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Chiquinho França revive “Coxinho”, musicalisando letra “Toadas de Aquarelas”

Os versos, “toadas tão belas, entre estrelas e aquarelas, caindo no meio do mar” formam uma das imagens mais lindas entre as composições folclóricas do Maranhão.

05/06/2026 às 09h09 Atualizada em 05/06/2026 às 09h46
Por: Mhario Lincoln Fonte: Orquídea Santos (autora)
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 Mhario Lincoln.& Chiquinho França
Mhario Lincoln.& Chiquinho França

ORQUÍDEA SANTOS, editora da Plataforma Nacional do Facetubes

Foto: Vera Santos. (Chiquinho França entrega a "palheta" que ele compôs - com sua guitarra branca que tem mais de 30 anos- a melodia para "TOADAS DE AQUARELAS". Sem dúvida, uma palheta histórica).

O São João do Maranhão de 2026 abriu espaço para uma lembrança que atravessa gerações. A nova música composta por Chiquinho França, com letra de Mhario Lincoln, recoloca Coxinho no centro da cena cultural maranhense. A homenagem não busca reconstruir o passado, mas reafirmar a presença contínua do amo que marcou o Bumba-Meu-Boi de Pindaré e se tornou referência continental. A obra surge em um momento em que o ciclo junino volta a ocupar ruas, terreiros e arraiais, reforçando a força de uma manifestação que se mantém viva porque não depende de modismos, e sim de memória, rito e transmissão comunitária.

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A letra da música parte de um ponto essencial do Bumba-Meu-Boi: o encontro entre o sagrado e o profano. O verso “Aê, guarnicê suar da matraca até o amanhecer” coloca o ouvinte dentro do ambiente da brincadeira, onde a madrugada não é limite, mas continuidade. A matraca funciona como marca sonora do Maranhão, e a menção direta ao seu ritmo situa a narrativa no território cultural onde Coxinho construiu sua trajetória.

Quando a letra afirma que “o boi de Pindaré, entre lágrimas e sorrisos, ouviu Coxinho cantando toadas no paraíso”, estabelece-se um diálogo entre o mundo terreno e o mundo simbólico. O boi, figura central da brincadeira, aparece como testemunha da permanência do cantador.

A imagem não trata da morte, mas da continuidade. Coxinho não se ausenta: ele canta em outro plano, e sua voz segue alcançando quem permanece na festa. A repetição dos versos reforça a ideia de retorno, como se a lembrança fosse um movimento circular, próprio das tradições que se renovam sem romper com sua base.

A segunda parte da letra amplia essa construção ao dizer que “Deus abriu o céu para Coxinho cantar”. A frase não busca sacralizar o artista, mas situá-lo no mesmo espaço simbólico que o Bumba-Meu-Boi sempre ocupou: o espaço onde promessa, fé e celebração se misturam. As “toadas tão belas, entre estrelas e aquarelas, caindo no meio do mar” formam uma das imagens mais lindas entre as composições folclóricas do Maranhão e remete ao ponto de encontro entre terra e água, onde muitas brincadeiras nasceram e se fortaleceram. A queda das toadas no mar sugere que elas retornam ao povo, como se o ciclo não pudesse ser interrompido.

A homenagem ganha força porque Coxinho não é apenas personagem histórico. Ele representa uma forma de cantar que moldou o sotaque da Baixada e influenciou grupos de diferentes regiões. Sua presença no São João de 2026, mesmo em forma de tributo, reafirma que o Bumba-Meu-Boi não se sustenta apenas por apresentações oficiais, mas pela memória coletiva que mantém vivos seus mestres.

Desta forma, a música de Chiquinho França e Mhario Lincoln funciona como ponte entre gerações, permitindo que novos brincantes reconheçam a importância de quem abriu caminhos.

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O São João deste ano, espalhado por arraiais da capital e do interior, reforça que o Maranhão segue sendo o território onde o Bumba-Meu-Boi encontra sua expressão mais intensa. A diversidade de sotaques, a continuidade dos grupos familiares e a presença das comunidades na organização das festas mostram que a manifestação não depende de estruturas externas para existir.

