Capítulo 21
Do Livro: "Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira,
Vice-Presidente Nacional da APB
CASAMENTO INUSITADO
Foi um casamento diferente de todos os que havia presenciado ou houvera tido notícias.
A noiva, de há muito, vinha dizendo aos pais e às pessoas amigas que seu maior desejo era andar de motocicleta, o que nunca lhe fora permitido pelos pais, pois eles confessavam as preocupações com quem anda montado em duas rodas. Os acidentes a que estão sujeitas essas pessoas impressionam cada vez mais. A mãe sempre acrescentava: - “Não quero nunca saber que minha filha andou em moto, ou na garupa de motocicleta de namorado”. Tola ilusão de que a filha nunca andara de moto!!!
A jovem, no auge de sua réplica, dizia: - “Pois o dia que eu casar, vai ser com um motociclista. Quero sentir a brisa no meu rosto e a sensação de maior liberdade”.- Coisas de adolescente que ficam plantadas em si.
Se dependesse dos pais, isto nunca aconteceria, pois eles não dariam o consentimento. Mas não se deve nunca dizer que “dessa água não beberei”. A vida reserva-nos muitas surpresas.
Quando a ocasião se mostrou propícia para namoro, a jovem, já na faculdade, encantou-se por um jovem professor, e a atração foi recíproca. Amor à primeira vista segundo eles. Ele pertencia, como sócio ao Clube dos Motociclistas, cujo Clube tem regras específicas de comportamento e conduta. Os pais ao tomarem conhecimento, logo se dedicaram às recomendações que entendiam necessárias para prevenir consequências indesejadas:
- “Minha filha, queda de motocicleta tem levado muitos jovens à incapacidades físicas. Se acontecer algum acidente contigo em que podes ficar com sequelas, isto será uma tristeza não só para ti, mas também para nós teus pais, que sofreremos ao teu lado”. -Essas preocupações dos pais se deviam ao fato de que tiveram um sobrinho que morrera em acidente de moto com uma amiga na garupa, o que se constituiu em uma verdadeira tragédia e muita tristeza para a família.
Felizmente, o namorado era um rapaz não chegado a bebidas alcoólicas, nem a demonstrações de coragem em querer porfiar com alguém. Era um rapaz equilibrado e muito responsável. Por isso foi aceito no Clube dos Motociclistas. A maioria de acidentes é por imprudência e alcoolismo no trânsito, ou excesso de velocidade, o que felizmente não era o caso do jovem.
Este rapaz, além de exercer o Magistério na Universidade, tinha que se deslocar para dar suas aulas em 2 escolas diferentes por dia, e a moto era para si instrumento de trabalho e lazer.
Os pais passaram a observar que o comportamento do jovem era ponderado e resolveram dar um crédito de confiança à filha, não fazendo oposição para que o namoro prosseguisse, porém que ela evitasse caronas na garupa da moto. Os jovens namoraram durante algum tempo, depois noivaram, e afinal marcaram data para o casamento. Data marcada, começaram a planejar como seria a cerimônia.
Os noivos foram falar com o sacerdote e disseram-lhe como gostariam que fosse a cerimônia. Ele gostaria de entrar na Igreja com a sua possante moto, trajado como motociclista. Escolheria um local, bem à frente, e a deixaria ali estacionada. Em seguida, iria até a porta e entraria com sua mãe, que o conduziria até o altar, onde ficariam à espera da noiva.
Amigos seus em número de dez, com suas esposas, noivas ou namoradas, todos padrinhos e motociclistas, entrariam em seguida deixando suas motos possantes no adro da Igreja, com trajes de motociclistas, o que de logo, o padre não permitiu que as motos adentrassem por falta de espaço físico. Então eles formariam duas filas para que a noiva adentrasse. Ela passaria entre as fileiras de padrinhos/motoqueiros, acompanhada do pai, indo ao encontro do noivo, e a cerimônia seria iniciada, seguindo os ritos próprios de um casamento.
Ao final o casal, agora marido e mulher, sairiam na moto do noivo, até o local onde o cerimonial os aguardava para a recepção, quando então os motociclistas os seguiriam, em comitiva para o local da cerimônia.
No dia do casamento assim foi feito. Estando a Igreja repleta de convidados, eis que de repente todos foram surpreendidos com um ronco atroador na Igreja. Era o noivo adentrando com sua possante motocicleta na nave do templo; foi um susto para todos que não sabiam o porquê até que entendessem o que estava acontecendo.
Iniciou-se a cerimônia, seguida de todos os ritos essenciais ao matrimônio. Como necessário se faz nas cerimônias de casamento, os noivos quando indagados pelo padre, declararam ser de sua livre e espontânea vontade que estavam casando, e confirmaram seu célebre SIM. O Sacerdote então os declarou casados em nome de Deus e segundo as Leis do País.
Aqui a alegria da jovem nova esposa, era imensa, saindo na garupa da motocicleta do marido, o que era o seu maior desejo, passando entre duas fileiras de motociclistas, cuja motos o aguardavam no pátio, indo direto para o local onde os aguardava o cerimonial.
Mantida a praxe, foram servidos aos convidados, coquetéis, sucos, diversas outras bebidas e um belo jantar onde todos viram os noivos radiantes e imensamente felizes.
Ela, que de há muito vinha repetindo para si, o texto contido em Cantares, da Bíblia Sagrada, cap.6:3, dizia agora para seu noivo – “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu”, enquanto o noivo-lhe dizia do mesmo livro, Cantares 3:7 - “Tu és toda formosa, querida minha, em ti não há defeito”: A noiva então completou: Está realizado o meu sonho: “casar-me com o homem que amo, andar de motocicleta e fazer o meu marido feliz”.

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