Marco Neves, colaborador do Facetubes/ Portugal
Docente na Universidade NOVA de Lisboa. Fundador da Eurologos-Portugal, empresa de tradução. Autor de 15 livros sobre língua e tradução.
Às vezes, estamos no café e ouvimos as conversas à volta. Há uns tempos, nas mesas ao lado, estava uma adolescente a falar para o telemóvel. Sim, a falar. Estava numa chamada de vídeo com o namorado e, naquele café tão português (com cartazes do Benfica Tricampeão — já não sei de quando — e revistas do Correio da Manhã), falavam os dois num rápido e desenvolto francês.
Sim, os emigrantes voltam e trazem os filhos. E estes, no nosso querido mês de Agosto, mantêm as amizades e os amores à distância — como todos fazemos quando temos de estar longe dos nossos. E, no meio disto tudo, as línguas não ficam muito puras, fechadas nas suas fronteiras. As línguas são como nós, no calor do Verão: despem-se e abraçam-se.
Nas praias é a mesma coisa: ouvem-se línguas diferentes, muitas delas bem misturadas. Temos os emigrantes a falar em duas línguas. Os turistas a comunicar com os vendedores de bolas de Berlim com gestos e risos. Temos os sotaques do país misturados num Algarve a transbordar, salpicados de muito inglês e outras línguas mais frias. Temos outras linguagens mais universais e muitos sorrisos, muitos olhares, beijos em muitas línguas ou em nenhuma.
Se percorrermos as cidades do país, vemos o mesmo: as línguas misturam-se mais no mês de Agosto. Pelas ruas de Lisboa e do Porto, há línguas fáceis de identificar, outras nem por isso. É fácil ver o castelhano a entornar-se pelas nossas ruas. Uma vez por outra até oiço um catalão a parlar amb els seus fills, deixando-me a mim de orelhas arrebitadas e a quase todos os outros com os ombros encolhidos de tanto espanhol que por cá anda (ou será francês?).
Isto, claro, não acontece só por cá: em toda a Europa o mapa das línguas fica pintado de muito mais cores do que o normal. Agosto é assim: um bom mês para descontrair e esquecer, nem que seja por momentos, certas fronteiras.
Ah, queriam conclusões, indignações, um artigo com mais sumo? Este é um artigo leve, de Verão. Aproveitem esse outro sumo que está à vossa frente, na esplanada da praia. Só vos quis fazer um convite para aproveitarem estes dias quentes de ouvidos um pouco mais abertos para as palavras diferentes que ouvimos por aí. E, se quiserem, metam pelo meio conversas e beijos entre as línguas que quiserem.
É Agosto, ninguém leva a mal.
Um excelente Agosto para todos!
DE PORTUGAL Marco Neves, colaborador/Portugal adverte: “Mentiras da língua portuguesa”
De Portugal Marco Neves, nosso colaborador desde Portugal adverte: “Mentiras da língua portuguesa”
Internacional Lídia Jorge e o Prêmio Camões: literatura, memória e língua comum
Documentário/Filmes Poucos literatos escrevem como Mia Couto. Seus textos parecem que devolvem alma à língua lusófona
COLUNISTAS EUROPEUS Marco Neves: “As delícias das pequenas palavras portuguesas”
PORTUGAL “E se a nossa língua estivesse a morrer“? - Texto do prof. Marco Neves Mín. 11° Máx. 22°
Mín. 15° Máx. 27°
Tempo limpoMín. 17° Máx. 28°
Tempo limpo
Colunista Socorro Guterres Socorro Guterres: “O retorno de Ulisses”. exclusivo para o Facetubes
Academias Brasil/Exterior Coirmãs De Carlos Nina, especial para a Plataforma Nacional do Facetubes: “A erosão do discernimento”.
DINO DE ALCÂNTARA ANTONIO LOBO O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA Escritor maranhense inovador do século XIX ganha força entre amantes da literatura fantástica.