Capítulo 22
Do Livro: "Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira
Vice-Presidente Nacional da APB
BARRACO NO CASAMENTO
Tradicionalmente, os noivos vinham mantendo o esperar a noiva no altar, acompanhados da sua mãe.
Hoje, tendo em vista os atrasos das noivas que resolveram se adaptar à “modernidade” no que diz respeito a atrasos, que raramente ocorriam, a preferência tem sido o noivo e sua mãe, esperarem a noiva na porta da Igreja no carro, e só quando é anunciada sua chegada pelo cerimonial então adentrarem.
Tudo começou quando a mãe do noivo, depois que esperou uma hora com seu filho na porta da Igreja, ao ver a futura sogra deste chegar acompanhada de um filho, derramou contra ela toda a mágoa, e disse que estava insatisfeita com o casamento, pois era seu filho único, e não gostava muito da sua futura nora, e que esse atraso demonstrava uma falta de respeito, para com seu filho, ela, o sacerdote e os convidados.
Com o destempero verbal da futura sogra da sua filha, não deu tempo de que ela explicasse ao noivo o motivo do atraso da noiva.
Ah! Se fosse hoje com o celular em evidência isto seria evitado.
O noivo então, a título de gracejo, disse que estava pensando se ela não estaria desistindo do casamento. Acrescentou ainda que já estava pensando em ir embora, com o que a mãe dele concordou plenamente cheia de muita alegria, iniciando-se uma discussão entre as sogras.
Foi o estopim para que ela lhe dissesse que não repetisse aquilo nem por brincadeira, pois a sua filha estava chegando, além de ter feito investimentos altos para aquele casamento, como enxoval, vestido de noiva, salão de beleza, cerimonial, salão de festa, etc.
A mãe do noivo, informou-lhe de logo que se isso acontecesse, nada indenizariam, porque quem estava dando esses motivos para que ele desistisse do casamento, era ela mesma; ele por sua vez, também investira em roupa nova, e roupa de homem é muito cara, se você considerar paletó e gravata, sapatos novos para a ocasião, além de mobília para residência, etc.
Que ela avisasse a sua filha de alguma forma que ele não esperaria outra hora para que ela chegasse à Igreja. Na véspera do casamento ela visitara a futura sogra e dissera-lhe que não se atrasaria. Nesse momento, os ânimos começaram a se exacerbar, com ofensas verbais entre as duas mães.
As vozes estavam se elevando e vários convidados, curiosos de ambos os lados, começaram a se levantar para observarem o que estava, de fato, acontecendo. E fora da Igreja resolveram tomar partido e defender o lado de onde partiram os seus convites. Com as vozes nas alturas, parte defendia a família do noivo, outros a família da noiva e, todos começaram a falar ao mesmo tempo, com as vozes e ânimos extremamente exaltados.
De repente, um barraco havia se formado com baixarias típicas de ânimos exaltados, que em nada combinavam com os elegantes trajes, com um evento religioso e com um local sagrado. Animosidades que alguns convidados tinham entre si, e que nada havia com o casamento, como brigas de filhos da mesma vizinhança, implicâncias com seus cachorros, convites de trabalho às suas secretarias domésticas, aflorou naquele momento, e o desentendimento inicial pequeno, na esfera do núcleo familiar dos noivos, tomou enorme proporção.
Transeuntes paravam para ver as baixarias, motoristas dos carros passavam bem lentamente para verificar o que estava acontecendo, causando enorme engarrafamento, que, por conseguinte, atrasaria mais ainda a chegada da noiva e para completar, muitas crianças presentes choravam e outras brigavam defendendo seus pais.
O padre desesperado vendo de longe o agitar de braços e os aumentos consideráveis dos decibéis das vozes, tentava chegar à frente da Igreja para acalmar os ânimos e dar uma grande bronca nos fiéis para lembrar-lhes que estavam em uma casa sagrada, cujos desentendimentos eram inadmissíveis. Mas não conseguia passagem, haja vista o aglomerado disforme dos convidados que formou um grande bloqueio. Então, ao se deparar com todo esse lamentável acontecimento em frente à sua Igreja, jamais visto por ele em 25 anos de atuação, decidiu ligar para a polícia.
Eis que de repente, o cerimonial avisou que a noiva estava chegando quando, então, noivo foi com sua mãe para a frente do Altar, seguindo-se os padrinhos de ambos, que orientados pelo cerimonial, tomaram os seus lugares. Com este aviso bendito, todos se recompuseram emocionalmente e voltaram aos seus lugares.
Quando a polícia chegou tudo estava sereno e a tranquilidade restabelecida, e sua presença não era mais necessária.
Precedendo a noiva, os pajens e as daminhas iam levando as alianças e espalhando pétalas de rosa por onde a noiva deveria passar. Ao som da marcha nupcial, de Mendelssohn, a noiva chegou acompanhada do seu pai, indo ao encontro do noivo e os convidados a receberam de pé.
O brilho da marcha foi tão intenso que os ânimos se acalmaram, não sem que as sogras confessassem uma a outra, que depois terminariam, la fora, aquele assunto iniciado.
O noivo mudou completamente quando viu sua amada, uma linda noiva, exibindo sorrisos de alegria e assim igualmente também a recebeu do seu pai. O Sacerdote iniciou a cerimônia, fazendo uma homilia onde predominava o amor e a paz e as responsabilidades no casamento.
Como é de praxe, perguntou o Sacerdote aos noivos se estavam ali se casando, de sua livre e espontânea vontade ao que eles responderam que SIM, tendo o Religioso, os declarado marido e mulher aos olhos de Deus, e de conformidade com as leis da Igreja e do País.
Soube-se, depois, que o noivo relatara a um grupo de amigos suas preocupações quanto ao receio de que a noiva desistira do casamento. Aflição que como se viu era infundada.
O atraso deu-se por conta do zíper do vestido da noiva que rompeu e teve que ser arrumado às pressas, por uma costureira amiga da família, debaixo de muito estresse da noiva, que respirou aliviada quando viu que o problema estava finalmente resolvido.
Depois da cerimônia, os noivos retiraram-se ao som da Aleluia de Handel, cantado por um grupo coral da Igreja, e acompanhado de um excelente órgão e todos os convidados seguiram os noivos ao local onde seria realizada a recepção.
A emoção grande foi para as mães que choraram, tendo então se lembrado de que deveria reinar muita paz entre elas e toda família, vindo-lhes à mente o que recomenda a Bíblia Sagrada No livro dos Romanos, 12:18 – “Se for possível, quando depender de vós tende paz para com todos os homens”.
Pazes feitas, não se falou mais em acerto de contas lá fora. Mas será que essa rusga criada pelo estresse estará enterrada para sempre? Afinal, a fama de sogras, de mães que brigam para defender seus filhos...
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Foto abaixo: Mhario Lincoln e Edomir de Oliveira, amigos há mais de 50 anos.

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