Capítulo 20
Do Livro: "Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira
Vice-Presidente Nacional da APB
OS NOIVOS CASARAM MASCARADOS
Eles se conheceram na Igreja Matriz. O Padre já os vinha observando há algum tempo e admirava o comportamento do jovem casal na Igreja. Um belo dia, chamou os dois para uma conversa que girou em torno de trabalho na Igreja. Perguntou-lhes se não estariam dispostos a colaborar com a Igreja, como catequistas, pois sabia que eles eram estudiosos e tinham condições para o exercício dessa função tão importante, que é preparar para a primeira eucaristia e crisma.
Os jovens se mostraram entusiasmados com o convite e imediatamente o aceitaram. Iriam colaborar com os serviços da Igreja. O Padre ainda lhes perguntou se eram namorados, ao que eles informaram que não; tendo a moça esclarecido com uma “Ave Maria, quem dera! ”, despertando sorriso no Padre e entre eles.
Em seguida, o Padre passou a explicar em que consistia o trabalho e como deveria ser feito. Não deveriam esquecer o Santo Catecismo, que serviria de enriquecimento aos discípulos inclusive para eles próprios.
Os jovens pensaram que deveriam preparar as lições juntos, para que tudo transcorresse de comum acordo. Foi assim que tudo começou. No início, era só o preparo do que iria ser dito a quem estivesse frequentando a classe.
Os encontros, inicialmente por dever de ofício, foram se tornando mais frequentes, e quando se deram conta estavam sentindo falta da companhia um do outro, na hora combinada. Tudo prosseguia normalmente sob observação do Padre, que sempre elogiava o trabalho que eles vinham desenvolvendo. Quando eles deram por si estavam namorando, e comunicaram ao Sacerdote que lhes disse sorrindo: “a reza foi forte, hem?!....
Continuariam os trabalhos que vinham desenvolvendo e já pensavam até em noivar, e em seguida casariam. O sacerdote os parabenizou pelos planos que tinham traçado para o futuro. Sem dúvida, seria uma abençoada união conjugal no tempo oportuno.
Os jovens, mais à frente, resolveram noivar. Ele, funcionário público e ela professora de Ensino Médio de escola pública. E o trabalho na Igreja, na classe de catequistas, prosseguia normalmente, exercido por eles com alegria.
De repente, explodiu no mundo uma Pandemia que ficou conhecida como Covid-19. O jovem, um belo dia, amanheceu com febre, sem paladar para o café matutino e com forte dor de garganta. Imediatamente foi ao médico que, depois de feitos os exames iniciais de praxe, diagnosticou estar mesmo ele contaminado.
Precisava ser iniciado um tratamento com brevidade. Mas foi mandado para casa com a recomendação que evitasse contato com familiares para não os contagiar. Assim, foi feito. Em casa, ficou isolado de todos e iniciou o tratamento, que logo surtiu os efeitos esperados.
Voltou ao médico depois de 15 dias, conforme recomendado. Fez novos exames que o levaram a dar graças a
Deus por ter recebido alta médica.
Foi um alivio para os jovens, poderem estar juntos novamente, pois só se comunicavam via celular. Voltaram juntos ao sacerdote, pois aos trabalhos tinham sido suspensos em razão da Covid 19, e disseram ao Padre que quando ela cessasse, voltariam a trabalhar na Igreja como catequistas.
Passados alguns poucos meses, noivaram e informaram ao Sacerdote que iriam casar no mês de maio, que já se aproximava, e marcaram o dia do casamento. Para tranquilizar o Padre, informaram-lhe que mesmo casados gostariam de continuar trabalhando no serviço para os quais foram designados, com o que concordou o sacerdote ficando muito contente. Seria um casamento simples, só com a presença dos familiares dos noivos por causa da Pandemia.
Uns dois dias antes do casamento, a noiva que regressara de uma viagem feita a uma capital do Sul do País, para providenciar algumas coisas para enxoval, viu-se em dificuldade de saúde pois amanhecera com o corpo febril e dor na garganta. Só podia ser o vírus que a acometera, pensou.
A mãe, médica, a observou atentamente e com o olhar de mãe, conferiu-lhe a pulsação, os batimentos cardíacos, a pressão arterial, usou o oxímetro para ver como ia sua saturação de oxigênio no organismo. Não constatou nada de anormal. Examinou-lhe a garganta e procedeu a outros exames preliminares necessários, para a sintomatologia apresentada, chegando à seguinte conclusão:
-“Filha, quando eu fui casar com teu pai, eu também senti esses sintomas todos e não se falava em Coronavirus naquela época. Eram as emoções pelo momento aguardado para o casamento, que me fizeram levar a crer em doenças inexistentes. Vou te dar um santo remédio”. Deu-lhe um tranquilizante que resolveu muito bem o assunto.
No dia do casamento, estava a noiva tranquila, sem nada sentir, adentrando na Igreja com máscara protetora para evitar possíveis contágios, pois era o que havia combinado com o noivo. Todos os presentes de máscaras e o Padre também, os casou em nome da Igreja e da Lei.
Faltava o célebre beijo na noiva que o ritual sempre acrescenta, o que deve ser feito. Nesse momento, com a imprudência que caracteriza os apaixonados, acreditando, conforme informara o médico, que o noivo estava recuperado em saúde, baixaram as máscaras e trocaram o tradicional beijo autorizado pelo Padre. O que não faz o amor!!!...
O Sacerdote concluiu a cerimônia citando o Evangelho de São João, 15:12, onde Cristo nos ordena: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”.

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