 

Ela se mantém porque faz parte da vida cotidiana de quem participa. A lembrança de Coxinho, agora renovada em forma de música, confirma que a tradição não se perde quando encontra novas formas de ser contada.

 

A LETRA

*Mhario Lincoln/Chiquinho França

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Aê, guarnicê,

suar da matraca até o amanhecer.

E o Boi de Pindaré, entre lágrimas e sorrisos,

ouviu Coxinho cantando toadas no paraíso.

E o Boi de Pindaré, entre lágrimas e sorrisos,

ouviu Coxinho cantando toadas no paraíso. 

E Deus abriu o céu

para Coxinho cantar.

Toadas tão belas,

feito estrelas e aquarelas,

caindo no meio do mar. (BIS).

 

TOADAS DE AQUARELA (Mhario Lincoln & Chiquinho França).

 

Em tempo: "(...) A cultura maranhense recebeu mais um precioso presente. A sensível composição de *Chiquinho França*, musicalizando a inspirada letra do Confrade *Mhario Lincoln*, transcende a condição de simples homenagem para se transformar em um verdadeiro ato de preservação da memória cultural do Maranhão._
_Ao evocar a figura inesquecível de Coxinho, amo maior do Bumba-Meu-Boi de Pindaré, os autores constroem uma ponte poética entre passado e presente, reafirmando que os grandes mestres jamais desaparecem enquanto permanecerem vivos no imaginário popular, nas toadas, nos terreiros e no coração do povo._
_Os versos “Toadas tão belas, feito estrelas e aquarelas, caindo no meio do mar” revelam rara beleza estética, combinando lirismo, musicalidade e profunda identidade maranhense. A imagem criada transporta o ouvinte para um universo onde a fé, a tradição, a arte e a emoção caminham juntas, exatamente como ocorre nas manifestações mais autênticas do nosso folclore._
_Chiquinho França, com sua reconhecida sensibilidade artística, oferece melodia à altura da grandeza da letra, produzindo uma obra que emociona, educa e perpetua a memória de um dos maiores nomes da cultura popular maranhense._
_Mais do que uma canção, esta homenagem reafirma a força do Bumba-Meu-Boi como patrimônio vivo do Maranhão e demonstra que a tradição continua encontrando novas formas de dialogar com as gerações atuais, sem perder suas raízes.
Parabéns a Mhario Lincoln e Chiquinho França por esta extraordinária contribuição à cultura maranhense. Ao homenagearem Coxinho, homenageiam também a alma do Maranhão, sua história, seu povo e sua inesgotável capacidade de transformar memória em arte.

Cel. Carlos Furtado
Historiador e Acadêmico. (..)".

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Silvânia TamerHá 1 semana São LuisParabéns aos compositores Chiquinho França e Mhario Lincoln pela belíssima Toadas de Aquarela, uma composição que celebra a riqueza do nosso São João e presta uma justa homenagem ao saudoso Mestre Coxinho, eterno símbolo do Boi de Pindaré. Uma obra que emociona, preserva a memória de um grande mestre da cultura popular maranhense e mantém viva a força das nossas tradições.
Keila MartaHá 1 semana São LuísÉ incrível essa parceria Chiquinho França e Mhario Lincoln, e:Toadas de Aquarelas" forma no imaginário do ouvinte cenas do cenário cultural do Maranhão. Parabéns!
Elisa LagoHá 1 semana São LuísChiquinho França é um gênio no seu fazer musical. Bravo, bravo.
José de Ribamar SantosHá 1 semana São Paulo SpEu acompanho as letras de vários autores desse gênero no Maranhão. Moro em São Paulo e aqui fundei o Boi da Ilha de lá, em homenagem a minha terra. Quero parabenizar o Chiquinho e o Mhario por essa belíssima composição.
Landro MaresHá 1 semana Tutoia do Mará, pesquisadorParabéns ao folclore de minha terra rica.
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