
Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes
A presença do GELMA, Grupo de Estudos em Literatura Maranhense, no ambiente da Academia Maranhense de Letras representa um gesto que ultrapassa a simples realização de encontros literários. Isso porque, a aproximação entre o grupo ligado à UFMA e a Casa de Antônio Lobo cria uma cena necessária. De um lado, a pesquisa universitária com descobertas fantásticas nesse nicho, do outro, a instituição que guarda parte essencial da memória literária do Maranhão.
O GELMA tem como objetivo pesquisar, examinar e divulgar a literatura maranhense, relacionando obra, história, sociedade e identidade cultural, tem oportunidade de mostrar tudo isso em suas reuniões informais, nos salões encantados da Academia Maranhense de Letras, presidida pelo desembargador, poeta e escritor Lourival Serejo, nas quintas-feiras mágicas, uma vez por mês.
Isso prova que o GELMA não se limita a comentar autores já consagrados em estudos apenas em grupos digitais (como era no começo). Mas atua também onde a memória costuma falhar, fora das telinhas e dos encontros ‘selfies’. Nos bastidores, recolhe textos, organiza publicações, chama estudantes, professores, pesquisadores e escritores para um mesmo campo de leitura.
O lançamento do e-book A Literatura Maranhense, obra de Antônio dos Reis Carvalho, com atualização ortográfica, notas e novo tratamento editorial, mostra esse trabalho de recuperação de uma bibliografia que poderia permanecer distante dos leitores.
Mas, com esforço do coordenador, professor, doutor José Dino Costa Cavalcante dá ao grupo uma direção acadêmica reconhecível. O SIGAA da UFMA registra sua atuação na coordenação do GELMA desde 2021. Também aparecem, nas ações do grupo, nomes como José Neres, imortal da AML, Mauro Cezar Vieira, Helena Mendes, além de professores, estudantes e pesquisadores vinculados às atividades do simpósio e às publicações do grupo. Entre uma reunião literária e outra, vale afirmar que as performances da professora Linda Barros têm sido, também, uma das chaves-mestras desses encontros, levando os participantes a respirarem teatro, com monólogos ou duetos imprescindíveis.
Por outro lado, há um detalhe importante: em 2024, a UFMA destacou o livro O Casarão e outros Contos Vitoriosos, produzido pelo GELMA, com edição de Helena Mendes e José Neres, em iniciativa voltada à formação de novos contistas maranhenses. Sem dúvida, outro marco na vida de sucessos do GELMA, já reconhecido em outras capitais brasileiras e, em alguns momentos, fora do Brasil.
Fica obvio, assim, que o GELMA não vai apenas ocupar os salões da AML. Mas, tem um objetivo entre muitos, o de recolocar a literatura maranhense em circulação dentro de uma instituição fundada para preservar e projetar a palavra escrita no Estado.
Quando a AML acolhe debates como O Insólito na Literatura Maranhense, com participação de nomes como Lourival Serejo, José Neres, Mauro Cezar Vieira, Tarcyene Muniz e Naiara Sales, o espaço acadêmico deixa de ser vitrine de passado e passa a funcionar como lugar de interpretação crítica do presente.
O V SiGELMA, realizado em 2025 com o tema O Cânone e suas Margens, confirma a ampliação dessa proposta. O evento, organizado pelo GELMA e vinculado à UFMA, abriu espaço para a literatura maranhense e também para trabalhos sobre literatura brasileira em geral, deslocando o debate regional para uma escala mais ampla. Esse movimento evita dois riscos antigos. O primeiro é transformar a literatura maranhense em peça de museu. O segundo é reduzi-la a nota de rodapé da literatura brasileira.
Há, portanto, uma crítica embutida nessa aproximação. O Maranhão produziu nomes centrais para a literatura do país, mas ainda sofre com descontinuidade editorial, ausência de reedições, circulação restrita e pouco acesso de novos leitores a obras fundamentais. O GELMA enfrenta esse problema com método. A AML, ao abrir suas portas para esse tipo de debate, reconhece que tradição sem pesquisa vira celebração repetida.
Pesquisa sem espaço público, por sua vez, corre o risco de ficar presa aos corredores universitários. Por isso, a relação entre GELMA e AML merece leitura séria. Ela não deve ser tratada como agenda comum, nem como encontro interno de especialistas. Ali se desenha uma forma concreta de política literária. Uma política sem ruído, feita por estudo, presença, memória e formação.
Foi o caso do dia 28 de maio passado, quando o convidado para a palestra sobre o marketing literário foi o jornalista e poeta Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes. Nesse caso, mais um tema bem-sucedido. Ou seja, responder um questionamento mais que necessário sobre como levar toda essa produção literária ao grande público digital, que é bombardeado diariamente com milhões de opções ao mesmo tempo.
Mhario Lincoln explicou a forma de sucesso da Plataforma Nacional do Facetubes. Sempre com a participação de todos nessa jornada divulgativa importante. Não só das coisas do Brasil, mas e especificamente, das coisas do Maranhão, estado-berço do seu editor.
Esse acontecimento deu-se de forma muito interessante tendo participado dele, poetas, escritores, diretores da AML e seus membros, além da classe estudantil, essa parte, faminta por conhecer mais a literatura brasileira e maranhense.
Na ocasião, o jornalista Mhario Lincoln recebeu das mãos do presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, professor e ex-Reitor UEMA, José Augusto Silva Oliveira, a Medalha do Centenário do IHGM e a placa comemorativa do GELMA, que lhe foi entregue pelo coordenador, professor doutor Dino Cavalcante, pelos membros José Neres (AML) e pela atriz e doutora em Letras, poeta Linda Barros (APB-MA) e pelo presidente da AML, escritor, poeta e desembargador Lourival Serejo que, inclusive, presenteou o palestrante com um “kit” de importantes livros de autores maranhenses, editados ou acolhidos pela AML.
Enfim, o que está em jogo é a capacidade de o Maranhão organizar sua própria tradição, disputar leitura nacional e mostrar que sua literatura não pertence apenas ao passado. Pertence ao trabalho de quem ainda a lê.
EM TEMPO: muito boa a presença de vários amigos sinceros e importantes para o trabalho como um todo e para a literatura maranhense. A reportagem anotou os poetas Cecy Bastos e Bioque Mesito e o músico Chiquinho França (com a esposa). Em especial a poeta Maura Luza Frazão, cujos premios tem qualificado sua obra de forma efetiva. Toda a reportagem com fotos e vídeos de todos os presentes à AML será publicada a partir do dia 10 de junho.
Mín. 13° Máx. 20°