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Educação ANTÔNIO NOBERTO

Especial, historiólogo Antônio Noberto: "Daniel de La Touche volta à Cametá depois de 400 anos"

Reportagem especial

25/03/2021 14h11 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: folhadecametá.com
Antonio Noberto e anfitriões, em Cametá.
Antonio Noberto e anfitriões, em Cametá.

Especial: Antônio Noberto

Há mais de 400 atrás chegou em terras camutás o primeiro europeu em viagem oficial. O navegador Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, desembarca, onde hoje é Cametá Tapera em 1613, a serviço do governo francês que naquele momento implantava um projeto de colonização francesa no norte do Brasil, foi a França Equinocial, o que resultou na fundação de São Luís capital do Maranhão.

Nos dias 22 e 23 de março de 2021, essa viagem foi realizada novamente pelo pesquisador Antônio Noberto, visando destacar a importância daquela expedição de De La Touche que poderia ter implantado por essas bandas o ideal francês de colonização.

Pesquisador Antônio Noberto, em Cametá.

No entanto, os franceses, após combate com os portugueses abortaram o projeto da França Equinocial aqui no norte. Porém, para o professor Noberto, Daniel de La Touche, teria deixado um marco no processo de colonização e surgimento dos povoados e futuras cidades paraenses, ou seja, o marco de fundação de alguns dos municípios, como o caso de Cametá e Bragança.

A cidade de Bragança, oficialmente adota o ano de 1613 como fundação do município ao contrário dos cametaenses que adotam o ano de 1635, ano que Vila Viçosa de Santa Cruz de Cametá recebe o título de vila.

A ideia do prof. Antônio Noberto vem ao encontro do que muitos historiadores cametaenses já defendiam, ou pelo menos já contestavam, ou seja, há discordância do ano de 1635 como ano de fundação de Cametá. Parece consenso entre os historiadores cametauaras que a data é bem antes, 1617 quando chegou a primeira expedição portuguesa ou mesmo 1613 com a expedição francesa de Daniel de La Touche.

Prof. Arodinei Gaia.

"Há algum tempo eu e outros historiadores da terra já vêm contestando a data oficial de 1635 como fundação de Cametá, para nós é desmerecer o que foi feito antes. 1617 é a data para muitos de nós e outros defendem o ano de 1613, se Bragança adota esse ano por que nós também não podemos adotar?”. Diz um dos defensores dessa ideia, o prof. Arodinei Gaia

Outro historiador defensor é o prof. João Furtado que menciona quatro datas que validam a sua condição histórica a respeito do seu nascimento, para o historiador a primeira é 1613, considerado o ano de fundação, pois a data dar início a história do município.

Para o filósofo Pedro Ben Shimon Chaves a importância de debater as múltiplas histórias se faz necessário para se construir uma nova, principalmente a da reconstrução da história cametaense no qual foram quase excluídos os judeus, negros, índios e franceses.

A pesquisa e a viagem do prof. Antônio Noberto vem trazer combustível para que a historiografia cametaense discuta com mais propriedade a questão da data de fundação do município. Os historiadores, terão mais respaldo acadêmico e científico para postular a mudança do ano da pedra fundamental. O historiador Arodinei Gaia acredita que não se precisa enterrar o ano oficial de 1635, ele pode continuar sendo comemorado como a data que Cametá ganhou o título de Vila e o ano de 1613 passará a ser o ano de fundação.

O expedicionário de Daniel de La Touche no Brasil tem sido o historiador Antônio Noberto, o pesquisador é também curador do museu do Maranhão, membro da Academia de letras de São Luís e membro da Luminescense Academie Française (do Vale do Loire, França) e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) e pretende trazer para o município Cametaense a Exposição França Equinocial, para que os cametaenses possam conhecer um pouco mais a sua raiz. A equipe de António Noberto acompanhado do filósofo Pedro Ben Shimon Chaves e do historiador Arodinei Gaia, estiveram no museu cametaense, onde foram recebidos pelo diretor do Museu Histórico de Cametá o Prof. Warllen Barros.

Visita ao Museu Histórico de Cametá.

Na viagem do pesquisador Antônio Noberto foram visitados pontos históricos da cidade bem como a vila de Pacajá e Cametá Tapera, local onde Daniel de La Touche teria desembarcado em 1613.

Em Cametá Tapera foi constatado um possível sítio arqueológico com cerâmicas antigas, objetivos e restos mortais de pessoas; um crânio e várias ossadas humanas foram achadas em um barranco na localidade, que poderia ter sido um cemitério indígena ou até mesmo colono. Há um tipo de passarela soterrada visível no barranco feita de barro, um tipo de piso que remontam ao período.

É importante que o Museu Histórico de Cametá e as universidades locais estudem ou realizem uma escavação arqueológica para descobrir o que se esconde debaixo das terras de Cametá Tapera, isso poderá ajudar a reescrever a história de Cametá disse o professor e filósofo Pedro Chaves.

Cametá Tapera.

Cametá Tapera

A Exposição França equinocial é importante para se rediscutir a questão do surgimento de Cametá, uma vez que a missão francesa foi sempre secundária em relação a expedição portuguesa de 1617, fator que desagrada muitos estudiosos, pois muitos laços ligam Cametá ao país francês, como o próprio dialeto da região que supõe-se tenha grande influência da língua francesa.

Viagem de La Ravardière.

Em tempo: Em 1612 os franceses haviam estabelecido o Forte de São Luís do Maranhão, no projeto colonial da França, chamado França Equinocial, rumando a partir do ano de 1613 para terras a oeste, chegando nos Caetés (Bragança) e depois nas tribos dos Caamutas, precisamente na atual vila de Cametá Taperá no rio Tocantins. No atual município de Cametá, os franceses fizeram contato com vários indígenas locais, entre eles os índios Caamuta, Pariço e Pacajá. Em Caamuta Tapera, Daniel de La Touche formou um pequeno posto, com alguns homens. Os franceses mantiveram contato com os nativos locais formando um pequeno posto comercial, com alguns franceses.

Com a expulsão dos franceses de São Luís, apenas dois anos mais tarde, deixaram sem saída os franceses que ali ficaram destacados em Caamuta, conseguindo deixar a região tocantina somente anos mais tarde. Em sua extensão máxima, o território sob domínio da França Equinocial se estendia desde o litoral maranhense, até o norte do atual estado do Tocantins, dominando também quase todo o leste do Pará e boa parte do Amapá. Os franceses se estabeleceram em São Luís, explorando a região até o Rio Tocantins, no território do Pará. Em novembro de 1615 , mesmo em maior número e melhores condições militares, Daniel de Lá Touche obedece às ordens da rainha regente da França, que mandava entregar as terras aos católicos, inclusive Caamuta e Caeté e se rende. 

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