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O São João maranhense atravessa poesia, toada e mesa de arraial. Uma experiência incrível

Entre Nascimento Morais Filho, Celso Borges, Humberto de Maracanã e Mestre Coxinho, a festa preserva memória, oralidade, Bumba meu boi e arroz de cuxá. E, em especial, o Boizinho Barrica.

08/06/2026 às 10h42 Atualizada em 08/06/2026 às 11h01
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln
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Inácio Pinheiro, Mhario Lincoln, Pereira Godão e Roberto Brandão. (Cia Barrica).
Inácio Pinheiro, Mhario Lincoln, Pereira Godão e Roberto Brandão. (Cia Barrica).

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln

"Todas as premissas que compõem a história vibrante do período junino maranhense levam à memória imortal do povo de minha terra. Cantadores, 'Amos', Poetas e Criativos integram esse universo. O 'Boizinho Barrica", da Cia Barrica, cujo comando sensitivo está nas mãos de Zé Pereira Godão, é um exemplo disso. Vida longa, portanto, a essas abençoadas manifestações, mesmo porque D. Teté, Coxinho, Celso Borges, Nascimento Moraes Filho, Humberto Maracanã entre outros grandes nomes estão lá de cima reforçando essa ideia de imortalidade(...)". Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes.

O São João do Maranhão não é apenas uma data do calendário religioso e popular. Em São Luís, ele se organiza como rito de rua, brincadeira, canto, dança, fé, comida e memória. O Bumba meu boi ocupa o centro dessa cena porque reúne música, corpo, narrativa, promessa, barracão, arraial e comunidade. Esse conjunto explica por que o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão recebeu, em 2019, o reconhecimento da UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, com registro também vinculado ao Iphan.

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Na literatura maranhense, Nascimento Morais Filho é nome obrigatório quando se fala da passagem do São João para a poesia. Em Azulejos, a festa entra pela infância, pela fala popular e pelo imaginário de São Luís. Estudo da PUC-SP sobre a obra mostra que o poeta trabalha o São João como parte das narrativas orais das crianças, misturando humor, religiosidade doméstica e linguagem maranhense. A Academia Maranhense de Letras também registra Nascimento Morais Filho como poeta, ensaísta, pesquisador, folclorista e ocupante da cadeira 37.

José Maria Nascimento também aparece nesse campo da memória poética ludovicense. A Academia Maranhense de Letras registrou o lançamento de Recreio na Ilha como obra voltada aos costumes da Ilha de São Luís, incluindo festas de São João, carnavais, ruas, becos, bares, tipos populares, poetas e artistas, zabumbas, toada, arroz de cuxá, pimenta e a paisagem afetiva da cidade.

Celso Borges representa outro caminho. Sua presença no livro Bumba Meu Boi do Maranhão – Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, com fotografias de Márcio Vasconcelos, confirma a ponte entre poesia escrita, toada e imagem. A publicação reúne textos do poeta e mais de cem fotografias sobre o Bumba meu boi, com referência direta a ‘amos’, cantadores e toadas da Festa de São João no Maranhão.

No Estado, a poesia do São João não vive somente no livro. Ela está na toada. A dissertação Toadas de Bumba meu boi: um canto entre a palavra folclórica e a voz poética, da PUC-SP, reconhece nas toadas elementos de poética, oralidade, performance e construção da cultura maranhense. O estudo observa que a lenda do boizinho de São João é recriada pela tradição oral, nas apresentações das brincadeiras e nas exaltações a Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal.

É nesse ponto que entram os ‘amos’ e cantadores. Humberto de Maracanã, Mestre Coxinho, Chagas do Bumba meu boi da Maioba, Zé Pereira Godão (veja foto principal desta matéria) e Donato aparecem como nomes associados a toadas que se tornaram referências no repertório maranhense. A pesquisa da PUC-SP inclui “Urrou do Boi”, de Coxinho; “Maranhão, meu tesouro, meu torrão”, de Humberto de Maracanã; “Se não existisse o sol”, de Chagas; “Ilha encantada”, de Zé Pereira Godão; “Bela Mocidade”, de Donato. Vale incluir também a toada “Estrelas de Aquarelas”, de Mhario Lincoln e Chiquinho França, cuja repercussão no sul do Brasil transcendeu a normalidade para músicas folclóricas regionais.

Por sua vez, Humberto de Maracanã é uma das vozes centrais desse percurso. A Fundação Cultural Palmares registra Humberto Barbosa Mendes como mestre do Bumba meu boi maranhense, compositor e intérprete de toadas desde a juventude, ligado ao Boi de Maracanã e reconhecido como Mestre da Cultura Brasileira. Sua obra ajuda a entender por que a toada, no Maranhão, não pode ser tratada apenas como música de festa. Ela é documento oral, memória comunitária e forma de poesia popular.

