Esmeralda Costa, titular da coluna Cordel Brasileiro, da Plataforma Nacional do Facetubes
Na Estação de Cultura Ecopedagógica e Instituto Bárbara de Alencar, a Academia Cearense de Literatura de Cordel celebrou sua trajetória, homenageou fundadores e patronos, recebeu novos acadêmicos e ouviu, pela primeira vez publicamente, seu Hino Oficial.
Há aniversários que comemoram o tempo. Outros comemoram a história. E há aqueles que fazem história.
O quinto aniversário da Academia Cearense de Literatura de Cordel — ACLC pertence à terceira categoria.
No dia 22 de agosto de 2026, poucas horas antes de completar oficialmente cinco anos de fundação, a ACLC reuniu acadêmicos, poetas, autoridades, representantes de instituições culturais e convidados em Campos Sales, no Ceará, para uma celebração que ultrapassou os limites de uma solenidade comemorativa.
O cenário escolhido foi especialmente simbólico: a Estação de Cultura Ecopedagógica e Instituto Bárbara de Alencar, espaço dedicado à cultura, à educação, à memória e à preservação da identidade regional.
Ali, entre poesia, música, homenagens e memórias, a ACLC viveu um daqueles momentos que merecem ser guardados nos anais da Literatura de Cordel.
Pela primeira vez, o Hino Oficial da Academia Cearense de Literatura de Cordel foi ouvido publicamente.
E não se tratava de uma composição qualquer.
O hino é de autoria de dois membros fundadores da própria Academia: Pedro Sampaio e Esmeralda Costa. O roteiro oficial da solenidade registra os dois também como responsáveis pela apresentação em versos da retrospectiva dos cinco anos da instituição.
Foi, portanto, uma cena carregada de simbolismo, os mesmos poetas que ajudaram a fundar a Academia estavam presentes para ouvir a instituição ganhar voz através de seu próprio hino.
Uma Academia nascida em plena pandemia
A história começou em 23 de agosto de 2021.
O mundo ainda enfrentava as consequências da pandemia. Os encontros presenciais haviam sido substituídos por telas, a distância física separava as pessoas e a cultura precisava encontrar novas maneiras de continuar viva.
Foi nesse cenário que, em uma assembleia virtual, nasceu a Academia Cearense de Literatura de Cordel.
Doze fundadores se uniram em torno de um propósito: defender, valorizar, preservar e divulgar a Literatura de Cordel.
O que parecia ser apenas uma reunião virtual transformou-se, cinco anos depois, em uma instituição consolidada, capaz de reunir poetas e intelectuais em diferentes pontos do Ceará.
A retrospectiva apresentada na solenidade lembrou essa origem e percorreu os principais momentos da trajetória da Academia.
Groaíras recebeu o primeiro aniversário. Tabuleiro marcou uma das celebrações mais significativas. Fortaleza também entrou nesse itinerário.
E agora, no quinto aniversário, a história chegou a Campos Sales.
Campos Sales recebe a Academia
A escolha da Estação de Cultura Ecopedagógica e Instituto Bárbara de Alencar como espaço para sediar a solenidade deu à comemoração uma identidade ainda mais forte.
A instituição, dirigida por Magnólia Arrais, esteve entre os nomes que compuseram a mesa de honra da celebração.
O espaço tornou-se, naquele dia, ponto de encontro entre diferentes gerações e manifestações culturais.
Ali estavam acadêmicos, poetas, representantes de academias, instituições culturais, poder público e convidados.
E foi ali também que a ACLC deixou registrada uma imagem que dificilmente será esquecida:
O cordel encontrou abrigo na casa da memória e, dentro dela, cantou sua própria história, através do Hino oficial da ACLC.
A solenidade começou com a execução do Hino Nacional Brasileiro e do Hino de Campos Sales, sob a regência da Orquestra Municipal Lauro Honorato e sob a regência do maestro Cicero Robério Nobre.
Na sequência, ouviu-se o Hino Oficial da Academia Cearense de Literatura de Cordel.
Esta foi a primeira vez que a composição foi apresentada publicamente.
A emoção ganha outra dimensão quando se observa a autoria: Pedro Sampaio e Esmeralda Costa, dois dos doze fundadores da Academia, são os autores do hino.
Não é apenas uma música institucional.
É uma obra que nasce de dentro da própria história da ACLC.
É a voz dos fundadores transformada em identidade coletiva.
