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VELHOS RESMUNGÕES ou a Lápide da Consciência Universal. Texto de Mhario Lincoln

Uma homenagem ao pluricultural Wellington Reis.

25/01/2026 às 16h39 Atualizada em 25/01/2026 às 16h58
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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Welington Reis
Welington Reis

*Mhario Lincoln 

Construir septilhas, na história-base da literatura de Cordel é algo que não é para todo mundo. Vale dizer que o cordel fortalece o folclore e o imaginário regional.

Neste caso, ora em análise, vê-se algo fortuito e de grande valia para o cordel maranhense.  O autor, de forma extraordinária, conta uma passagem, a fim de desfazer "coisas mal(ditas)" por um 'desafeto', bem ao estilo dos embates entre figuras folclóricas que permeiam o tradicional cordel nordestino: "O embate de Lampião e o Porteiro do Céu". "A Língua de Trapo e a Serpente Encantada". "O Grito Xilogravado do Boca Grande chegando no Inferno".

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Bom, a história aqui lida, ganhou o nome de "RAMUNGONSA - Julgamento do 1º Judas Longe de Época da Madre Deus". Só o título já condiz com a grande sensibilidade artista de Wellington Reis, compositor dos melhores do nosso pendão, acercando-se, nesse episódio, de ferramentas do cordel, para expressar, em septilhas, uma contenda entre (o autor) e seu (desafeto), cuja história acabou tornando-se hilária na comunidade e ultrapassando os limites da briga, xilogravadas no ringue da sorridência: 

"Posto que aqui quisesse

Condenar esse tratante

Diante dessas crianças

Eu ficaria Hesitante

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Logo, absolvo, mas expulso

Esse poeta amigo urso

para o inferno distante". 

 

Como se vê, é delicioso caminhar entre essas construções de cordel, como se tropeiro fosse trilhando um atalho de rasteira vegetação, mas de imensa concentração de moldagem do barro da vida, onde cada personagem envolvida nesse livreto, ultrapassasse o tempo (é de 1999), revelando uma das polêmicas mais discutidas na época, fervilhecendo a criatividade imantada de cultura e sabedoria, de um lado; e de outro, características gozativas e impensativas. 

Mas essa diretiva não fincou os dizeres septílhicos da moenda. Wellington Reis aproveitou o gancho e fez citações homéricas dos grandes nomes que povoam a arte, a cultura e a música de um dos bairros mais famosos da Ilha de São Luís: a Madre Deus de Cristovam, da Turma do Quinto, Boca de Édi, Chico Pinto, Os Feras, Boi encanto da Ilha, Boi Barrica, Príncipe de Roma, Fuzileiros da Fuzarca, Sindicato do Samba e tantos outros que mundeiam o Planeta Madre Deus, cobiçada plateia, produtora do nicho mais espetacular de energias e piaçavas que encantam o Mundo até hoje. 

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Mhario Lincoln, o autor.

Aí está a grandiosidade desse cordel elaborado com maestria por Wellington Reis, repito, nos idos de 1999, quando ia acontecer o Bug do milênio, fazendo surgir muitas crenças sobre o fim do mundo e o retorno de Jesus. Ouviu-se em 1999, também, a música mais tocada no Brasil: "Sozinho", interpretada por Caetano Veloso, composição de Peninha. Ronaldinho Gaúcho fazia um gol antológico em seu início na seleção brasileira, diante da Venezuela. “Shakespeare Apaixonado” levava a estatueta de melhor filme no Oscar. A identificação da sequência do cromossoma 22 revolucionou o estudo da genética.

Assim como Wellington Reis revolucionou, igualmente, seu estilo enigmático de composições - muitas delas usadas no ascendente Boizinho Barrica, cujo diminutivo enaltece a humildade da brincadeira, mas torna a concepção do todo que é uma das mais livres criações do folclore maranhense, no cobiçado segmento do Bumba-Meu-Boi. 

Wellington ganha aplausos ainda por inseminar a sua facilidade de construir sucessos harmônicos, traduzidos em inúmeras cintilâncias depositadas nas paradas de sucesso da região. 

 

Portanto, falar no cordel RAMUNGONSA nunca irá se prender ao enredo anteriormente proposto, haja vista a multifacetabilidade do autor, rebuscando baús da infância e da experiência vivida entre os monstros sagrados da história da Madre Deus, desde 1713, quando o Capitão-Mor Manuel da Silva Serrão construiu uma ermida para abrigar a imagem de Nossa Senhora da Madre Deus, Aurora da Vida, num sítio no lugar denominado de Ponta de Santo Amaro ou Sítio da Madre Deus, como ficou conhecido, dando origem a uma vila de pescadores e ao bairro, passando depois pela construção da primeira fábrica do bairro, a Companhia de Fiação e Tecidos Cânhamo, localizada no fim da Rua da Madre Deus, às margens do Rio Bacanga, no ano de 1891. 

A aí, com essa implantação, foram sendo ocupados os terrenos vazios próximos à fábrica, nas proximidades do Cemitério do Gavião, o que promoveu o surgimento dos bairros operários do entorno da vila de pescadores da Madre Deus, como Codozinho, Lira, Belira e Goiabal.

Destarte, a elaboração do Cordel de Wellington Reis não é pura sinalização reclamosa ou embate puro e simples às palavras mal elaboradas pelo algoz. Mas uma história e uma resposta altiva, construídas no entorno dos verdadeiros heróis da Madre Deus, até hoje aplaudidos no mundo, pois trabalhos culturais forjados nas labaredas do fogo da Cânhamo ainda hoje acendem as labaredas das glórias da música, do impresso ou do colorido planeta-bairro, que nos encanta todos os dias.

Por fim, sinto-me privilegiado em ter lido essa obra-prima, disfarçada de briga doméstica.

Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira.

 

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Joema CarvalhoHá 4 anos CURITIBAExcelente trabalho do Wellington Reis traduzido nas palavras do Mhario Lincoln.
Raimunda Pinheiro de Souza Frazão Há 4 anos São José de Ribamar - MAExekente o trabalho de Wellington Reis!
Adriano Siqueira SimoneHá 4 anos CuritibaUm texto produzido com muita profundidade. Parabens
SilvaHá 4 anos São LuísPerfeito estudo e detalhamento dessa arte literária, chamada, cordel. Parabéns poeta, bem lembrado.
Maria José da Silva Há 4 anos Rio de Janeiro Que lembranças tão boa! Um excelente texto!!! Amei!
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