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Marco Neves, diretamente de Portugal para o Facetubes: “As línguas misturadas em Agosto ”

São as línguas de beijar e as línguas de falar: tudo se mistura em Agosto.

05/08/2025 às 11h28
Por: Mhario Lincoln Fonte: Marco Neves
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Marco Neves.
Marco Neves.

Marco Neves, colaborador do Facetubes/ Portugal

Docente na Universidade NOVA de Lisboa. Fundador da Eurologos-Portugal, empresa de tradução. Autor de 15 livros sobre língua e tradução.

 

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Às vezes, estamos no café e ouvimos as conversas à volta. Há uns tempos, nas mesas ao lado, estava uma adolescente a falar para o telemóvel. Sim, a falar. Estava numa chamada de vídeo com o namorado e, naquele café tão português (com cartazes do Benfica Tricampeão — já não sei de quando — e revistas do Correio da Manhã), falavam os dois num rápido e desenvolto francês.

Sim, os emigrantes voltam e trazem os filhos. E estes, no nosso querido mês de Agosto, mantêm as amizades e os amores à distância — como todos fazemos quando temos de estar longe dos nossos. E, no meio disto tudo, as línguas não ficam muito puras, fechadas nas suas fronteiras. As línguas são como nós, no calor do Verão: despem-se e abraçam-se.

Nas praias é a mesma coisa: ouvem-se línguas diferentes, muitas delas bem misturadas. Temos os emigrantes a falar em duas línguas. Os turistas a comunicar com os vendedores de bolas de Berlim com gestos e risos. Temos os sotaques do país misturados num Algarve a transbordar, salpicados de muito inglês e outras línguas mais frias. Temos outras linguagens mais universais e muitos sorrisos, muitos olhares, beijos em muitas línguas ou em nenhuma.

Se percorrermos as cidades do país, vemos o mesmo: as línguas misturam-se mais no mês de Agosto. Pelas ruas de Lisboa e do Porto, há línguas fáceis de identificar, outras nem por isso. É fácil ver o castelhano a entornar-se pelas nossas ruas. Uma vez por outra até oiço um catalão a parlar amb els seus fills, deixando-me a mim de orelhas arrebitadas e a quase todos os outros com os ombros encolhidos de tanto espanhol que por cá anda (ou será francês?).

Isto, claro, não acontece só por cá: em toda a Europa o mapa das línguas fica pintado de muito mais cores do que o normal. Agosto é assim: um bom mês para descontrair e esquecer, nem que seja por momentos, certas fronteiras.

Ah, queriam conclusões, indignações, um artigo com mais sumo? Este é um artigo leve, de Verão. Aproveitem esse outro sumo que está à vossa frente, na esplanada da praia. Só vos quis fazer um convite para aproveitarem estes dias quentes de ouvidos um pouco mais abertos para as palavras diferentes que ouvimos por aí. E, se quiserem, metam pelo meio conversas e beijos entre as línguas que quiserem.

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É Agosto, ninguém leva a mal.

Um excelente Agosto para todos!

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Socorro Guterres Há 10 meses Natal/ RNUm artigo para descontrair e interagir, prenúncio de um ótimo agosto. Parabéns ao autor!
Joizacawpy Há 10 meses São luís Que texto gostoso de ler, sim começamos a leitura e vamos querendo saber mais, um texto leve que traz informações tão significativas de lugares distantes como os países da Europa, essa temática da mistura de línguas foi uma bela sacada. Gostei muito! Parabéns.
JaimeHá 10 meses BSB/DFMuito interessante, a publicação acima.
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(A) MARCO NEVES (De Lisboa/Portugal)
Sobre o blog/coluna
Marco Neves nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, leitor, conversador e autor. Não são sete? Falta este: é também pai, com o ofício de contar histórias. É professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e diretor do escritório de Lisboa da Eurologos. Escreve regularmente no blogue Certas Palavras. Já publicou os livros Doze Segredos da Língua Portuguesa, A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e o romance A Baleia que Engoliu Um Espanhol. Publicou também um ensaio literário, José Cardoso Pires e o Leitor Desassossegado. Regressa às dúvidas e subtilezas da nossa língua com a Gramática para Todos: O Português na Ponta da Língua.
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