É como se, cinco anos depois de aquela Academia nascer através de uma tela, ela finalmente pudesse cantar diante do público:
“Estamos aqui.”
Doze fundadores e uma semente que floresceu
A solenidade também reverenciou os doze fundadores que transformaram o sonho em realidade.
Eles são parte indissociável da história da ACLC.
Paulo Filho, Charles Melo, Antônio Hélio, Pádua de Queiroz, Marcos Bandeira, Joaquim Furtado, Araquem Vasconcelos, Nailson Anselmo, José Roberto Morais, Auri Lopes, Esmeralda Costa e Pedro Sampaio.
Foram eles que lançaram a primeira semente. Cinco anos depois, aquela semente já apresenta raízes profundas.
Durante a homenagem aos fundadores, os versos lembraram que eles vieram “semear” a ACLC e construir uma Academia destinada a fazer o cordel brilhar.
Cinquenta patronos, cinquenta histórias
Outro momento grandioso da celebração foi a homenagem aos 50 patronos das cadeiras da ACLC, tendo Arievaldo Viana como Patrono Geral.
A lista reúne nomes fundamentais para a Literatura de Cordel e para a cultura popular brasileira.
Leandro Gomes de Barros, Chagas Batista, João Martins de Athayde, Silvino Pirauá, Zé da Luz, Patativa do Assaré, Pedro Bandeira, Cego Aderaldo, Mestre Azulão, Lourival Lourival Batista, João Melchíades, José Camelo de Melo Rezende, José Bernardo da Silva, Luiz Dantas Quezado, Audifax Rios, Câmara Cascudo e tantos outros mestres que ajudaram a construir a memória do povo brasileiro.
Ao homenageá-los, a ACLC reafirma uma de suas missões mais importantes:
Não permitir que a história do cordel seja esquecida.
Quando a ausência se transforma em presença
Mas o quinto aniversário também teve espaço para a saudade.
A Academia perdeu recentemente um de seus membros queridos: Ari Bandeira.
Ele esteve presente nos primeiros aniversários da instituição, compartilhando amizade, poesia e carinho pela ACLC.
Na solenidade de cinco anos, sua cadeira poderia estar vazia.
Mas ninguém ali permitiu que sua memória estivesse ausente.
A Academia preparou uma homenagem especial e atribuiu a Ari Bandeira o título de Guardião da ACLC.
Acadêmicos escreveram versos para lembrar sua trajetória, sua atuação na educação, na poesia e na cultura popular.
Foi uma das passagens mais emocionantes da cerimônia.
Porque, no universo do cordel, a morte pode levar o poeta, mas não leva seus versos.
O poeta partiu, mas os seus versos permanecem entre nós.
A Academia recebe novas vozes
Enquanto homenageava os que construíram sua história, a ACLC também abriu espaço para o futuro.
Dois novos acadêmicos receberam suas pelerines:
José Maria Moura e Miguel Ferreira.
A cerimônia de investidura foi apresentada como um dos momentos mais simbólicos da tarde.A pelerine representa pertencimento, mas também responsabilidade.
Medalha, diploma e pelerine simbolizam o compromisso com a Academia, com a Literatura de Cordel e com a preservação da cultura popular.
É assim que uma Academia permanece viva:
Honrando os mestres, reconhecendo os que caminharam antes e abrindo espaço para quem chega.
Cinco anos de resistência cultural
A própria programação definiu os cinco anos da ACLC como uma trajetória de encontros, poesia, amizade e resistência cultural.
Essa expressão merece atenção, porque o cordel sempre foi uma literatura de resistência. Ele resistiu ao preconceito, ao esquecimento, às mudanças dos tempos. E resistiu porque pertence ao povo.
A ACLC surge nesse contexto como mais uma trincheira de preservação e difusão dessa arte.
Uma trincheira feita não de armas, mas de livros, versos, encontros, pesquisas, homenagens, publicações e vozes.
No encerramento, acadêmicos, autoridades, homenageados e convidados foram reunidos para a fotografia oficial dos cinco anos.
A orientação dada durante a solenidade foi precisa: aquela imagem deveria ser compreendida como mais uma página da história da Academia. E talvez seja exatamente isso. A fotografia registrou rostos, mas por trás de cada rosto existe uma história.
Existe a história de uma instituição que nasceu virtualmente durante uma pandemia e chegou aos cinco anos reunindo pessoas presencialmente em Campos Sales (CE).