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Mestre Coxinho, Bartolomeu dos Santos, ocupa lugar semelhante no sotaque da Baixada. Suas poesias ainda marcam o repertório do São João do Maranhão e que “Urrou do Boi”, toada de sua autoria criada em 1972, foi reconhecida como Hino Cultural e Folclórico do Maranhão. Coxinho aparece, assim, como um dos exemplos mais claros do cantador que transforma a brincadeira em linguagem permanente.

Mas nem só de Maranhão vivem os poetas. No plano brasileiro, Manuel Bandeira é referência pela força de Libertinagem, publicado em 1930. O poema fixa a noite de São João como memória de infância e passagem do tempo. Patativa do Assaré, por outro caminho, levou a festa para o sertão, com poemas como “O retrato do sertão”, em que a noite de São João aparece ligada à fogueira, à dança e à cultura popular. Ascenso Ferreira, poeta pernambucano, também se insere nessa linhagem, com obra marcada por cultura nordestina, oralidade, Bumba meu boi, maracatu, reisado e outras formas populares.

O campeoníssimo Wellington Reis.

E na culinária? Essa, permite-se dizer que é no Maranhão onde surgem as melhores iguarias. Por isso que Wellington Reis abocanhou um dos principais prêmios mundiais com o CD "Sotaque Maranhense na Arte de Cozinhar", em parceria com José Ignácio. O "Gourmand World Cookbook Awards", é um prêmio que laureia as melhores publicações da gastronomia mundial.

Nesse trabalho, está também o arroz de cuxá. Aliás é essa receita que aparece como o prato mais representativo da culinária maranhense no período, pela presença da vinagreira, do camarão seco e do gergelim.

A UFMA, em guia turístico, trata o arroz de cuxá como carro-chefe da mesa maranhense, e o Senac-MA o apresenta como prato típico e referência da gastronomia local.

A receita preserva a lógica da cozinha de arraial. A vinagreira é cozida, escorrida e picada. O camarão seco é dessalgado. O refogado recebe alho, cebola, pimentão verde, camarão, vinagreira e gergelim. Depois, o arroz cozido entra na mistura até incorporar o cuxá. Em muitas casas, o prato acompanha peixe frito, torta de camarão, torta de caranguejo ou outros preparos de festa. Não se trata apenas de alimentação. No São João de São Luís, o arroz de cuxá funciona como marca de pertencimento.

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Desta forma, o São João maranhense, visto por esse conjunto, não cabe numa leitura folclórica rasa. Ele passa pela poesia moderna de Nascimento Morais Filho, pela memória urbana de José Maria Nascimento, pela poesia visual e textual de Celso Borges, pela voz de Humberto de Maracanã, pelo legado de Mestre Coxinho e pela cozinha de vinagreira que sustenta os arraiais. O Bumba meu boi, a toada, o sotaque, o barracão, o amo, o cantador, o batalhão e o arroz de cuxá formam uma mesma gramática cultural. Nela, o Maranhão escreve, canta, dança e serve sua própria memória.

VÍDEO-BÔNUS

O Fantástico 'Boizinho Barrica'

 

 

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Keila MartaHá 6 dias São LuísEssa matéria é bem rica, o São João é um período de grande efervescência cultural, é um mix de várias danças folclóricas e os sotaques de boi, além das comidas típicas, que eu adoro arroz de cuxá com torta de camarão, sem falar no delicioso bolo de tapioca. Sem falar que o ano inteiro a gente escuta o som dos tambores.Tudo isso forma a memória cultural maranhense. E Toadas de aquarela entra necesse contexto para dizer que ainda há espaço para o novo, a nossa cultura ainda guarda surpresas.
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Base factual consultada: a CBF registra a derrota brasileira por 3 a 1 para a Espanha em 1934 e a eliminação no jogo de estreia; a RFEF descreve o domínio espanhol no primeiro tempo; a FIFA registra a vitória do Equador sobre o Catar em 2022 como a primeira derrota de um anfitrião no jogo inaugural; a Simon & Schuster e o WorldCat apresentam The Ugly Game como investigação sobre a escolha do Catar; a Springer/Palgrave apresenta Qatar and the 2022 FIFA World Cup como estudo acadêmico sobre política e controvérsias do torneio; e editoras/catálogos internacionais registram as obras de Cris Freddi, Brian Glanville, David Goldblatt e Alex Bellos como referências sobre história das Copas e do futebol.
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