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Textos Escolhidos, Natália Bastos: "Conheça a Rota da Balaiada em Caixas/MA"

Balaiada a insurreição popular do século XIX

26/03/2021 13h05
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Cláudio Lacerda Oliva e Natalia Bastos.
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CONHEÇA A ROTA DA BALAIADA EM CAXIAS

Texto e Imagens por Natalia Bastos. Imagem destacada, quadro exposto no Memorial da Balaiada do pintor caxiense Antônio Oliveira.

 

Terra de águas cristalinas e berço de grandes escritores como Gonçalves Dias, Vespasiano Ramos, Teófilo Dias e o positivista Raimundo Teixeira Mendes, que influenciado por Auguste Comte criou o lema da bandeira nacional “ordem e progresso”, Caxias nos reporta sempre à lendas, tradições, religiosidade e fé. A identidade cultural dos caxienses é uma mistura étnica que deu como resultado uma população que ama a flora e a fauna pre-amazônicas, que conhece e desfruta das particularidades culinárias e que proclama com orgulho um passado balaio

Balaiada a insurreição popular do século XIX

Localizado no Morro do Alecrim no complexo cultural encontramos as ruínas do antigo Quartel da Balaiada. Construido recentemente, o Complexo do Mirante da Balaiada é uma área de lazer onde se concentram diversos bares e restaurantes, uma pequena trilha ecológica e um mirante, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade, podendo reconhecer desde as alturas as suas imponentes igrejas e praças. Em frente ao museu do Memorial da Balaiada, temos a antiga praça Duque de Caxias onde se encontram canhões da época da guerra.

O Museu-Escola do Memorial da Balaiada faz um tour de aproximadamente duas horas,  onde a história é dramatizada pelos próprios visitantes, uma metodologia criativa e divertida. No museu além das armas usadas durante a guerra e dos instrumentos de tortura, podemos contemplar também objetos usados pelas elites da época e uma maquete de Caxias em miniatura, onde se reconhece as principais igrejas, praças e casas de taipa do caboclo. Cada peça é uma emocionante prova material da história da terra das águas cristalinas, onde se encontram algumas obras do seu Antônio Oliveira, pintor caxiense que foi homenageado pelo Museu, mostra em seus retratos os sertanejos (vaqueiros, mestiços, índios, escravos e brancos pobres,  fazedores de balaio), que participaram da Balaiada, com uma expressão e riqueza cromática inexplicável. Outro destaque para Caxias, as mãos da artista plástica internacional, a caxiense Tita do Rêgo Silva, que imortalizou em um painel no Memorial da balaiada,  as paisagens e lendas da região, como a da sereia dos cabelos de ouro que se esconde no rio Itapecuru.

Balaios.

Os balaios entram em Caxias em 1839 a 1841, morrendo entre dez e doze mil pessoas. Três anos de rebelião popular, com uma ampla massa social, os balaios lutaram por um ideal de liberdade, grito de guerra pela paz, igualdade e fraternidade; ser balaio é ser líder de um movimento de luta. Durante a guerra que aconteceu no século XIX, foram três as igrejas onde os balaios se esconderam: na Catedral da Nossa Senhora dos Remédios, na Igreja de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

CNS dos Remédios.

A Catedral da Nossa Senhora dos Remédios aos pés do Morro do Alecrim

A praça Magalhaes de Almeida é uma das mais importantes da cidade, onde se encontram o palácio episcopal e o chamado “palácio italiano”, construção do início do Século XIX, residência da família do Sr. Alderico Silva, conhecido como Seu Dá, um grande empresário de sua época. Logo em frente está a Igreja da Matriz, uma das mais importantes da cidade, onde se assinou a ata da adesão da independência, e de onde saem imponentes procissões como a do fogaréu e a via sacra. Na praça que leva o nome do poeta caxiense Vespasiano Ramos, que nasceu próximo ao Largo de São Benedito, se encontra a igreja do santo negro. Dentro dela ainda estão os restos mortais de figuras importantes da época enterradas dentro da igreja com lápides portuguesas. A praça está rodeada por árvores centenárias que brindam os cidadãos e turistas com sua sombra, enquanto as crianças também podem se divertir com os brinquedos de um parquinho. No local se encontra o bar do Cantarelle, onde se reúnem os boêmios caxienses.

NS dos Pretos.

Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Essa igreja legendária do século XVIII só abre para as missas. Frequentada antigamente por uma maioria negra, foi erguida por escravos em 1774, com o dinheiro que eles  juntavam para adquirir sua carta de alforria. No pelourinho que havia em frente à igreja, os escravos eram açoitados publicamente para servir de exemplo. Nesta região funcionava um ponto comercial da cidade, onde se concentrava a venda de escravos, a troca de mercadorias e de animais

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Os jornalistas Cláudio Lacerda Oliva e Natalia Bastos viajaram a Caxias à convite da Prefeitura Municipal e Conselho Municipal de Turismo de Caxias – Maranhão.

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