Existe a história dos doze fundadores, dos cinquenta patronos, dos acadêmicos que permanecem, daqueles que já partiram e dos novos membros. E existe também a história de um hino que foi ouvido publicamente pela primeira vez.
O verdadeiro significado de cinco anos
Cinco anos podem parecer pouco diante da longa história do cordel, mas cinco anos são suficientes para provar que uma ideia pode sobreviver ao tempo quando existe gente disposta a defendê-la. A ACLC não comemorou apenas sua idade, comemorou sua existência, sua identidade, sua memória, seu compromisso e, principalmente, sua capacidade de continuar fazendo o cordel chegar a novos lugares.
A solenidade terminou com uma mensagem que resume a essência da instituição: uma Academia não é feita apenas de cadeiras, mas de pessoas, histórias, amizades, sonhos e palavras. Talvez seja justamente por isso que o quinto aniversário tenha sido tão especial. Porque, naquele dia, em Campos Sales, a ACLC não apenas comemorou cinco anos, ela mostrou que está viva. E mostrou isso da maneira mais bonita possível, homenageando quem veio antes, acolhendo quem chega, celebrando quem permanece, eternizando quem já partiu e cantando sua própria história.
E quando uma Academia canta, o cordel responde
No dia 22 de agosto de 2026, a Estação de Cultura Ecopedagógica e Instituto Bárbara de Alencar testemunhou um acontecimento que merece ser registrado na história da Literatura de Cordel do Ceará.
Uma Academia fundada em 2021, em plena pandemia, reuniu-se cinco anos depois para celebrar sua caminhada. E, pela primeira vez, seu hino oficial ecoou publicamente. Um hino escrito por dois de seus fundadores: Pedro Sampaio e Esmeralda Costa. Aquele momento carregava uma simbologia extraordinária.
Em 2021, os fundadores precisaram de uma tela para se encontrar.
Em 2026, precisaram apenas de um espaço de cultura, de algumas vozes e de uma melodia para fazer o sonho cantar.
E talvez esta seja a melhor definição para os cinco anos da ACLC:
Um sonho que começou em silêncio, transformou-se em poesia e agora tem até hino para anunciar que continua vivo.
Que venham os próximos cinco, e depois outros cinco, e muitos outros.
Porque enquanto houver quem escreva, quem leia, quem declame e quem defenda a literatura e a cultura popular, haverá cordel. E enquanto houver cordel, haverá história para contar.
Viva a Academia Cearense de Literatura de Cordel!
Viva o Cordel Brasileiro!
Viva a literatura de cordel cearense!
Momento Cultural: Depois da solenidade, a poesia tomou conta do espaço
A celebração não terminou com o encerramento da solenidade. Logo após a programação oficial, a Estação de Cultura Ecopedagógica e Instituto Bárbara de Alencar transformou-se novamente em palco da cultura popular.
Veio um maravilhoso momento cultural, reunindo declamações de poemas, lançamentos de cordéis e cantoria.
A formalidade da cerimônia deu lugar à espontaneidade da poesia, poetas declamaram, cordelistas apresentaram suas obras, novos cordéis chegaram às mãos dos leitores e a cantoria trouxe para o ambiente a força da tradição oral nordestina.
Era como se a programação encontrasse sua conclusão mais coerente: depois de falar sobre o cordel, era preciso fazê-lo acontecer, porque a Literatura de Cordel não vive somente em solenidades, diplomas ou cadeiras acadêmicas, ela vive na voz do poeta, na memória de quem escuta, no folheto que passa de mão em mão, na cantoria que atravessa gerações, na palavra que encontra outro coração e ali permanece.
E assim, em Campos Sales (CE), o quinto aniversário da ACLC não foi apenas celebrado.
Foi cantado, declamado, publicado e vivido.
Que a ACLC continue ecoando seu hino, como símbolo de uma Academia que aprendeu a transformar versos em memória, memória em identidade e identidade em patrimônio cultural.
VÍDEO-BÔNUS
Esmeralda Costa é natural de Campos Sales-CE. Membra da Academia Poética Brasileira(APB), Membra Fundadora da Academia Cearense de Literatura de Cordel (ACLC), Membra da Academia Internacional de Literatura Brasileira(AILB) e Sócia Correspondente da Academia Groairense de Letras(AGL)
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