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Thalia Alves Costa, escreve: "A Luta da Mulher em Compasso Binário, de Arlete Nogueira"

THALIA ALVES COSTA Graduanda em Letras/UFMA, é convidada da Academia Poética Brasileira.

22/04/2024 às 12h31 Atualizada em 22/04/2024 às 12h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: THALIA ALVES COSTA, Graduanda em Letras/UFMA
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Original do texto. (Divulgação).
Original do texto. (Divulgação).


THALIA ALVES COSTA, Graduanda em Letras/UFMA*


Ao ler a nova edição do romance Compasso Binário, de Arlete Nogueira, é imprescindível não perceber o olhar crítico e humanitário que a autora tem a temas tão cruéis e que ainda perpetuam na nossa sociedade. O enredo do livro apresenta, sob uma ótica feminina, a violência contra a mulher de maneira nua e crua, fazendo com que os leitores consigam sentir e perceber as dores e as mazelas causadas pelo feminicídio e pela violência sexual. Além disso, a autora nos presenteia com novos 10 capítulos em que constrói, com mais detalhes, situações e nos apresenta o desfecho da narrativa.


Arlete, através de personagens femininas, traça um enredo de leitura simples e agradável, embora seja carregado de emoções, críticas sociais e relações entre gêneros. Enquanto acompanhamos o desenrolar da narrativa, podemos perceber o desenvolvimento e a trajetória pessoal da protagonista Natália, que, em meio às situações da trama, consegue construir ligações entre personagens vítimas das mazelas sociais, sobretudo com Joaninha (na primeira edição era Baianinha) que é vítima de feminicídio. Além de demonstrar como uma mulher pode suportar dores tão íntimas, mas, ainda assim, unindo-se a outras mulheres que sofrem com a violência de gênero.

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A narrativa também mergulha em simbolismos, carregados de nuances existenciais. Demonstrando ciclos viciosos com a transformação da protagonista Natália, seu novo olhar e como a personagem lida com seus novos traumas após a violência sexual. Dentro desse universo de emoções, a autora ainda interliga a personagem Natália à cidade de São Luís e seus problemas políticos, embora, nessa nova edição, a trama esteja ainda mais voltada ao desenrolar da trajetória da protagonista.


Há um trecho da música “Minha Alma” que diz “a paz sem voz não é paz é medo.” A jornada de Natália em busca de se encontrar ou encontrar sua paz em meio ao caos da dor e do medo, consiste em lutas infinitas e silenciosas em combate à violência contra mulher, construída entre a protagonista e o leitor.


E é nessa luta que percebemos a coragem que está na denúncia desses criminosos. A nova edição nos permite ver o desenrolar dos crimes, em que o assassino que mata Joaninha é encontrado e preso, e aquele que violenta Natália é denunciado e também levado à prisão. Mas, Arlete não poderia deixar de registrar o cenário da justiça brasileira: um ano depois dos crimes, ambos os criminosos passeiam livres pelas ruas de São Luís. Embora haja leis mais rígidas e melhorias que efetivamente já salvaram a vida de muitas mulheres, ainda temos uma falsa realidade oferecida pelo sistema penal, que precisa de leis eficazes no combate à violência contra mulher.


Tais fatos nos fazem sentir, durante a leitura, nos mais profundos sentimentos, a revolta do ser feminino. A dor do descompasso causado por uma sociedade machista, com preceitos patriarcais e misóginos. E dentre esses sentimentos, podemos contemplar a originalidade da escrita e a sensibilidade de uma escritora brilhante.

 

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Prof. Dino.

(*) Matéria gentilmente enviada pelo professor JOSE DINO COSTA CAVALCANTE, da coordenação do Curso de Letras/UFMA.

O Professor Doutor Dino Cavalcante possui Graduação em Letras pela Universidade Federal do Maranhão-UFMA (1995), Mestrado e Doutorado na Universidade Estadual Paulista-UNESP (2000 e 2005, respectivamente). Atualmente é Professor Associado do Departamento de Letras da Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Tem experiência na área de Estudos Literários, com ênfase em Literatura Brasileira. Desenvolve pesquisas nas áreas de História da Literatura, Literatura e Sociedade e Literatura Maranhense. É membro permanente do corpo docente do Mestrado em Letras da UFMA. Sua linha de pesquisa é Literatura, História e Sociedade.

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Prof.Dr. Germano Maia de Andrade, professor UFRJ aposentado.Há 2 anos Rio de Janeiro/RJDra. Thalia, perfeito quando é citado, “a paz sem voz não é paz é medo.” Sob uma ótica existencialista, como a de Jean-Paul Sartre, essa frase pode ser vista como um comentário sobre a autenticidade e a liberdade individual. Sartre acreditava que a essência do ser humano é a liberdade – a capacidade de escolher e se expressar. Uma paz que restringe essa expressão seria, então, uma negação da própria essência humana. Aplausos pela sensibilidade de beliscar a frase.
Lucia de FreitasHá 2 anos São Luís MaUma narrativa com expressividade objetiva. Uma resenha que vale ser lida pela maneira quase suave como ela descrevce o feminicío e as soluções dadas nesta resenha.
Professora Zuleide Batista Bogea (UFMG)Há 2 anos São Luís MaUm texto que mostra que ainda tem muito que se remar com relação aos direitos da mulher. especialmente no Maranhão.
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(A) MARCO NEVES (De Lisboa/Portugal)
Sobre o blog/coluna
Marco Neves nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, leitor, conversador e autor. Não são sete? Falta este: é também pai, com o ofício de contar histórias. É professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e diretor do escritório de Lisboa da Eurologos. Escreve regularmente no blogue Certas Palavras. Já publicou os livros Doze Segredos da Língua Portuguesa, A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e o romance A Baleia que Engoliu Um Espanhol. Publicou também um ensaio literário, José Cardoso Pires e o Leitor Desassossegado. Regressa às dúvidas e subtilezas da nossa língua com a Gramática para Todos: O Português na Ponta da Língua.
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