, do Prof. Edomir Martins de Oliveira que ilustra este espaço é feita de centenas de outras fotos pequenas, num trabalho de arte imensamente lindo. Na foto, em frente ao quadro, ele está com o Diploma de Membro-Fundador da Academia Poética Brasileira.

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